06 de out. de 2026, 12:00
Debate sobre fim da escala 6x1 chega ao Senado em meio a incertezas políticas
A discussão sobre a Proposta de Emenda à Constituição que visa extinguir a jornada de trabalho de seis dias seguidos inicia no Senado sob forte pressão por cautela e adiamentos.
O futuro da jornada laboral no Brasil tornou-se o centro de um intenso debate legislativo no Senado Federal. A partir desta terça-feira, a casa inicia as discussões sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que busca encerrar a escala 6x1, um modelo de trabalho que domina setores fundamentais da economia catarinense, como o comércio, a indústria têxtil e o ramo de serviços. A medida, que visa garantir mais tempo de descanso aos trabalhadores, enfrenta agora um cenário de alta complexidade política.
Embora o tema tenha ganhado tração nas redes sociais e na esfera pública, a tramitação no Legislativo exige cuidado. A recente configuração das forças políticas, marcada pelo fortalecimento da oposição após o primeiro turno das eleições municipais, introduziu um novo elemento de incerteza. Parlamentares discutem a viabilidade de adiar a votação, argumentando que mudanças tão profundas no regime de trabalho precisam de um consenso mais amplo entre patrões e empregados, evitando assim impactos negativos na produtividade e no custo de contratação das empresas.
Para Santa Catarina, onde o desemprego é historicamente baixo e a demanda por mão de obra é constante, a alteração na jornada representa um ponto de atenção para os setores produtivos. Empresários locais temem que a redução abrupta das horas de trabalho, sem uma transição planejada, eleve os custos operacionais e prejudique a competitividade das micro e pequenas empresas, que compõem a espinha dorsal da economia regional.
O clima em Brasília é de intensa pressão. Enquanto movimentos sociais cobram agilidade na aprovação para valorizar o descanso semanal, setores econômicos pedem que a tramitação seja freada para permitir estudos de impacto mais robustos. A partir de agora, o foco dos senadores será equilibrar o apelo popular pela revisão da carga horária com a necessidade de manter a estabilidade do mercado de trabalho. A tendência é que a articulação política nos bastidores defina se a PEC seguirá em ritmo acelerado ou se será direcionada para uma análise técnica mais prolongada antes de qualquer decisão final.

