12 de out. de 2026, 09:00
Patrimônio ucraniano em Itaiópolis mantém viva a identidade dos imigrantes no Planalto Norte
Um casarão de madeira construído na década de 1940 em Itaiópolis resiste ao tempo como um símbolo da cultura e da fé ucraniana em Santa Catarina.
O Planalto Norte catarinense abriga uma parcela significativa da história da imigração ucraniana no Brasil, manifestada de forma singular em um casarão de madeira localizado no interior de Itaiópolis. Construída na década de 1940, a residência transcende a função habitacional e funciona como um repositório arquitetônico e espiritual de uma comunidade que, há oito décadas, mantém vivas as tradições de seus antepassados.
A preservação da estrutura não é apenas um feito técnico, mas um reflexo da forte identidade cultural que define a região. A arquitetura, caracterizada pela madeira talhada, remete às construções típicas do Leste Europeu e serve como ponto de interesse para pesquisadores e visitantes que buscam entender o legado deixado pelos primeiros imigrantes. Ao longo das décadas, o local tornou-se um marco da devoção religiosa e dos costumes importados pelos colonizadores, que adaptaram suas técnicas de construção à realidade geográfica de Santa Catarina.
Para o leitor catarinense, a existência deste casarão oferece uma visão sobre o mosaico étnico que compõe o Estado. Mais do que um ponto turístico, o imóvel é um testemunho vivo de um período em que a preservação da língua, da fé e do estilo de vida era uma forma de resistência cultural frente à nova realidade. Itaiópolis, que possui uma das maiores concentrações de descendentes de ucranianos no país, continua a ser uma referência na valorização desse acervo histórico.
Atualmente, a edificação atrai um fluxo constante de interessados em turismo cultural. O desafio, que é compartilhado por outras construções históricas no interior do estado, reside em assegurar que a manutenção do patrimônio continue sendo prioridade. A longevidade deste casarão não atesta apenas a qualidade da madeira e da mão de obra da época, mas a importância de manter acessível a memória daqueles que ajudaram a edificar a identidade multifacetada de Santa Catarina.

