(FOLHAPRESS) – O Brasil tem 63,9 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que pararam de estudar sem ter concluído a educação básica, o equivalente a 37,3% da população nessa faixa etária.
Desse contingente, 44,7 milhões não concluíram o ensino fundamental e 19,3 milhões não terminaram o ensino médio.
A EJA (Educação de Jovens e Adultos), principal modalidade destinada a quem não terminou os estudos na idade esperada, atende 1,5% desse público potencial, aponta levantamento da Rede EJA e Inclusão Produtiva.
Pessoas pretas e pardas representam 63,9% do grupo e correspondem a 76,8% dos matriculados na modalidade – no geral da população, esses dois segmentos são 55,5% dos brasileiros, segundo o Censo de 2022.
O relatório “População de 15+ fora da escola, demanda potencial por EJA e transições para o trabalho: diagnóstico e evidências para políticas públicas” foi elaborado pelas fundações Roberto Marinho, Bradesco, Itaú e Arymax, com cooperação da Unesco e parceria técnica do Iesp-Uerj (Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro).
O diagnóstico reúne dados da Pnad Contínua de 2025, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), do Censo Escolar de 2024 e do Censo Demográfico de 2022.
O contingente sem educação básica completa diminuiu 16% de 2012 a 2025.
Segundo o levantamento, a maior parte dessa redução (51%) se explica pela morte de pessoas mais velhas que não tiveram acesso à escola no passado.
O restante da redução é de quem consegiu concluir seus estudos em alguma modalidade, seja por meio do ensino regular (23%), do EJA (8%) ou de outra forma (17%)..
Para a superintendente do Itaú Educação e Trabalho e uma das responsáveis pelo levantamento, Silvana Oliveira, os números indicam a necessidade do país repensar a forma de ensino para essa população.
“Não basta abrir mais vagas. A escola precisa caber na vida do estudante. É necessário oferecer currículos flexíveis, diferentes formatos de organização, horários compatíveis com a jornada de trabalho e políticas de permanência”, afirma.
A baixa escolaridade também está associada a desvantagens no mercado de trabalho e no rendimento, diz o levantamento. A renda domiciliar mensal por pessoa do grupo fora da escola sem educação básica completa é de R$ 1.427, equivalente a 51,4% da registrada entre quem concluiu essa etapa, de R$ 2.777.
A taxa de pobreza é 1,8 vez maior no primeiro grupo. Entre os ocupados sem ensino fundamental completo, 38,4% são empregados formais, ante 65% daqueles com ensino médio completo.
Em uma simulação que considera a conclusão da educação básica por 32,5 milhões de pessoas, aproximadamente metade do público potencial da EJA, os pesquisadores estimam um ganho nos rendimentos do trabalho de R$ 66 bilhões por ano, equivalente a 0,6% do PIB (Produto Interno Bruto).
Desse total, R$ 43 bilhões viriam do aumento na remuneração de quem já trabalha e R$ 23 bilhões, da entrada de pessoas no mercado.
Entre homens que não concluíram os anos iniciais do fundamental, 48,4% têm 60 anos ou mais. Entre mulheres na mesma situação, a proporção chega a 61,2%. Já no grupo com ensino médio incompleto, a maior concentração está entre adultos de 30 a 49 anos.
As razões para o abandono e as barreiras ao retorno também diferem entre os gêneros.
Entre homens de 15 a 29 anos, 53,9% apontaram o trabalho como motivo para deixar a escola e 61,7% o citaram como obstáculo para voltar. Entre mulheres da mesma faixa etária, 34,9% associaram a dificuldade de retorno às responsabilidades familiares. A gravidez foi apontada como motivo do abandono por 22,9%.
