O Brasil terá um novo laboratório para desenvolver e produzir células CAR-T, uma terapia avançada contra o câncer. A segunda unidade desse modelo no país será instalada no Hemoce, em Fortaleza (CE), e será a primeira estrutura do tipo no Nordeste.
O projeto reúne o Ministério da Saúde, a Fiocruz, a Secretaria da Saúde do Ceará, a Universidade Federal do Ceará (UFC) e a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (HU Brasil). A previsão é que a estrutura seja implantada para avançar no desenvolvimento da terapia e ampliar a possibilidade de acesso pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A primeira unidade modular foi instalada em maio de 2026, no Bio-Manguinhos/Fiocruz, no Rio de Janeiro. O modelo adotado permite que laboratórios sejam implantados em diferentes regiões do país, aproximando a produção dos centros onde os pacientes são atendidos.
O que é a terapia CAR-T?
A terapia CAR-T utiliza células de defesa do próprio paciente, chamadas linfócitos T. Elas são retiradas do sangue e levadas ao laboratório, onde passam por uma modificação genética para receber um receptor capaz de reconhecer células cancerígenas.
Depois de modificadas e multiplicadas, as células são devolvidas ao organismo do paciente. A partir daí, elas passam a identificar e atacar as células do câncer.
No projeto brasileiro, os pesquisadores trabalham com uma tecnologia chamada duoCAR-T triespecífica, desenvolvida para reconhecer simultaneamente três diferentes alvos associados ao câncer. A estratégia poderá inicialmente beneficiar pacientes com leucemias e linfomas.
Terapia será estudada para pacientes com câncer hematológico
A terapia CAR-T é especialmente estudada para casos de cânceres hematológicos, como leucemias e linfomas, principalmente em pacientes que não respondem aos tratamentos convencionais ou que apresentam retorno da doença.
No Ceará, o projeto prevê a criação de uma estrutura dentro do Hemoce para o desenvolvimento da terapia celular. A iniciativa também envolve estudos clínicos no Brasil, em parceria com instituições de pesquisa.
Produção nacional pode reduzir custos
Um dos objetivos da produção brasileira é diminuir a dependência de tecnologias e produtos importados e reduzir os custos associados à terapia.
Segundo o Ministério da Saúde, uma dose comercial de CAR-T pode custar entre US$ 350 mil e US$ 400 mil nos Estados Unidos. A estratégia nacional busca desenvolver capacidade tecnológica e produtiva para ampliar a possibilidade de utilização de terapias avançadas no SUS.
A descentralização também pode diminuir custos logísticos e o tempo entre a coleta das células e a reinfusão no paciente, já que a produção poderá ficar mais próxima dos centros de atendimento.
Segundo laboratório CAR-T será instalado no Ceará
A escolha do Ceará amplia a presença da tecnologia na região Nordeste. A proposta é que o modelo modular possa ser replicado em outras partes do Brasil, criando uma rede de desenvolvimento e produção de terapias celulares avançadas.
A nova estrutura será instalada no Hemoce, em Fortaleza, instituição que possui estrutura voltada ao atendimento hematológico e à coleta e processamento de células.
O projeto faz parte da estratégia do Ministério da Saúde e da Fiocruz para fortalecer a capacidade brasileira de desenvolver terapias avançadas e aproximar a pesquisa científica das necessidades do SUS.
Próximos passos da terapia CAR-T no Brasil
A implantação do laboratório é uma etapa do projeto de desenvolvimento da tecnologia. Os resultados dos estudos clínicos serão fundamentais para avaliar a segurança e a eficácia da terapia e definir os próximos passos para uma eventual ampliação do atendimento.
Por isso, a nova estrutura não significa que a terapia CAR-T já esteja disponível de forma ampla pelo SUS. O objetivo, neste momento, é desenvolver a tecnologia, realizar estudos e criar capacidade nacional para que, futuramente, ela possa ser oferecida a um número maior de pacientes.
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