23 de set. de 2026, 00:00
Disputa eleitoral na Paraíba chega ao TRE com pedido de cassação
Campanha de Cícero Lucena aciona a Justiça Eleitoral contra o atual vice-governador Lucas Ribeiro, alegando uso indevido da máquina pública através de contratações temporárias em ano eleitoral.
O cenário eleitoral na Paraíba registrou um novo agravamento jurídico nesta semana. A coligação do candidato Cícero Lucena (MDB) formalizou uma representação junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PB) buscando a cassação do registro ou do diploma de Lucas Ribeiro. O cerne da acusação reside em uma suposta prática de abuso de poder político e econômico, configurada, segundo a peça jurídica, pelo alto volume de contratações temporárias realizadas pelo governo estadual ao longo do ano corrente.
O debate sobre a admissão de pessoal no setor público durante o calendário eleitoral é um tema recorrente e sensível no Direito Eleitoral brasileiro. A legislação vigente impõe restrições rígidas para evitar que a máquina administrativa seja utilizada como ferramenta para alavancar candidaturas à reeleição ou de aliados, garantindo o equilíbrio da disputa nas urnas. Para a defesa de Lucena, o número expressivo de novas contratações ultrapassa o limite da necessidade administrativa, configurando, na visão da acusação, uma estratégia para angariar apoio político por meio da oferta de postos de trabalho.
Historicamente, ações desta natureza demandam um rigoroso processo de instrução probatória. O TRE-PB terá agora a responsabilidade de analisar se os atos administrativos questionados possuem respaldo legal ou se, de fato, houve o desvio de finalidade apontado pela campanha do MDB. O desfecho deste processo pode ter implicações diretas na corrida eleitoral, visto que a judicialização da política tem se tornado uma constante em pleitos estaduais brasileiros, onde o impacto da decisão da corte pode alterar drasticamente o panorama das forças partidárias locais.
Até o momento, a defesa do vice-governador Lucas Ribeiro não detalhou a estratégia que utilizará para confrontar os argumentos apresentados no tribunal. Enquanto a Justiça Eleitoral não profere uma decisão preliminar, o caso alimenta o debate público sobre a ética no serviço público e os limites da atuação governamental em períodos de campanha, mantendo a tensão entre as alas políticas paraibanas em patamares elevados até a votação.

