A revendedora de automóveis de luxo Bóca Mafra, com lojas em Brusque e Balneário Camboriú, recorreu à justiça para tentar suspender por 60 dias as cobranças e apreensões de bens por parte de credores de uma dívida que, segundo a empresa, atinge R$ 156 milhões.
A intenção mais imediata da empresa é evitar que veículos no valor de R$ 25 milhões, dados em garantia em empréstimo, sejam apreendidos pelo credor.
A empresa busca entendimento com credores através de uma Câmara de Mediação e Arbitragem, mas também pediu a proteção judicial, cuja decisão dependerá de documentos a serem apresentados em até duas semanas.
As alegações para o pedido de proteção judicial são semelhantes às que outras empresas têm apresentado: endividamento com origem na pandemia, escalada de juros a partir daquela data, queda nas vendas e aumento na inadimplência.
Embora públicos, normalmente os pedidos de recuperação judicial são tratados em silêncio, mas no caso da Bóca Mafra alguém vazou e esse alguém, possivelmente, pretendia mandar um recado aos credores, pois os textos chegaram à imprensa com riqueza de detalhes.
Uma recuperação judicial pode demorar até 5 anos e isso costuma, dependendo do caso, motivar credores a fazerem acordos com devedores.
Ao Página 3 a direção da Bóca Mafra comentou que o eventual pedido de recuperação dependerá do resultado da mediação. “Nossa prioridade é alcançar um acordo, mas medidas judiciais poderão ser necessárias se as negociações não avançarem; todas divergências comerciais estão sendo discutidas na Justiça, onde a empresa apresentará sua posição, respeitando as partes e as decisões judiciais. Acreditamos que o caminho adotado permitirá buscar uma solução justa e célere para este momento difícil”.
