Se tem um político do que vale o que digo agora, esquece o que digo logo depois, esse é o senador Flávio Bolsonaro (PL), ex-candidato à presidência da República derrotado e agora fugitivo. Negou relações com Daniel Vorcaro, foi pego na mentira minutos depois, disse que respeitaria o resultado da eleição, depois contestou o resultado, em seguida disse que ia tentar cassar a chapa vitoriosa por conta de abuso econômico, afirmou que não sairia do Brasil, depois, nos EUA, que era o presidente eleito do Brasil, primeiro numa carta com um brasão onde Brasil aparecia escrito com Z.
Em todas, fez diferente logo em seguida. Lembra mais um político atrapalhado — e enrolado — do que um homem que foi candidato a presidente, que obteve mais de 60 milhões de votos. Depois da derrota eleitoral, por mais de 4,3 milhões de votos, as últimas posturas dele e tentativas de emplacar narrativas não são seguidas pelos aliados, mesmo os mais fiéis.
A começar pelo presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele disse que a eleição transcorreu dentro da “normalidade” e pediu respeito ao resultado. “Ressalto o compromisso de toda a Justiça Eleitoral com a vontade soberana do eleitorado, que foi às urnas e legitimamente escolheu seus representantes.”
O governador reeleito de Santa Catarina, Jorginho Mello, presidente estadual do PL. “Eu continuarei cumprindo a missão da qual nunca abrirei mão, defendendo os interesses de Santa Catarina, com firmeza e responsabilidade, respeitando as instituições e o resultado final das urnas.”
Outro governador reeleito, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu virar a página. “A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, afirmou.
O presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, também reconheceu o resultado da eleição, assim como o senador Rogério Marinho (PL), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro. “Nem eu, nem o PL, podemos dizer que houve fraude na eleição”, disse Marinho.
Todos os aliados cobram explicações sobre fatos relacionados à campanha, em especial à prorrogação de duas horas da votação, decidida em cima da hora. É justa a cobrança, como outras tantas.
Mas a grande diferença deles para o candidato derrotado é o fato de todos serem democratas, sabendo que a eleição no Brasil é um modelo para o mundo. Vitórias e derrotas fazem parte. Tentar, pela segunda vez seguida, numa eleição presidencial, contestar um resultado em que os aliados foram majoritariamente eleitos, é golpismo.
