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    Redação SC Reporter
    Apropriação indébita via Pix resulta em indiciamento policial em Santa Catarina

    17 de out. de 2026, 15:00

    Apropriação indébita via Pix resulta em indiciamento policial em Santa Catarina

    Após receber uma transferência bancária por erro de terceiro e recusar-se a devolver o valor, um homem foi indiciado por apropriação indébita após ignorar tentativas de contato das autoridades.

    A facilidade das transações instantâneas via Pix trouxe um desafio jurídico crescente para a rotina dos catarinenses: a confusão entre o erro operacional de quem envia e a má-fé de quem recebe. Um caso recente ilustra os riscos legais de manter em conta valores recebidos indevidamente, resultando no indiciamento de um homem que optou por ignorar as tentativas de resolução amigável após receber R$ 723,63 que não lhe pertenciam.

    A ocorrência teve início quando uma mulher, ao tentar realizar um pagamento, digitou a chave incorretamente e transferiu o montante para a conta do investigado. Ao perceber a falha, a vítima buscou contato diversas vezes para reaver o dinheiro. Diante da negativa e do silêncio por parte do beneficiário, a situação escalou para a esfera policial. Mesmo após a intervenção das autoridades, o homem manteve a postura de obstrução, chegando a bloquear os canais de comunicação com os investigadores, o que acabou por configurar o crime de apropriação indébita, previsto no Código Penal.

    Historicamente, o Judiciário catarinense tem consolidado o entendimento de que a retenção de valores creditados por equívoco, quando há notificação clara e recusa de devolução, extrapola o erro civil e adentra a esfera criminal. Especialistas em direito digital alertam que a apropriação de quantias alheias não é apenas uma infração ética, mas um delito grave. O bloqueio dos contatos policiais, embora não altere a natureza do crime, demonstra dolo e retira qualquer margem para a defesa de que se tratou de um lapso ou desconhecimento da origem do crédito.

    O caso serve de alerta para a população sobre a importância da integridade nas transações financeiras digitais. Para quem comete o erro de envio, o caminho recomendado é o estorno via instituição financeira ou, em caso de recusa do recebedor, o registro imediato de um boletim de ocorrência, evitando que o conflito se agrave por vias informais ou pela inércia dos envolvidos.