A crise da bananicultura em Santa Catarina exige atenção para além das propriedades rurais. Quando o preço recebido pela fruta compromete a capacidade de manter a produção, o problema alcança o comércio, os empregos e a economia dos municípios. Em Corupá, onde a atividade integra a identidade local, esse alerta precisa se transformar em ação.

Os valores entre R$ 0,60 e R$ 0,90 por quilo, relatados pelos produtores, expõem uma conta apertada diante das despesas com mão de obra, insumos, transporte e manutenção das plantações. Enquanto isso, nos mercados, o consumidor paga entre R$ 5 e R$ 7 pelo quilo da fruta. Essa diferença reforça a necessidade de transparência na formação dos preços e de diálogo para buscar equilíbrio na cadeia de comercialização. O agricultor assume os riscos da lavoura, enfrenta as incertezas do clima e depende de um mercado sobre o qual tem pouca influência. Sem margem, perde também a capacidade de investir e planejar.

Não há solução simples para um desequilíbrio que envolve custos elevados e concentração da oferta. Tampouco é razoável esperar que cada família encontre, isoladamente, uma saída. A iniciativa de reunir produtores, poder público e quem vende a fruta ao consumidor merece apoio, desde que resulte em compromissos concretos e acompanhamento dos resultados.

O diálogo com o varejo deve buscar maior transparência na formação dos preços e condições de negociação que preservem a viabilidade de todos os elos. É necessário conhecer custos, perdas, despesas logísticas e margens, sem atribuir responsabilidades antes de examinar os dados. Uma cadeia sustentável depende de equilíbrio e informação.

Ao poder público cabe avaliar medidas dentro de suas competências, fortalecer a assistência técnica e apoiar alternativas de comercialização. Compras institucionais, organização coletiva e aproveitamento da fruta podem integrar essa discussão, com critérios e planejamento. Medidas emergenciais devem vir acompanhadas de estratégias duradouras.

O preço baixo na origem pode parecer distante para quem compra a banana na prateleira. Mas a continuidade da produção depende de quem cuida da terra. Garantir condições para esse trabalho é preservar renda, abastecimento e desenvolvimento regional.

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