15 de out. de 2026, 03:00
Setor da construção civil catarinense alerta para impacto econômico de eventual mudança na jornada de trabalho
O fim da escala 6x1 pode elevar custos operacionais e dificultar o acesso à moradia em Santa Catarina, segundo entidades do setor.
O setor da construção civil em Santa Catarina, um dos motores mais resilientes da economia estadual, manifesta preocupação com as possíveis repercussões da extinção da escala de trabalho 6x1. Especialistas do segmento projetam que a implementação de uma jornada reduzida, sem o devido ajuste na produtividade, elevaria significativamente os custos dos insumos e da mão de obra, pressionando o valor final dos imóveis e afastando o cidadão comum do sonho da casa própria.
Dados de entidades do setor indicam que a transição para um novo regime exigiria a contratação imediata de cerca de 288 mil novos trabalhadores em todo o país para manter o ritmo atual das obras e evitar cronogramas atrasados. Para Santa Catarina, estado que historicamente enfrenta desafios com a escassez de mão de obra qualificada e o encarecimento dos terrenos em regiões metropolitanas como Florianópolis e Balneário Camboriú, o cenário é de alerta redobrado. A necessidade de expandir equipes de forma súbita esbarra em limitações orçamentárias e na capacidade de absorção de novos profissionais.
A construção civil é um setor de base intensiva em mão de obra, onde a continuidade das atividades é essencial para a viabilidade financeira dos empreendimentos. O aumento compulsório no quadro de funcionários, somado aos encargos trabalhistas, deve ser repassado ao consumidor final, agravando um problema crônico de acessibilidade habitacional. Enquanto a discussão avança nas esferas legislativas, o setor catarinense, que já lida com a alta dos materiais, teme que o desequilíbrio entre a carga horária e a capacidade produtiva comprometa o desenvolvimento urbano e a retomada econômica regional.
O impacto, portanto, transcende o canteiro de obras. A provável inflação no preço das unidades residenciais coloca em xeque a dinâmica de vendas e o planejamento de médio prazo das construtoras, que agora buscam alternativas para conciliar a proteção dos direitos laborais com a sustentabilidade econômica necessária para manter as engrenagens da infraestrutura estadual em pleno funcionamento.

