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    Redação SC Reporter
    Relato de mãe em Jaraguá do Sul expõe debate sobre ruído e respeito ao autismo

    14 de set. de 2026, 01:30

    Relato de mãe em Jaraguá do Sul expõe debate sobre ruído e respeito ao autismo

    Após ter seu relato questionado, moradora apresentou vídeo com o filho e documento médico ao Jornal Razão. Caso envolve acionamento da PM por som alto e repercussão política.

    O impacto do som alto sobre pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ganhou espaço no debate público em Jaraguá do Sul após uma reclamação de uma moradora à Polícia Militar. Além da discussão sobre o barulho, o episódio passou a envolver a exposição de informações de saúde de uma criança para sustentar o relato da família.

    Segundo o Jornal Razão, a mulher encaminhou ao veículo um vídeo em que aparece com o filho e um laudo médico depois de ter sua condição de mãe questionada. O jornal informa que o documento, assinado por pediatra com registro no Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC), confirma o diagnóstico de TEA.

    A apresentação desses materiais precisa ser compreendida dentro de seus limites. Um laudo pode documentar uma condição de saúde, mas não comprova, por si só, as circunstâncias de uma ocorrência relacionada a som alto. O material disponível para esta reportagem não informa o horário, a duração ou a origem do ruído, nem detalha o atendimento realizado pela PM.

    A repercussão também chegou ao campo político. O Jornal Razão atribui a Décio Lima (PT) e à página de um estrategista de sua campanha questionamentos sobre a história da moradora. Entretanto, a apuração fornecida não inclui a íntegra das publicações nem esclarece o conteúdo individual de cada manifestação. Também não há, nesse material, uma resposta dos citados à apresentação do vídeo e do laudo.

    No município do Norte catarinense, assim como em outras cidades, reclamações de barulho envolvem a convivência entre residências, atividades comerciais, lazer e eventos. Para pessoas com sensibilidade sensorial, esses conflitos podem ter consequências que vão além do incômodo habitual.

    Alterações na maneira de perceber e reagir a estímulos sonoros podem fazer parte do TEA. Isso não significa que todas as pessoas autistas tenham a mesma reação ao ruído: as características e necessidades de apoio variam individualmente. Por essa razão, não é possível deduzir, apenas pelo diagnóstico, como a criança reagiu ao episódio relatado.

    No Brasil, a Lei Berenice Piana, de 2012, reconhece a pessoa com TEA como pessoa com deficiência para todos os efeitos legais. Esse marco ajuda a situar a discussão no campo dos direitos e da inclusão, sem dispensar a verificação dos fatos específicos.

    O caso também exige cuidado com a privacidade. Informações médicas de crianças não devem se transformar em requisito de exposição pública para que uma reclamação seja ouvida. A análise do episódio deve distinguir o diagnóstico informado, as circunstâncias do barulho e as manifestações políticas, sem tratar um desses elementos como prova automática dos demais.