O vereador Naifer Neri encaminhou ao Página 3 uma carta apresentada como manifestação coletiva de funcionários da Secretaria de Turismo de Balneário Camboriú, com críticas à condução da pasta e pedidos de apuração de possíveis irregularidades atribuídas ao diretor-geral Laurindo Pedro Ramos Filho.
Segundo o parlamentar, o documento chegou até ele por servidores da secretaria. Naifer abordou o assunto na sessão de quarta-feira (4) e anunciou encaminhamentos à Procuradoria da Mulher e à Comissão de Meio Ambiente e Turismo da Câmara.
Procurado pelo jornal, Laurindo negou as acusações, questionou a autoria da carta e criticou a divulgação de alegações sem identificação dos responsáveis, descrição de episódios ou apresentação de provas.
O diretor afirmou que a repercussão atingiu sua honra e sua família e disse que seus advogados estão avaliando as medidas cabíveis.
Ao Página 3, Naifer informou que também apresentará um pedido de informação para esclarecer se o Executivo recebeu a manifestação (a carta foi enviada para a prefeita Juliana Pavan) e quais providências foram adotadas. Em outra frente, pretende solicitar o detalhamento das despesas da participação de Balneário Camboriú na FIT Buenos Aires, cujo contrato do estande passou de R$ 189,8 mil, em 2024, para R$ 479 mil, em 2026.
A versão da carta recebida pelo jornal não contém nomes nem assinaturas dos autores. Embora o texto se apresente como um posicionamento de servidores e integrantes da estrutura administrativa do Turismo. As acusações também não vêm acompanhadas de datas, identificação de possíveis vítimas ou documentos que permitam verificar os episódios mencionados.
Carta é dirigida à prefeita e pede investigação independente
Intitulado “Manifestação coletiva de repúdio”, o documento tem como destinatária principal a prefeita Juliana Pavan e identifica Laurindo como o gestor a quem se referem as críticas.
O cabeçalho indica cópias à Secretaria de Gestão de Pessoas, à Controladoria-Geral, à Procuradoria-Geral e à Ouvidoria Municipal, mas essa indicação, por si só, não comprova o protocolo ou o recebimento nesses órgãos.
A carta reúne questionamentos sobre concentração de decisões, tratamento aos servidores, possíveis comportamentos inadequados em relação às mulheres, relacionamento com empresários e entidades do turismo e responsabilidade na utilização de recursos públicos.
O texto sustenta que os problemas ultrapassariam divergências pessoais ou discordâncias administrativas e estariam comprometendo o ambiente de trabalho, as relações institucionais e a valorização dos profissionais da secretaria.
Entre as providências solicitadas estão o registro formal da manifestação, a apuração independente dos relatos, a análise de atos administrativos, a proteção contra retaliações e a aplicação de medidas disciplinares caso sejam comprovadas irregularidades. Também é solicitada uma resposta formal sobre os encaminhamentos adotados.
Concentração de atribuições e relação com o secretário
Um dos primeiros pontos da manifestação é a alegação de que haveria concentração de poder decisório no diretor-geral, com atuação que, em determinadas situações, aparentaria ultrapassar as competências do cargo.
A carta questiona a condução de demandas e despachos relacionados às atribuições do secretário de Turismo, Evandro Neiva, e menciona uma suposta ausência frequente do titular da pasta.
“A eventual ausência do titular da Secretaria não pode servir de justificativa para a substituição informal de competências, tampouco para a concentração de poderes decisórios sem delegação expressa e respaldo normativo”, afirma o documento.
Não são apresentados, porém, exemplos de despachos, decisões ou processos nos quais essa situação teria ocorrido.
Ao Página 3, Naifer relacionou esse trecho à sua crítica sobre a presença de secretários interinos no governo. O vereador citou pastas como Turismo, Educação, Obras e Saúde e disse interpretar a procura da prefeita por outros nomes como uma demonstração de falta de confiança em quem está à frente dessas áreas.
Documento apócrifo menciona possível assédio moral e condutas contra mulheres
A manifestação também relata, de forma genérica, tratamento desrespeitoso, constrangimentos e desvalorização profissional, especialmente contra servidores efetivos. O texto menciona possíveis condutas reiteradas de intimidação, exposição vexatória e utilização da hierarquia como instrumento de pressão.
Em um capítulo específico, aborda comportamentos atribuídos ao diretor-geral em relação às mulheres da secretaria e solicita apuração independente.
O documento menciona abordagens inconvenientes, insinuações, intimidações e comportamentos de natureza abusiva, mas não descreve situações concretas, não identifica quem teria sido atingido e não apresenta relatos individualizados.
A carta pede confidencialidade e proteção às possíveis vítimas, além de garantias de que servidores que contribuam com eventuais investigações não sejam submetidos a perseguições ou constrangimentos.
