Entre a maresia que acaricia a orla e os edifícios que disputam alturas com as nuvens, Balneário Camboriú também precisa de construções que não se medem em andares: aquelas erguidas com palavras, memória, imaginação e pensamento.

No dia 30 de outubro, às 19h30min, no Marambaia Hotel & Convenções, nove novos imortais tomarão posse na Academia de Letras de Balneário Camboriú (ALBC), instituição presidida por Eudes Moraes, tendo como vice-presidente Miriam de Almeida. Será uma celebração da literatura e do compromisso de manter viva a palavra escrita em uma cidade que cresce, se transforma e também precisa reconhecer a riqueza de sua vida cultural.

A história da Academia começou a ser tecida em 5 de novembro de 1999, na residência da escritora Ana Branca Maia Cardoso. A fundação oficial ocorreu em 11 de julho de 2002, com a posse de vinte membros fundadores. Desde então, a instituição mantém o compromisso de reunir escritores e intelectuais, estimular a criação literária e preservar a memória cultural.

Mas o que é, afinal, uma Academia de Letras? Mais do que uma reunião de escritores, é um espaço de convivência intelectual, valorização da língua portuguesa, intercâmbio de ideias e reconhecimento da produção literária. Seus integrantes, chamados acadêmicos e acadêmicas, imortais, confrades e confreiras, assumem a responsabilidade de manter viva a palavra. A imortalidade, nesse contexto, não pertence ao corpo: é a possibilidade de continuar presente naquilo que se escreve, publica, compartilha e deixa como legado.

Com 32 membros, a ALBC amplia as oportunidades de encontro entre autores e leitores, favorece a circulação de livros e contribui para que histórias locais encontrem leitores dentro e fora da cidade. A escrita, a edição de obras, os lançamentos, as sessões de autógrafos e os festivais literários são mais do que acontecimentos na agenda cultural: criam vínculos, despertam vocações, movimentam a economia criativa e aproximam gerações.

Em uma cidade marcada pelo turismo, pela diversidade de seus habitantes e pela transformação acelerada da paisagem, essa presença adquire especial significado. Balneário Camboriú precisa ser reconhecida não somente pelo que exibe, mas também pelo que pensa, cria, recorda e compartilha. Entre visitantes que chegam e moradores que constroem suas vidas, a literatura oferece oportunidades para reconhecer identidades, acolher diferenças e descobrir histórias que os cartões-postais não revelam.

Essa riqueza não nasce isoladamente. A música, o teatro, as artes plásticas, a literatura e outras expressões artísticas compõem um patrimônio vivo que merece incentivo permanente. Nesse cenário, a Fundação Cultural de Balneário Camboriú desempenha papel importante na promoção de artistas, projetos, eventos e iniciativas que ampliam o acesso à cultura. A Academia, por sua vez, integra esse ambiente como espaço de criação, reflexão e preservação da palavra.

Uma cidade culturalmente viva não é aquela que apenas oferece espetáculos, mas a que cria condições para que seus habitantes também sejam protagonistas da cultura. Que crianças descubram livros, jovens encontrem na escrita uma possibilidade de expressão, escritores publiquem suas obras e leitores tenham a oportunidade de conversar com quem as escreveu.

No dia 30, nove novos acadêmicos passarão a integrar essa história. A cerimônia celebrará seus percursos, mas será também um convite à cidade: aproximar-se dos livros, frequentar os encontros literários, prestigiar os autores e reconhecer na cultura uma necessidade coletiva.

As torres podem desenhar o horizonte de Balneário Camboriú. A literatura, entretanto, ajuda a desenhar o que existe por dentro de uma cidade. Porque edifícios abrigam corpos; palavras, quando encontram leitores, podem abrigar mundos inteiros.

Obs.: Mauro Gaglietti, colunista do Jornal Página 3, tomará posse da Cadeira nº 11 da Academia de Letras de Balneário Camboriú, cujo patrono é o poeta simbolista Alphonsus de Guimaraens. Os nomes dos demais imortais que passarão a integrar a Academia serão revelados amanhã, nesta Coluna.