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    Redação SC Reporter
    Moradia sustentável transforma materiais descartados em arquitetura na Serra Catarinense

    03 de nov. de 2026, 10:00

    Moradia sustentável transforma materiais descartados em arquitetura na Serra Catarinense

    Após migrar dos centros urbanos, argentina radicada em Santa Catarina finaliza projeto de bioconstrução que utiliza vidros automotivos e técnicas ancestrais de terra crua.

    A busca por um estilo de vida alinhado à preservação ambiental tem impulsionado, cada vez mais, projetos de bioconstrução no interior de Santa Catarina. O exemplo mais recente dessa tendência é a residência concluída por uma imigrante argentina de 38 anos, que optou por abandonar a rotina urbana para erguer sua própria moradia utilizando técnicas sustentáveis e materiais reaproveitados.

    O projeto, que demandou um ciclo de dezoito meses de trabalho manual, destaca-se pela inovação no uso de insumos. A estrutura principal foi consolidada com técnicas de construção em barro, um método ancestral que garante equilíbrio térmico — fator indispensável para o rigoroso clima da serra catarinense. Para compor as aberturas da casa, a moradora recorreu a uma solução criativa: doze para-brisas de veículos que seriam descartados foram transformados em janelas. Além de reduzir o impacto ambiental, o uso desses vidros confere uma estética singular à habitação, que também integra madeira de reflorestamento e garrafas de vidro em sua composição arquitetônica.

    A execução da obra enfrentou desafios típicos da região, incluindo uma interrupção estratégica de quatro meses durante o inverno, período em que as condições climáticas locais dificultam o processo de secagem das estruturas de terra. A conclusão da casa simboliza não apenas uma conquista pessoal, mas uma reflexão prática sobre o desperdício contemporâneo e a viabilidade de moradias de baixo impacto.

    Santa Catarina tem se tornado um polo para esse tipo de iniciativa, atraindo indivíduos que buscam reduzir sua pegada de carbono. O caso desta residência ilustra como o reaproveitamento de itens industriais, aliado a conhecimentos tradicionais de engenharia natural, pode resultar em espaços habitáveis funcionais e eficientes. A experiência reforça a crescente valorização da autoconstrução e do consumo consciente como pilares para quem deseja estabelecer novas raízes no estado, unindo inovação técnica e respeito aos ciclos da natureza.