Naifer pediu atenção da Procuradoria da Mulher na sessão
Na sessão de quarta-feira (4), Naifer levou o assunto à tribuna e dirigiu-se à vereadora Ciça Muller, que representa a Procuradoria da Mulher no Legislativo.
O parlamentar apresentou o documento como uma manifestação de funcionários encaminhada à prefeita e destacou o capítulo sobre possíveis condutas inadequadas em relação às mulheres.
“Gostaria de pedir à senhora e aos membros da Comissão de Turismo dessa Casa que possam apurar esses fatos”, declarou.
Naifer também cobrou uma posição da chefe do Executivo. “Esses atos que são narrados pelos servidores daquela secretaria são atos gravíssimos que a prefeita municipal precisa apurar”, afirmou.
O vereador relacionou a cobrança às manifestações públicas de Juliana sobre proteção às mulheres e enfrentamento à violência. Ao jornal, informou que pretende formalizar os encaminhamentos à Procuradoria da Mulher e à Comissão de Meio Ambiente e Turismo, além de perguntar ao Executivo se a carta é de seu conhecimento e qual tratamento recebeu.
Relação com empresários e decisões sobre recursos também são questionadas
A carta critica a forma como estariam sendo conduzidas as relações com o trade turístico (conjunto de empresas, entidades e profissionais que atuam no setor). Segundo o documento, haveria falta de diálogo e desconsideração de contribuições técnicas e posicionamentos de outros integrantes da equipe e da estrutura governamental.
A manifestação também levanta suspeitas sobre decisões que poderiam resultar em prejuízos aos cofres públicos ou em renúncia indevida de receitas.
Nesse ponto, pede análise dos órgãos de controle quanto à competência dos responsáveis, à motivação dos atos e aos possíveis impactos financeiros.
Não há, contudo, indicação de qual receita teria deixado de ser arrecadada, de valores envolvidos ou de um ato administrativo específico que sustentaria essa suspeita.
Vereador cobra participação do setor nas prioridades do Turismo
Naifer afirmou ao Página 3 que esperava maior controle, fiscalização e participação dos representantes do turismo depois da autorização legislativa para um incremento de R$ 16 milhões no Fundo Municipal de Turismo, no orçamento de 2026. Na avaliação dele, o aumento de recursos deveria ter sido acompanhado por uma presença maior da classe turística nas decisões sobre a aplicação do dinheiro.
O vereador citou o Natal como exemplo de despesa que pretende questionar. Ao jornal, mencionou um acréscimo que calcula em 27% e criticou o que considera falta de prioridade em outras estruturas de atendimento ao visitante.
Na tribuna, afirmou que a iluminação natalina envolve R$ 8,76 milhões e contrapôs o investimento à situação do Posto de Informações Turísticas (PIT).
Segundo ele, o posto está fechado por problemas de manutenção e sofreu furtos de fiação desde agosto.
O atendimento turístico está sendo realizado na Secretaria de Turismo. Naifer também disse ter recebido informação sobre furto de um aparelho de ar-condicionado.
Falta de prazo para parcerias do Natal foi alvo de crítica
Durante o pronunciamento, Naifer leu uma justificativa atribuída à gestão do Turismo sobre a dificuldade de viabilizar parcerias com a iniciativa privada para a decoração natalina.
O trecho mencionado por ele apontava que seriam necessários procedimentos de elaboração de edital, publicação, captação de interessados, análise de propostas, formalização das parcerias e contratação da instalação, o que poderia comprometer o calendário do evento.
O vereador contestou o argumento e afirmou que a data do Natal permitiria planejamento antecipado.
“Todo Natal é no dia 25 de dezembro. Então, a partir do dia 26 de dezembro do ano passado, o senhor já tinha tempo suficiente para organizar o Natal de 2026”, declarou.
Naifer disse que a expectativa de captação de patrocínios privados havia sido apresentada quando a Câmara autorizou o incremento de recursos ao Turismo. Na avaliação dele, a ausência de antecedência não justificaria o resultado.
Ao Página 3 Laurindo contestou a afirmação de que não haveria apoio privado e mencionou um protocolo de apoio do Grupo Oceanic, que teria sido protocolado nesta semana.
Laurindo afirma que carta é anônima e genérica
Ouvido pelo Página 3, Laurindo negou as acusações e insistiu que a carta não apresenta elementos concretos para a verificação dos fatos.
O diretor-geral destacou a ausência de nomes, assinaturas, datas, horários e locais.
Questionou também como se poderia atribuir o documento coletivamente aos funcionários da secretaria sem identificar seus autores.
Na avaliação dele, o conteúdo é abstrato e poderia ser adaptado para mencionar outro órgão ou outro gestor sem alterações substanciais, justamente por não individualizar condutas.
