Casos de propriedades utilizadas como abrigo e para consumo de drogas têm gerado reclamações na cidade. Ao Página 3, secretário de Obras Aldemar Pereira (Bola) fala sobre fiscalização, segurança e importância da manutenção dos imóveis
Terrenos sem manutenção, imóveis abandonados e estruturas que acabam sendo utilizadas como abrigo por pessoas em situação de rua ou para o consumo de drogas têm gerado reclamações de moradores de Balneário Camboriú.
Além das preocupações com a segurança, o acúmulo de lixo, entulho e vegetação também representa riscos à saúde pública. Entre janeiro e outubro deste ano, 272 terrenos foram atendidos em ações de limpeza e roçagem no município, conforme levantamento da Secretaria de Obras.
Um dos casos mais recentes ocorreu na Rua 2070, no Centro, onde um imóvel foi alvo de denúncias de moradores e de um pedido de providências do vereador Naifer Neri (Novo). Conforme noticiado pelo Página 3 nesta semana, o parlamentar apresentou a Indicação nº 3469/2026 após receber relatos de que pessoas em situação de rua estariam utilizando o espaço como abrigo e para consumir drogas. Na quarta-feira (14), menos de 24 horas após a fiscalização realizada pelo vereador, equipes do Departamento de Controle de Ocupação e Invasões (DCOI) e da Secretaria de Obras estiveram no local para realizar a limpeza (relembre aqui).
No mesmo dia, outra ação ocorreu na Rua Bahia, onde uma estrutura também estaria sendo utilizada como moradia por pessoas em situação de rua. Durante os trabalhos, foram encontrados resíduos acumulados, roupas, materiais descartados e até dejetos humanos.
Os episódios levantam uma questão que vai além dessas duas ocorrências: como o município fiscaliza terrenos e imóveis particulares sem manutenção e o que pode ser feito para evitar que esses espaços se tornem pontos de descarte irregular, ocupação ou atividades ilícitas?
Para entender a situação, o Página 3 procurou a Secretaria de Obras e conversou com o secretário Aldemar ‘Bola’ Pereira, que detalhou as ações realizadas ao longo do ano e destacou a importância da participação dos proprietários na conservação dos imóveis.
Mais de 270 terrenos atendidos em dez meses
De acordo com o relatório encaminhado ao Página 3, entre janeiro e outubro de 2026, foram registrados 272 terrenos atendidos em Balneário Camboriú. Desse total, 234 passaram por serviços de limpeza realizados pelos próprios proprietários e outros 38 receberam serviços de roçagem.
O levantamento também mostra que a Prefeitura realizou 361 contatos com responsáveis por imóveis para solicitar a regularização das condições dos terrenos. Foram 253 ligações telefônicas e 108 notificações enviadas pelos Correios, com aviso de recebimento.
Entre março e outubro, a fiscalização também emitiu 89 autos de constatação e 22 autos de infração relacionados a irregularidades na manutenção dessas propriedades.
As ações envolvem a retirada de vegetação excessiva, lixo, entulho e outros materiais acumulados, buscando reduzir riscos à saúde e problemas de segurança.
Os números, porém, não representam necessariamente a quantidade total de terrenos ou imóveis abandonados existentes na cidade, mas os atendimentos registrados pelas equipes municipais no período.
Secretário alerta para riscos à segurança e à saúde

Em entrevista ao Página 3, o secretário Bola afirmou que a conservação de terrenos e propriedades particulares precisa ser encarada também como uma questão de segurança pública.
Segundo ele, espaços abandonados ou sem manutenção podem favorecer situações de risco, especialmente quando passam a ser utilizados para atividades ilícitas.
“Todos sabemos que o zelo pelo bem público e pela propriedade privada de Balneário Camboriú faz bem para a segurança, o saneamento e o bem-estar. Precisamos ter uma cidade limpa, bonita e segura. Não podemos deixar que esses locais se tornem oportunidades para pessoas se esconderem ou cometerem crimes contra o patrimônio ou contra a vida”, afirmou.
Bola também destacou que a fiscalização precisa ser constante, principalmente diante da proximidade da temporada de verão, quando Balneário Camboriú recebe um aumento significativo no fluxo de visitantes.
Na avaliação do secretário, a movimentação turística e econômica da cidade também exige atenção redobrada das equipes municipais para evitar que propriedades sem manutenção sejam utilizadas de maneira irregular.
Ele citou situações envolvendo furtos e consumo de drogas nesses espaços, ressaltando a necessidade de ações preventivas e da colaboração dos proprietários.
O secretário também chamou a atenção para os problemas sanitários que podem surgir quando terrenos permanecem sem os cuidados necessários.
“Procuramos conscientizar os moradores para que mantenham suas propriedades limpas, evitando até mesmo pragas urbanas, como caramujos e escorpiões, que podem aparecer pela falta de zelo. Nosso trabalho é zelar por Balneário Camboriú”, destacou.
Responsabilidade dos proprietários

Embora o município realize fiscalizações e intervenções, a manutenção de terrenos particulares é uma responsabilidade de seus proprietários.
Segundo o relatório da Secretaria de Obras, o procedimento adotado envolve inicialmente o contato com os responsáveis, seja por telefone ou por notificação formal, para que providenciem a limpeza.
Quando as irregularidades persistem, a fiscalização pode emitir autos de constatação e de infração, conforme os procedimentos administrativos aplicáveis.
O caso da Rua 2070 também trouxe à discussão a situação de imóveis e estruturas abandonadas que podem exigir medidas além da limpeza, como intervenções para impedir novas ocupações ou até processos de demolição.

