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    Redação SC Reporter
    A migração política dos prefeitos catarinenses sob a gestão de Jorginho Mello

    15 de set. de 2026, 21:00

    A migração política dos prefeitos catarinenses sob a gestão de Jorginho Mello

    Mudanças nas alianças municipais em Santa Catarina revelam como o uso da máquina pública e a articulação política consolidaram a base do atual governo estadual.

    A política catarinense vive um realinhamento notável. Prefeitos e lideranças regionais que, em 2022, formaram uma frente de apoio ao então governador Carlos Moisés, hoje compõem a base estratégica da gestão de Jorginho Mello. O movimento, observado de perto no Vale do Itajaí, ilustra a fluidez das alianças partidárias em um cenário onde o acesso aos recursos estaduais dita o ritmo das movimentações administrativas e eleitorais.

    Figuras de destaque, incluindo ex-prefeitos como Mário Hildebrandt, André Moser e Jorge Kruger, transitaram da proximidade com o antigo governo para o alinhamento total com a atual administração do PL. Hoje, esses gestores não apenas orbitam a gestão de Mello, mas também ocupam papéis estratégicos em suas próximas campanhas legislativas ou quadros técnicos do executivo estadual. Esse fenômeno levanta debates sobre a natureza do municipalismo no Estado, onde a sobrevivência de projetos locais frequentemente depende da proximidade com o Palácio da Agronômica.

    O diferencial desta gestão, segundo observadores da política regional, reside na forma como o atual governador exerce a interlocução com os municípios. Enquanto o governo anterior enfrentou dificuldades em manter uma base sólida, mesmo com apoio explícito de prefeitos durante o pleito de 2022, a atual administração utiliza uma articulação política mais robusta. O controle do orçamento estadual, somado à habilidade de negociação direta com as prefeituras, tornou-se o principal motor de coesão do grupo governista.

    Essa transição de apoios, que se consolidou em atos recentes em Blumenau, indica que a lealdade política em Santa Catarina é frequentemente mediada pela capacidade do governo central em atender às demandas de infraestrutura e investimentos locais. Resta saber se essa estratégia de fortalecimento municipal será suficiente para sustentar a hegemonia de Jorginho Mello nas próximas disputas, superando o cenário volátil que, em anos anteriores, provou que o apoio declarado de prefeitos nem sempre se traduz em vitórias eleitorais garantidas para os seus aliados preferenciais.