Laurindo afirmou que não se opõe à fiscalização e que eventuais suspeitas devem ser apuradas pelos órgãos competentes. Disse estar à disposição das instâncias de controle, mas criticou a exposição pública de alegações antes da apresentação de elementos que permitam examiná-las.
Diretor relata impacto pessoal e diz que advogados avaliam medidas
Laurindo também contestou a forma como Naifer levou o assunto à tribuna e afirmou que a repercussão atingiu sua vida pessoal.
Na entrevista, mencionou preocupação com os efeitos das acusações sobre os filhos, a mãe e outros familiares. Disse ter recebido ligações sobre o assunto e relatou constrangimento diante da exposição de seu nome.
Segundo ele, a questão relacionada à sua honra está sendo avaliada por advogados, que deverão definir eventuais medidas.
Laurindo afirmou reconhecer a prerrogativa do vereador de fiscalizar a administração, mas sustentou que o exercício dessa função deve distinguir a apresentação de questionamentos da atribuição pública de condutas ainda não comprovadas.
Laurindo diz que falou com a prefeita e defende apuração
O diretor informou ter conversado com a prefeita Juliana sobre a situação e relatou ter procurado a vereadora Ciça para tratar do conteúdo envolvendo mulheres. Segundo Laurindo, o secretário Evandro Neiva deverá conduzir os encaminhamentos internos relacionados à manifestação.
Na conversa com o jornal, o diretor ainda mencionou mecanismos de controle e integridade da administração e afirmou que atos, contratos e despesas possuem processos próprios, sujeitos à fiscalização.
Naifer anuncia novo pedido sobre despesas na FIT Buenos Aires
Além dos encaminhamentos relativos à carta, Naifer informou que fará um pedido de informação para detalhar os gastos da participação do município na FIT Buenos Aires de 2026.
O questionamento parte da diferença entre os valores dos contratos do estande em 2024 e em 2026. Nos dois procedimentos, a empresa indicada é Tudo Bem O.E.I. Agência de Viagens Ltda., CNPJ 95.770.731/0001-22.
Em 2024, o Termo de Ratificação nº 030/2024, do Fundo Municipal de Turismo, registrou R$ 189.800 para a locação de estande na feira realizada de 28 de setembro a 1º de outubro daquele ano.
Em 2026, o Termo nº 040/2026, da Secretaria de Turismo, informa R$ 479 mil para a locação e disponibilização do estande institucional na edição realizada de 26 a 29 de setembro, no Centro de Exposições La Rural.
A diferença nominal é de R$ 289.200, equivalente a aproximadamente 152,4%. Os documentos classificam os procedimentos como inexigibilidade de licitação, com fundamento no artigo 74, inciso I, da Lei nº 14.133/2021.
A diferença de preço, isoladamente, não demonstra irregularidade. Para avaliar a comparação, é necessário considerar o escopo, a estrutura e os serviços previstos em cada contratação.
Contrato de 2026 inclui estande, logística e operação
O termo de 2026 descreve a disponibilização do estande oficial nº 4345, com 60 metros quadrados de área térrea e 10,40 metros quadrados de mezanino, totalizando 70,40 metros quadrados construídos.
A contratação inclui projeto executivo, responsabilidade técnica, estrutura, piso, mobiliário, equipamentos audiovisuais, instalações, climatização, comunicação visual e ambientação.
Também estão previstos logística internacional, montagem, manutenção operacional e desmontagem, além de 50 credenciais institucionais, dez para a equipe da Secretaria de Turismo e 40 para convidados, dez acessos VIP para pessoas já credenciadas, 120 convites oficiais e acesso à sala de capacitação.
Na justificativa, a Secretaria apresenta a FIT como um ambiente de promoção turística, relacionamento institucional e geração de negócios, destacando a importância do mercado argentino para o fluxo internacional de visitantes em Balneário Camboriú.
Questionado pelo jornal sobre a diferença de valores, Laurindo afirmou que os dados estão nos processos administrativos e no Portal da Transparência. Defendeu que a avaliação leve em conta o que foi contratado em cada edição.
Aristo já havia pedido explicações sobre a missão
A participação de Balneário Camboriú na feira foi objeto do Pedido de Informação nº 281/2026, apresentado pelo vereador Aristo Pereira em 13 de outubro.
O vereador solicitou o nome do evento, a identificação dos servidores participantes, os objetivos da viagem e os custos totais suportados pelo município.
Aristo também perguntou se ocorreram reuniões com operadores ou intermediadores argentinos sem a participação dos demais representantes do turismo local.
Pediu esclarecimentos sobre a organização dos encontros, os convidados, os assuntos tratados e os critérios de seleção.
Outro ponto foi a existência de reclamações de empresários e de eventual reunião posterior com participação do vice-prefeito para tratar do assunto.
Na justificativa, Aristo afirmou que o objetivo era esclarecer relatos recebidos por seu gabinete e fiscalizar a observância da transparência, da impessoalidade e da igualdade de oportunidades, sem antecipar conclusão sobre irregularidades.
