Uma ponte suspensa entre áreas de vegetação na Rua Gustavo Zimmermann, no bairro Itoupava Central, em Blumenau, virou caminho para bugios-ruivos (Alouatta guariba), espécie ameaçada de extinção no Brasil. A travessia foi registrada por câmeras de monitoramento e representa um marco para o trabalho de acompanhamento da fauna silvestre na cidade.

É a primeira vez que o Projeto Municipal de Monitoramento da Fauna Silvestre consegue documentar animais utilizando uma estrutura aérea desse tipo em Blumenau. As imagens ajudam a entender como os bichos circulam entre trechos de mata e quais locais precisam de medidas para tornar esses deslocamentos mais seguros.

A passagem utilizada pelos bugios faz parte de uma iniciativa da Celesc, desenvolvida em parceria com o Projeto Bugio, da Universidade Regional de Blumenau (Furb). As estruturas conectam áreas de vegetação e oferecem uma alternativa para que os animais atravessem determinados pontos sem precisar descer ao chão ou utilizar a rede elétrica, diminuindo os riscos de atropelamentos e choques.

O registro ganha importância por envolver uma espécie classificada como “Em Perigo” nas listas de animais ameaçados de extinção de Santa Catarina e do Brasil.

 

Câmeras ajudam a identificar caminhos usados pelos animais

A descoberta foi possível graças às armadilhas fotográficas instaladas em locais estratégicos do município. Apesar do nome, os equipamentos não capturam animais. São câmeras que funcionam automaticamente ao detectar movimentos, registrando a passagem da fauna sem a necessidade de aproximação das equipes.

O monitoramento é coordenado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) e abrange fragmentos de floresta em áreas urbanas, além de regiões onde a vegetação nativa encontra os espaços ocupados pela cidade.

Segundo o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Robson Tomasoni, as imagens permitem confirmar que as passagens estão sendo utilizadas e fornecem informações sobre o deslocamento dos animais. Esses dados também ajudam a avaliar novas medidas de proteção.

“Esses registros mostram a importância das armadilhas fotográficas para o programa, porque nos permitem comprovar o uso das estruturas e entender melhor como a fauna se movimenta pelo município. Ter imagens dos animais utilizando a passagem é uma informação importante para orientar o monitoramento e também para avaliar futuras ações de proteção”, afirmou.

Com as informações coletadas, a Semmas também trabalha na identificação de outros pontos de Blumenau que podem receber novas pontes de fauna.

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