(FOLHAPRESS) – A Bolsa brasileira registra forte queda nesta segunda-feira (26), após o presidente Lula (PT) vencer o segundo turno das eleições presidenciais contra o senador Flávio Bolsonaro, frustrando as apostas de parte do mercado na vitória do candidato do PL.
O petista conquistou 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador. O resultado provocou uma forte reação negativa dos investidores, com quedas expressivas na maior parte das ações que compõem o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira.
Entre as maiores perdas estão as ações de empresas mais sensíveis aos juros, como as do varejo. Por volta das 13h30, o Magazine Luiza despencava 56,81%, enquanto a C&A recuava 48,91%. Também registravam fortes quedas as ações do Assaí (39,98%), Renner (35,18%) e Azzas (35,14%).
No setor de saúde, que também é afetado pelos juros elevados devido ao encarecimento dos custos de financiamento, a Hapvida registrava queda de 45,18%, enquanto a Rede D’Or recuava 20,74% e o Fleury, 18,72%.
A Cosan, que tem elevado endividamento, registrava queda de 48,26%.
A desvalorização dessas empresas está relacionada ao receio dos investidores de que a continuidade de uma política de gastos elevados no governo Lula dificulte o controle da dívida pública e a redução dos juros. Taxas mais altas encarecem o crédito, prejudicam o consumo e aumentam os custos de financiamento das companhias, pressionando seus resultados.
Os bancos também registravam perdas expressivas. Por volta das 13h, as ações do BTG Pactual caíam 30,30%, enquanto as do Banco do Brasil recuavam 27,18%. O Bradesco registrava queda de 23,31%, e o Itaú, de cerca de 13%.
Entre as poucas ações em alta do índice estavam as de empresas exportadoras, que recebem boa parte de suas receitas em dólar e podem se beneficiar da valorização da moeda americana, que está em disparada. Isso porque, com o dólar mais caro, os valores recebidos no exterior aumentam quando convertidos em reais.
A maior alta era da Suzano, cujas ações avançavam 8,49% por volta das 13h. Já a Vale, uma das empresas de maior peso no Ibovespa, subia 5,34%. Também registravam ganhos as ações da Embraer, WEG, Bradespar e Klabin.
Diante da forte pressão vendedora, a B3 acionou o mecanismo de circuit breaker antes mesmo da abertura do mercado à vista. O sistema interrompe temporariamente as negociações em momentos de quedas acentuadas, com o objetivo de conter a volatilidade.
Pelas regras gerais da B3, a primeira suspensão ocorre quando o Ibovespa cai 10% em relação ao fechamento do pregão anterior e dura 30 minutos. Se, após a reabertura, a queda atingir 15%, as negociações são interrompidas novamente, desta vez por uma hora.
Nesta segunda, no entanto, a Bolsa adotou um procedimento específico após uma análise dos preços indicativos das ações apontar que o Ibovespa poderia registrar queda superior a 20%. Segundo a instituição, a medida teve como objetivo proteger os investidores e preservar a integridade do mercado.
“Um novo circuit breaker será acionado caso ocorra uma nova oscilação de baixa de 20% em relação ao preço de fechamento do dia anterior. A duração da paralisação será de 15 minutos, com reabertura em leilão de 5 minutos”, afirmou a B3, em nota.