Resposta identifica R$ 532.946 em despesas
A resposta encaminhada ao Legislativo em outubro contém um memorando de Laurindo datado de 21 de outubro. Nele, a Secretaria consolida R$ 532.946 em despesas diretamente identificadas nos processos da missão: R$ 479 mil pela disponibilização, estruturação e operação do estande; R$ 13.796,24 pela aquisição de quatro passagens aéreas internacionais de ida e volta; e R$ 40.149,76 em diárias para quatro servidores.
Foram identificados como integrantes da missão Laurindo Pedro Ramos Filho, diretor-geral; Rafael Diogo Amâncio, diretor de Marketing e Projetos; Letícia Conde, turismóloga; e Eduarda Montibeller Schuch, analista administrativa.
Segundo a resposta, a viagem teve como objetivos promover Balneário Camboriú no mercado argentino e latino-americano, divulgar atrativos e serviços, manter relacionamento com agentes e operadores e realizar agendas comerciais e institucionais.
O documento ressalva que o total corresponde às despesas localizadas nos processos mencionados, sem afastar a necessidade de conferência contábil sobre eventual despesa acessória registrada em outro expediente.
Encontro com operadores ocorreu depois da feira, diz Secretaria
Sobre a reunião questionada por Aristo, a Secretaria distinguiu as atividades realizadas durante a FIT de uma agenda complementar em 30 de setembro, após o encerramento oficial da feira. Segundo a resposta, o encontro aconteceu no Marriott Buenos Aires Downtown e foi destinado à capacitação, promoção do destino e relacionamento com operadores do mercado argentino.
A previsão inicial era de aproximadamente 25 operadores, e o relatório posterior registrou cerca de 30 participantes. Laurindo e Rafael tiveram a permanência em Buenos Aires estendida até 1º de outubro para cumprir essa agenda. A Secretaria sustentou que não seria adequado classificar a atividade como “reunião paralela” se a expressão fosse utilizada para sugerir clandestinidade, irregularidade ou exclusão deliberada dos empresários de Balneário Camboriú.
A justificativa apresentada é que a ação tinha público-alvo próprio, formado por profissionais com potencial de comercialização do destino no mercado emissor argentino.
Resposta não identifica procedimento de seleção dos operadores
Ao tratar da escolha dos participantes, a Secretaria informou que os registros examinados caracterizam a atividade como parte da missão institucional. Declarou, porém, que não foi localizado procedimento classificatório, ranking ou sistema de pontuação para selecionar individualmente os operadores.
Também afirmou não haver elemento documental suficiente para atribuir formalmente a organização da atividade a um terceiro específico.
A resposta registra 20 contatos nominalmente vinculados ao encontro, além de outros obtidos durante a missão. O documento não apresenta, nesse trecho, uma relação individualizada de critérios que permita reconstruir como cada convidado foi escolhido.
Reunião de avaliação ocorreu em 8 de outubro
A Secretaria informou não ter localizado protocolo autônomo de reclamação formal de empresário ou entidade especificamente sobre a atividade de 30 de setembro.
Confirmou, entretanto, uma reunião de avaliação da participação na FIT em 8 de outubro, às 15h30, na sede da Secretaria de Turismo.
Segundo a resposta, o encontro fazia parte do processo de avaliação pós-evento e de diálogo com representantes do turismo sobre a estrutura, as ações realizadas e possíveis melhorias.
Na ocasião, o diretor do jornal, Waldemar Cezar Neto, fez um vídeo sobre o assunto – que pode ser conferido aqui (https://pagina3.com.br/colunistas/dedonamoleira/governo-ju-pavan-conseguiu-revoltar-o-trade-turistico-por-reuniao-secreta-na-argentina/).
Credenciamento teve 57 registros, segundo relatório
A resposta a Aristo informa que a participação no estande ocorreu por credenciamento prévio, com possibilidade de até dois representantes por empreendimento.
A planilha consolidada reúne 57 registros, incluindo Secretaria de Turismo, Câmara de Vereadores, Convention Bureau, Conselho Municipal de Turismo, hotéis, atrativos, receptivos e outras empresas do setor.
O relatório institucional descreve duas salas de reunião: uma de uso compartilhado entre os participantes e outra no mezanino, destinada exclusivamente à Secretaria de Turismo.
A pasta defende que a estrutura serviu à apresentação conjunta da oferta turística da cidade. Reconhece também a conveniência de aperfeiçoar a comunicação prévia, as orientações operacionais e a organização e o registro das agendas comerciais.
O próprio relatório ressalta que tem natureza institucional e não constitui prestação de contas financeira. A comprovação das despesas permanece vinculada aos processos administrativos, empenhos, documentos fiscais e relatórios de viagem.
