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    Redação SC Reporter
    Do vinho ao Alasca, acordos históricos mostram o peso dos interesses na diplomacia

    13 de set. de 2026, 21:00

    Do vinho ao Alasca, acordos históricos mostram o peso dos interesses na diplomacia

    A aliança entre portugueses e ingleses e a compra do Alasca pelos Estados Unidos ajudam a entender como comércio, segurança e território orientam relações entre países — com efeitos que também alcançam Santa Catarina.

    Para um estado que vende alimentos e produtos industriais ao exterior, como Santa Catarina, a diplomacia tem consequências que vão além das reuniões entre chefes de governo. A relação com outros países pode facilitar negócios, estabelecer exigências para exportadores ou alterar as condições de acesso a mercados. Por trás dos protocolos, decisões internacionais costumam reunir interesses comerciais e cálculos de segurança.

    Dois episódios ajudam a observar essa combinação em perspectiva histórica: a longa aliança entre Portugal e Inglaterra e a compra do Alasca pelos Estados Unidos. Embora frequentemente apresentados como curiosidades, esses acontecimentos mostram como necessidades de uma época podem produzir consequências que atravessam séculos.

    No caso português, reduzir a aproximação com os ingleses a uma parceria motivada pelo vinho deixa de fora sua origem estratégica. A aliança tem antecedentes no tratado de 1373 e foi consolidada pelo Tratado de Windsor, de 1386, em um contexto de disputas dinásticas e da busca portuguesa por apoio diante de Castela.

    O comércio reforçou essa relação ao longo do tempo. Um marco posterior foi o Tratado de Methuen, firmado em 1703, que vinculou condições para a entrada de tecidos ingleses em Portugal ao tratamento dos vinhos portugueses no mercado inglês. Portanto, a cooperação militar e política não nasceu desse acordo comercial: já existia havia séculos.

    A distinção importa porque revela como alianças se sustentam por interesses que mudam. A necessidade de proteção pode abrir caminho para negócios, enquanto os negócios criam novos motivos para preservar a proximidade entre governos.

    Do outro lado do Atlântico, a transferência do Alasca teve uma lógica diferente. Em 1867, os Estados Unidos compraram o território do Império Russo por US$ 7,2 milhões, valor equivalente a aproximadamente dois centavos de dólar por acre. O preço costuma chamar atenção, mas não explica sozinho a negociação.

    Para a Rússia, pesavam as dificuldades de manter e defender uma possessão distante. Para os norte-americanos, a aquisição ampliava sua presença territorial no continente e no Pacífico Norte. A importância dos recursos naturais e da posição estratégica do Alasca se tornaria ainda mais evidente posteriormente. Avaliar a compra apenas pelo valor atual dessas riquezas, porém, apaga as incertezas existentes no momento da decisão.

    Em Santa Catarina, essa história encontra uma conexão prática na atividade dos portos e das cadeias exportadoras. Empresas e trabalhadores dependem não apenas de capacidade produtiva e transporte, mas também de relações internacionais, regras comerciais e negociações sanitárias. Os exemplos históricos não oferecem uma fórmula para os acordos atuais. Mostram, contudo, que compreender a diplomacia exige olhar para o que cada parte precisa proteger, vender ou conquistar — e para quem sentirá os efeitos dessas escolhas.