09 de out. de 2026, 00:00
Fenômeno dos votos nulos: a influência da cultura digital nas urnas brasileiras
O registro de milhares de votos anulados com o número '67' levanta debates sobre o impacto de memes e trends das redes sociais no comportamento do eleitorado durante o pleito de 2024.
A recente apuração dos votos no primeiro turno das eleições revelou um dado curioso que ultrapassa a esfera da política convencional. Mais de 3,5 mil eleitores registraram o número 67 na urna eletrônica para o cargo de presidente. Como não existe legenda com essa numeração no Brasil, os votos foram automaticamente anulados. A coincidência numérica despertou suspeitas de que o gesto esteja ligado ao meme 'six seven', uma tendência que ganhou força entre o público jovem em redes como TikTok e Instagram.
O fenômeno, associado ao conceito de 'brainrot' — conteúdo marcado pelo humor absurdo ou sem sentido aparente —, originou-se a partir de um trecho da música do rapper Skrilla. O bordão, acompanhado por movimentos específicos com as mãos, tornou-se uma espécie de piada interna entre adolescentes. Embora a Justiça Eleitoral não tenha como confirmar a motivação exata desses eleitores, a repetição do número aponta para uma possível influência da cultura digital na participação democrática. A prática de inserir códigos inexistentes ou números de piadas não é novidade, mas a escala de engajamento em memes específicos reflete uma mudança na forma como as novas gerações interagem com o sistema de votação.
Este episódio soma-se a um cenário mais amplo de abstenções e anulações técnicas. No total, cerca de 1,7 milhão de votos foram invalidados no primeiro turno para a presidência, com destaque para o número 10, que somou mais de 230 mil registros sem validade. É importante ressaltar que o voto nulo, seja ele fruto de protesto, equívoco ou brincadeira, não possui peso no cálculo final dos resultados oficiais. Para o eleitor, a anulação em um cargo específico não impede o exercício do voto para as demais funções pleiteadas, como deputados ou senadores. O caso serve de alerta para as autoridades sobre como a viralização de conteúdos digitais pode se infiltrar no cotidiano institucional, transformando o exercício do voto em uma plataforma de expressão de nichos da internet.
