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    Redação SC Reporter
    Documentação garante acesso a direitos básicos para comunidade indígena em José Boiteux

    25 de set. de 2026, 21:00

    Documentação garante acesso a direitos básicos para comunidade indígena em José Boiteux

    Em uma ação de cidadania voltada à população Xokleng, 263 certidões de nascimento foram entregues, formalizando a identidade étnica e facilitando o acesso a políticas públicas essenciais.

    O acesso efetivo a políticas públicas em Santa Catarina deu um passo importante esta semana no município de José Boiteux. Em uma iniciativa focada na dignidade e cidadania, 263 membros da comunidade indígena local receberam suas certidões de nascimento atualizadas, documento que agora conta com o registro formal da etnia. A medida, celebrada por lideranças locais, resolve um problema histórico de invisibilidade documental que impedia o exercício pleno da cidadania.

    A ausência de registros civis completos sempre representou um dos maiores obstáculos para a população indígena da região do Alto Vale do Itajaí. Sem a documentação adequada, o acesso a serviços fundamentais, como o atendimento especializado pelo Subsistema de Atenção à Saúde Indígena e a matrícula escolar em instituições estaduais e federais, tornava-se burocrático e muitas vezes excludente. Com a inclusão da etnia no documento, o Estado reconhece oficialmente a identidade coletiva desse povo, garantindo que o direito à assistência diferenciada seja respeitado na prática administrativa.

    José Boiteux abriga uma parcela significativa da Terra Indígena Ibirama-Laklãnõ, território que possui um histórico de intensos conflitos agrários e desafios socioeconômicos. A entrega das certidões funciona como uma ferramenta de proteção social, assegurando que crianças e adultos tenham segurança jurídica para reivindicar benefícios previdenciários, programas de transferência de renda e o suporte necessário para a preservação de sua cultura e território. Especialistas em direitos humanos apontam que essa regularização é um passo indispensável para diminuir a desigualdade que historicamente marginaliza comunidades originárias em Santa Catarina.

    Para o governo estadual e órgãos de registro civil, a força-tarefa representa a desburocratização de um processo que, por muito tempo, manteve famílias em um limbo jurídico. A partir de agora, a expectativa é que a integração desses indivíduos nas redes de proteção social ocorra com maior fluidez, diminuindo o hiato entre a legislação garantida em âmbito nacional e a realidade cotidiana vivida dentro da reserva.