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    Redação SC Reporter
    Justiça aceita denúncia contra doze envolvidos no acidente aéreo da Voepass em Vinhedo

    21 de out. de 2026, 18:00

    Justiça aceita denúncia contra doze envolvidos no acidente aéreo da Voepass em Vinhedo

    O Poder Judiciário instaurou ação penal contra a cúpula da Voepass e responsáveis pela manutenção técnica após a tragédia aérea de agosto de 2024.

    A tragédia aérea que vitimou 62 pessoas em Vinhedo, no interior de São Paulo, em agosto de 2024, atingiu um desdobramento jurídico decisivo. A Justiça Federal acolheu a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), tornando réus o proprietário da companhia aérea Voepass e outros onze profissionais, incluindo ex-diretores e técnicos encarregados da manutenção da frota. O caso, que comoveu o país e impactou severamente o setor de aviação regional, ganha agora um contorno de responsabilização criminal sobre as falhas operacionais que antecederam a queda.

    Segundo a acusação do MPF, a empresa operava a aeronave mesmo estando ciente de deficiências críticas nos sistemas de degelo, equipamento fundamental para voos sob condições meteorológicas adversas como as registradas no dia do acidente. A denúncia aponta negligência sistemática no gerenciamento de riscos, sugerindo que a busca por manter a malha aérea ativa sobrepôs-se aos protocolos de segurança imprescindíveis para a vida dos passageiros. Para o leitor catarinense, acostumado à dependência das conexões regionais, a decisão judicial levanta um debate urgente sobre a regulação e o controle de segurança das companhias que operam aeronaves de pequeno porte em rotas intermunicipais.

    Historicamente, o acidente da Voepass é um dos mais graves da aviação brasileira nas últimas duas décadas, forçando a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) a intensificar a fiscalização sobre o modelo ATR-72 utilizado pela empresa. Os réus deverão responder pelos desdobramentos técnicos e administrativos que permitiram que a aeronave decolasse em condições consideradas impróprias pelo órgão acusador. O processo judicial deve se arrastar pelos próximos anos, tornando-se uma referência sobre a responsabilidade civil e criminal de executivos no setor de transporte aéreo no Brasil. A sociedade aguarda agora o início da fase de instrução, onde as defesas poderão apresentar seus argumentos para contestar as graves alegações levantadas pelos procuradores federais sobre a conduta da diretoria da companhia.