Elas não são poucas. E, antes que quem leia torça o nariz, informe-se. Elas estão disponíveis, pelo menos em todos os veículos de comunicação que têm compromisso com o bom jornalismo.
Vamos lá. A Polícia Federal tem dois inquéritos abertos para investigar o senador, que termina o mandato em janeiro.
A mais escancarada é a relação de Flávio com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o maior fraudador do sistema financeiro do país. Pediu R$ 134 milhões, levou R$ 61 milhões e só não pegou mais dinheiro porque o banqueiro foi preso. Pela Polícia Federal.
As poucas explicações são risíveis. Já as evidências…O alto custo, fora de padrão das maiores obras cinematográficas atuais; uma produtora desconhecida com braços excusos em outros contratos públicos; a contabilidade, por meio de um fundo de investimentos em nome de um advogado amigo da família Bolsonaro. São três, de tantas, sem justificativas.
O filme Dark Horse, em homenagem ao Bolsonaro pai, é uma coisa muito mal explicada. E, com todo respeito, não me venham com “dinheiro privado”. Flávio e a família nunca trabalharam no privado. São políticos profissionais, com mandatos e espaços públicos há pelo menos 20 anos, conciliando a atividade pública com interesses familiares privados.
Não é opinião, é a verdade.
O Dark Horse não entrou com a força devida na campanha de Lula (PT) contra Flávio, porque surgiu um novo escândalo, também investigado pela PF. O que investiga a ligação do senador com apostas e operações financeiras escabrosas. Uma relação pessoal com um advogado com atuações financeiras bastante questionadas, dono de Bet, considerado o “maior apostador do Brasil”.
O ex-presidenciável chegou a ser credenciado como “usuário master” de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, de propriedade do amigo advogado. Estava na quebra de sigilo telemático do advogado Willer Tomaz.
Qual a relação?
São as mais recentes. Mas, mas as denúncias envolvendo Flávio e a família Bolsonaro vem de longa data.
A família é o retrato acabado da classe política mais corrupta do país, a carioca. Um estado maravilhoso, com um povo alegre e receptivo, multicultural, espremido entre o tráfico de drogas, a milícia e o braço político. Não é à toa que, nos últimos 30 anos, os governadores eleitos foram cassados ou presos. Curiosamente, a última governadora que terminou seu mandato foi Benedita da Silva, do PT.
O filme Tropa de Elite é uma ficção das mais fiel desta relação promíscua entre política e crime. E mais que no Dark Horse, a família Bolsonaro seria protagonista do filme brasileiro que levou multidões ao cinema e é assistido até hoje, pois a realidade segue atemporal.
Flávio, quando deputado, ficou conhecido por empregar e homenagear policiais que viraram milicianos e matadores de aluguel. Por estar denunciado em esquemas de rachadinha. De comprar uma casa de R$ 6 milhões, pagando em dinheiro.
Não é achismo, é jornalismo.
Ah, mas o Lula é ladrão! E o “Petê”?
Este é um post sobre o que o Brasil escapou. Um candidato com evidentes relações com pessoas condenadas ou acusadas de crimes. A eleição dele seria seu habeas corpus, um passaporte para ficar livre diante de tantas investigações em curso.
Restou o papel de fugitivo.
