17 de set. de 2026, 12:00
Ex-presidente da Câmara de São Paulo é alvo de operação contra infiltração do crime organizado
Milton Leite, figura central na política paulistana, teve mandado de prisão expedido na Operação Vectura Corrupta, que apura o envolvimento de facções criminosas em contratos de transporte público.
A política paulistana foi sacudida nesta quinta-feira (17) com a deflagração da Operação Vectura Corrupta, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo. O alvo central é Milton Leite, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal, figura influente no cenário político local por décadas. A investigação aponta para a existência de um esquema de corrupção sistêmica que teria permitido a infiltração de interesses ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no estratégico setor de transporte coletivo da capital paulista.
Segundo as autoridades, o ex-parlamentar atuaria como o "dono de fato" de empresas de ônibus que, sob suspeita, serviriam de fachada ou instrumento para lavagem de dinheiro e cooptação de agentes públicos. A operação busca desmantelar uma rede que utilizaria contratos de concessão de transporte para fortalecer o braço financeiro da facção criminosa, um problema que há anos gera debates intensos sobre a fiscalização dos serviços públicos em grandes metrópoles brasileiras.
O desdobramento da investigação é significativo devido à posição de poder ocupada por Leite até recentemente. O caso traz à tona um temor histórico das autoridades: a fragilidade das licitações de transporte público diante do poder econômico do crime organizado. A movimentação policial reflete um esforço conjunto para mapear como facções, antes restritas ao sistema penitenciário, consolidaram tentáculos em serviços básicos essenciais para o funcionamento das cidades e para o uso de verbas públicas.
Para o cidadão comum, o episódio reforça a necessidade de maior transparência nos contratos municipais e na gestão de mobilidade urbana. Enquanto o mandado de prisão é cumprido, o setor de transportes em São Paulo entra sob escrutínio rigoroso, elevando o nível de preocupação sobre a idoneidade das empresas que operam o sistema de ônibus. O Ministério Público e a Polícia Civil seguem coletando evidências para detalhar a extensão da influência política em esquemas de corrupção que, agora, passam a ter conexão direta com o crime organizado.

