13 de set. de 2026, 21:00
Possível El Niño intenso exige atenção ao calor e às chuvas em Santa Catarina
Projeção divulgada pelo ND Mais aponta risco de ondas de calor no Brasil até dezembro de 2026. Em Santa Catarina, efeitos do fenômeno dependem de outros fatores, mas o histórico recomenda atenção também ao excesso de chuva.
Para Santa Catarina, a possibilidade de um El Niño intenso traz uma preocupação que vai além das temperaturas elevadas: a combinação de calor e mudanças no regime de chuvas pode afetar a saúde, a agricultura e a rotina das cidades. No Sul do Brasil, o fenômeno costuma favorecer períodos mais chuvosos, uma resposta diferente daquela que pode ocorrer em áreas do Norte e do Nordeste.
Uma projeção divulgada pelo ND Mais aponta a possibilidade de pelo menos seis ondas de calor no país até dezembro de 2026, em um cenário descrito como “Super El Niño”. A publicação também menciona risco de agravamento da seca no Norte e no Nordeste e de incêndios florestais em parte do território brasileiro.
O material disponível, porém, não identifica a instituição responsável pela estimativa, os modelos utilizados ou a distribuição regional desses episódios. Assim, o número citado não permite concluir quantas ondas de calor atingiriam Santa Catarina, nem em quais meses elas ocorreriam. Também não equivale à confirmação de temperaturas extremas em todos os estados.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial e altera a circulação da atmosfera, com repercussões em diferentes regiões do planeta. A expressão “Super El Niño” é usada para descrever episódios de grande intensidade, mas não significa que seus efeitos serão uniformes ou igualmente severos em todos os lugares.
Em Santa Catarina, a relação histórica com maior volume de chuva merece atenção, sobretudo em áreas sujeitas a enchentes, alagamentos e deslizamentos. A ocupação de vales e encostas torna parte dos municípios vulnerável a precipitações persistentes. Ainda assim, nenhum episódio de chuva intensa pode ser previsto apenas pela presença do fenômeno: condições do Atlântico, frentes frias e outros sistemas meteorológicos também influenciam o tempo no estado.
Na agricultura, tanto o calor excessivo quanto a chuva em períodos inadequados podem prejudicar o desenvolvimento das lavouras e dificultar operações de campo. Já o risco de incêndios depende de uma combinação de fatores, como vegetação seca, baixa umidade, vento e fontes de ignição. Por isso, um alerta nacional não deve ser automaticamente aplicado a todo o território catarinense.
Para a população, a consequência prática é acompanhar a evolução das previsões, sem tratar um cenário climático de longo prazo como um calendário fechado de eventos extremos. Os boletins da Epagri/Ciram, do Instituto Nacional de Meteorologia e da Defesa Civil de Santa Catarina são referências para orientar decisões locais e verificar alertas de curto prazo.

