14 de out. de 2026, 18:00
Fiscalização sanitária em Barra Velha gera controvérsia após descarte de pescado
Pescador denuncia rigor excessivo de fiscais em Itajuba, que descartaram camarões utilizando água sanitária por falta de documentação e embalagem adequada.
A rotina na praia de Itajuba, em Barra Velha, foi marcada por um episódio de tensão entre trabalhadores locais e órgãos de fiscalização sanitária. O pescador Tiago Nunes relatou o descarte sumário de toda a mercadoria exposta em uma peixaria da região, após a ação dos agentes resultar no despejo de água sanitária sobre o pescado. O argumento apresentado pelas autoridades para a destruição do produto baseou-se na ausência de notas fiscais regulares e na falta de embalagens adequadas para o armazenamento dos crustáceos.
O caso reacende o debate sobre a informalidade que ainda permeia parte da cadeia produtiva da pesca artesanal no litoral catarinense. Embora a fiscalização seja fundamental para garantir a segurança alimentar dos consumidores e impedir a venda de produtos impróprios, o procedimento de inviabilizar o alimento com agentes químicos antes mesmo de uma possível mediação ou notificação é visto com extrema desconfiança pelos comerciantes locais, que se sentem desamparados diante da rigidez normativa.
Historicamente, a economia da pesca em Barra Velha enfrenta desafios para se adequar às exigências rigorosas das vigilâncias sanitárias, muitas vezes desenhadas para grandes indústrias, e não para o comércio de pequena escala que movimenta o turismo e a cultura da cidade. Enquanto o consumidor busca garantias de qualidade ao adquirir frutos do mar, a classe pesqueira reivindica processos mais orientativos em vez de medidas punitivas que culminam no desperdício de toneladas de proteína animal.
Até o momento, a fiscalização sustenta que a medida foi necessária para evitar que o produto, sem procedência confirmada, retornasse à mesa de potenciais compradores. O desabafo do pescador reflete um sentimento de injustiça compartilhado por outros moradores da comunidade pesqueira, que clamam por um diálogo mais próximo entre o setor público e aqueles que sustentam a tradição pesqueira catarinense, garantindo que a segurança sanitária ocorra sem desconsiderar a realidade econômica dos pequenos produtores do litoral norte.

