20 de set. de 2026, 21:00
A influência dos presidenciáveis na reta final da disputa estadual catarinense
A presença de lideranças nacionais em Santa Catarina altera a dinâmica da campanha ao governo, deixando candidatos sem alinhamento presidencial em posição de desvantagem.
A reta final das eleições em Santa Catarina evidencia um fenômeno eleitoral recorrente no estado: a dependência de cabos eleitorais de projeção nacional para catalisar o engajamento das bases. Com a proximidade do pleito, a visita recente de figuras como Flávio Bolsonaro e o presidente Lula redirecionou o foco da militância e pautou as redes sociais, criando um cenário desafiador para quem não possui um palanque presidencial consolidado.
Para o candidato João Rodrigues (PSD), o atual momento é de reavaliação estratégica. Diferente de seus concorrentes que conseguiram ancorar suas candidaturas em nomes nacionais de peso, o ex-prefeito de Chapecó enfrenta a dificuldade de se conectar com o eleitorado que busca uma identidade clara no projeto político apresentado. A aposta na figura de Ronaldo Caiado, embora represente uma conexão partidária, não tem se traduzido em empolgação ou tração eleitoral suficiente dentro das fronteiras catarinenses para alterar o panorama atual.
Enquanto isso, a corrida ao Palácio da Agronômica parece desenhar contornos distintos. O atual governador Jorginho Mello (PL) mantém uma postura de expectativa, visando a reeleição já no primeiro turno e buscando evitar oscilações em uma fase tão sensível da campanha. Por outro lado, analistas apontam que a movimentação do espectro da esquerda, impulsionada pela agenda lulista, pode conferir a Gelson Merisio um fôlego extra para tentar forçar uma reviravolta nas urnas e levar a disputa ao segundo turno.
O impacto prático dessa dinâmica é um processo de polarização que drena o espaço de candidaturas que tentam se vender como alternativas de centro ou de perfil estritamente regional. A duas semanas do dia da votação, o eleitor catarinense demonstra estar sintonizado com as agendas das grandes correntes nacionais, o que coloca o desempenho final de cada postulante ao governo sob a forte influência do desempenho e da aceitação de seus respectivos padrinhos em Brasília.
