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    Redação SC Reporter
    Celulares roubados alimentam ciclo de crimes e geram prejuízos a consumidores

    10 de out. de 2026, 03:00

    Celulares roubados alimentam ciclo de crimes e geram prejuízos a consumidores

    Consumidores brasileiros estão sendo notificados pela polícia sobre aparelhos furtados comprados em marketplaces, evidenciando falhas na fiscalização do mercado secundário de eletrônicos.

    A experiência de adquirir um smartphone em grandes plataformas digitais, confiando na idoneidade do vendedor, tem se transformado em uma dor de cabeça jurídica para milhares de brasileiros. O caso de consumidores que, meses após a compra, são notificados pelas autoridades policiais para entregar aparelhos identificados como produtos de roubo ou furto ilustra uma fragilidade crítica no comércio eletrônico. Além da perda do bem e do transtorno burocrático, o comprador corre o risco de ser investigado por receptação, crime que prevê penas rigorosas no Código Penal.

    O fenômeno revela a complexidade do mercado ilícito de dispositivos móveis. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o país registra uma média alarmante de 95 subtrações por hora. Longe de serem apenas itens de valor comercial, esses aparelhos compõem uma engrenagem que financia o crime organizado, servindo de moeda de troca por entorpecentes ou como ferramentas para fraudes financeiras e acessos não autorizados a contas bancárias e dados sensíveis dos usuários originais.

    Santa Catarina, embora apresente dinâmicas distintas dos grandes centros metropolitanos, não está imune ao impacto das redes de receptação que operam em escala nacional. A integração entre órgãos de segurança pública tem permitido a identificação desses aparelhos através do monitoramento de números de série, resultando em grandes operações de recolhimento de dispositivos. O Secretário Nacional de Segurança Pública, Francisco Lucas Costa Veloso, reforça que não existe um caminho único para o produto furtado, que pode transitar entre o mercado clandestino doméstico e rotas internacionais.

    Para o consumidor, a recomendação é redobrar a cautela ao adquirir eletrônicos usados ou fora das redes oficiais de revenda. A facilidade do preço baixo pode ocultar uma procedência criminosa. Quando a notificação policial chega, a restituição financeira é um processo árduo, muitas vezes exigindo medidas judiciais, já que as plataformas de marketplace raramente oferecem suporte imediato, limitando-se, por vezes, a estornos internos. A segurança dos dados digitais e a procedência do aparelho tornaram-se, portanto, a primeira linha de defesa contra o crime organizado.