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    Redação SC Reporter

    13 de set. de 2026, 23:00

    Antônio Carlos Nunes, que comandou a CBF entre 2017 e 2019, morre em Belém

    Conhecido como Coronel Nunes, ex-dirigente tinha 87 anos e estava hospitalizado havia mais de seis meses. Sua trajetória passou pelo Paysandu, pela federação paraense e pelo comando do futebol brasileiro.

    À frente da entidade que organiza o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, Antônio Carlos Nunes participou de um período de transição no comando do futebol nacional. Conhecido como Coronel Nunes, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) morreu neste domingo (13), aos 87 anos, em Belém, no Pará.

    Para o futebol catarinense, a CBF é uma instância central: além de administrar as seleções brasileiras, estabelece calendários e regulamentos das competições nacionais disputadas pelos clubes do Estado. A Federação Catarinense de Futebol, responsável pelas competições estaduais, integra esse sistema de organização, assim como a federação paraense, onde Nunes construiu boa parte de sua carreira como dirigente.

    Segundo pessoas próximas ao ex-presidente, ele estava internado em um hospital particular de Belém havia mais de seis meses. Nunes enfrentava complicações relacionadas a uma cirurgia realizada anos antes para retirar um tumor na cabeça.

    A despedida será em uma capela particular na Avenida José Bonifácio, perto da sede da Federação Paraense de Futebol. O enterro está previsto para a manhã de segunda-feira (14), em Ananindeua, município da região metropolitana de Belém.

    A CBF publicou uma manifestação de pesar. No comunicado, o atual presidente, Samir Xaud, reconheceu a contribuição de Nunes ao futebol do Pará e do país e expressou solidariedade aos familiares e amigos.

    Nascido em Monte Alegre, no oeste paraense, Nunes seguiu inicialmente a carreira militar. Sua entrada na administração esportiva ocorreu no Paysandu, onde foi conselheiro e, posteriormente, diretor de futebol. Ele integrou a gestão do clube na conquista da Série B do Campeonato Brasileiro de 1991, o primeiro título do time na competição.

    Em 1998, assumiu a presidência da Federação Paraense de Futebol, cargo que ocupou até 2016. A longa permanência na entidade estadual ampliou sua atuação nos bastidores nacionais e antecedeu sua chegada à direção da CBF.

    A ascensão ocorreu em meio à crise envolvendo Marco Polo Del Nero. Como vice-presidente mais velho em exercício, Nunes assumiu interinamente o comando no início de 2016, durante uma licença do então presidente. Depois, com a suspensão de Del Nero no contexto de investigações sobre suspeitas de corrupção no futebol, passou a exercer a presidência. Sua gestão se estendeu de fevereiro de 2017 a abril de 2019. Ele também teve passagens interinas pelo cargo em 2016 e 2021.

    Um dos episódios de maior repercussão de sua atuação internacional foi a votação da sede da Copa do Mundo de 2026. No Congresso da Fifa realizado em Moscou, em 2018, Nunes apoiou o Marrocos, contrariando o alinhamento dos países sul-americanos em favor da candidatura conjunta de Estados Unidos, México e Canadá.

    À época, o dirigente explicou que acreditava no sigilo do voto e que pretendia dar ao país africano a oportunidade de organizar seu primeiro Mundial. A candidatura norte-americana venceu a disputa.