O artista plástico Juarez Machado morreu na tarde desta terça-feira (6/10/26), aos 85 anos, no interior do Rio de Janeiro. A informação foi divulgada pelo Instituto Internacional Juarez Machado (IIJM), criado em Joinville para preservar e difundir sua obra. Detalhes sobre a despedida e as homenagens ainda serão informados pela instituição.

Nascido em Joinville em 16 de março de 1941, Juarez Machado construiu uma carreira que ultrapassou as fronteiras das artes plásticas. Foi pintor, desenhista, escultor, ilustrador, cartunista, cenógrafo, escritor, ator e mímico. Ao longo de décadas, seu trabalho circulou pelo Brasil e por vários países.

A ligação com a arte começou cedo. Ainda jovem, trabalhou produzindo rótulos, embalagens e materiais gráficos. Depois deixou Santa Catarina para estudar Belas Artes em Curitiba, onde participou de salões e realizou suas primeiras exposições. Na década de 1960, mudou-se para o Rio de Janeiro e passou a fazer parte de um ambiente cultural que reunia alguns dos principais nomes da época.

Foi também no Rio que o público passou a conhecer outras facetas de Juarez. Trabalhou como chargista e cartunista em jornais e revistas, criou capas de discos e livros, cenários, figurinos e projetos para televisão. Durante mais de 20 anos esteve ligado à Rede Globo e, nos anos 1970, ganhou projeção nacional no Fantástico, onde aparecia como mímico interagindo com os próprios desenhos.

Sua produção, porém, nunca ficou presa a uma linguagem só. Pintura, gravura, escultura, desenho e humor se misturavam em cenas marcadas por personagens, gestos, encontros, bares e situações do cotidiano. A irreverência virou uma das características mais reconhecidas do trabalho do artista.

A carreira também ganhou forte dimensão internacional. Juarez estabeleceu seu principal ateliê em Montmartre, em Paris, e passou a dividir a trajetória entre França e Brasil. Suas obras participaram de exposições em diferentes países da Europa e nos Estados Unidos, enquanto o artista mantinha ateliês também em Joinville e no Rio de Janeiro.

Mesmo depois de ganhar o mundo, Joinville continuou presente na história de Juarez Machado. Em 2014, a antiga casa de sua família passou a abrigar o Instituto Internacional Juarez Machado, espaço dedicado às artes, à educação e à preservação de sua trajetória. O projeto era uma maneira de devolver à cidade parte da experiência acumulada ao longo da carreira.

O reconhecimento também veio oficialmente. Em 2015, ele recebeu a Medalha do Mérito Princesa Dona Francisca, principal honraria concedida pelo município. Após a confirmação da morte, a Prefeitura de Joinville decretou três dias de luto oficial.

Em nota, o Instituto Internacional Juarez Machado destacou a sensibilidade, o humor e o olhar do artista sobre o cotidiano, além de sua capacidade de alcançar diferentes gerações. A instituição afirmou ainda que se une a familiares, amigos, admiradores e à comunidade cultural neste momento de despedida.

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