24 de set. de 2026, 15:00
TJSC reverte decisão que impedia advogado autista de assumir cargo na magistratura
Após uma mudança de entendimento judicial, o advogado Márcio Almeida teve sua aptidão para o concurso de juiz reconhecida, superando um impedimento anterior ligado ao seu diagnóstico de TEA.
O acesso de pessoas com deficiência aos quadros do Poder Judiciário catarinense ganhou um novo capítulo de reflexão nesta semana. O advogado Márcio Almeida, de 30 anos, teve garantida a possibilidade de prosseguir no concurso para o cargo de juiz substituto, após uma decisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) que reverteu um entendimento anterior. O magistrado, inicialmente considerado inapto por uma junta médica devido ao seu diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), obteve a suspensão dos efeitos desse laudo, permitindo a continuidade de sua trajetória profissional na carreira jurídica.
A reviravolta ocorreu nesta quarta-feira (23), poucos dias após a exclusão do candidato ter gerado questionamentos sobre os critérios de avaliação em certames públicos. A decisão judicial recente reconhece, na prática, a necessidade de uma análise individualizada e menos restritiva quanto às capacidades de candidatos neurodivergentes em posições de alta responsabilidade. O caso traz à tona um debate crescente no cenário jurídico brasileiro sobre como as instituições estaduais devem aplicar as normas de inclusão sem criar barreiras desproporcionais baseadas apenas no espectro autista.
Historicamente, os concursos públicos para a magistratura no Brasil mantêm critérios de higidez física e mental extremamente rígidos, que muitas vezes não dialogam com os avanços da legislação voltada à inclusão e direitos das pessoas com deficiência. Para a comunidade jurídica catarinense, a situação de Almeida serve como um precedente relevante, reforçando que a avaliação de um futuro juiz deve estar centrada na sua capacidade técnica e de discernimento, e não apenas em rótulos clínicos genéricos. Embora o processo ainda siga os trâmites do certame, a medida representa um alívio para o advogado, natural de Campo Grande, e um sinal de mudança de postura do Tribunal frente às exigências modernas de diversidade. A expectativa agora é que a conclusão dessa etapa ocorra sem novos obstáculos administrativos que impeçam a ocupação da vaga pelo candidato.

