Fingir estar morto foi a única saída para sobreviver. Foi assim que uma das quatro pessoas atacadas a tiros dentro de um carro estacionado em Meia Praia, em Itapema, conseguiu escapar de uma chacina que deixou três mortos em setembro de 2024. O crime, marcado por uma perseguição e uma tentativa de apagar provas, terminou com três homens condenados a penas que, juntas, ultrapassam 269 anos de prisão.

O julgamento ocorreu no Tribunal do Júri de Itapema, em 29 de outubro (2026), e atravessou a madrugada do dia seguinte. Os condenados receberam penas de 120 anos e seis meses, 93 anos, cinco meses e 10 dias, e 55 anos e quatro meses de reclusão. Todos deverão começar a cumprir as condenações em regime fechado.

Vítimas tinham deixado o Paraná após ameaças

A história por trás da chacina começou longe do litoral catarinense. Segundo o Ministério Público, vítimas e acusados eram de Sarandi, no Paraná, e tinham desavenças ligadas a episódios criminosos anteriores.

Depois de receber ameaças, as vítimas decidiram se mudar para Itapema. A mudança, porém, não impediu que fossem encontradas.

Conforme a denúncia, dois dos acusados, acompanhados de um adolescente, chegaram encapuzados e armados até o veículo onde estavam as quatro vítimas. O carro estava estacionado em uma rua de Meia Praia.

Os criminosos abriram fogo contra os ocupantes, que estavam desarmados e não tiveram chance de reagir. Uma das vítimas ainda tentou correr para escapar dos disparos, mas acabou perseguida e assassinada na rua.

Outras duas pessoas morreram no ataque. A quarta sobreviveu porque fingiu estar morta enquanto os atiradores agiam.

Criminosos incendiaram carro para esconder provas

Depois da sequência de assassinatos, a preocupação dos envolvidos passou a ser eliminar os rastros da execução. De acordo com a acusação, dois dos réus seguiram até Tijucas, onde colocaram fogo no automóvel utilizado no crime. A intenção era destruir possíveis vestígios que pudessem ligar o veículo à chacina.

A fuga continuou em outro carro, dirigido pelo terceiro acusado. Segundo o Ministério Público, ele também havia participado da preparação do ataque, oferecendo apoio logístico, abrigo e as armas utilizadas pelos executores.

Júri reconheceu crueldade e impossibilidade de defesa

Durante o julgamento, os jurados reconheceram a responsabilidade dos três homens pelas mortes e pela tentativa de assassinato da pessoa que sobreviveu. Dois acusados foram condenados por três homicídios triplamente qualificados e uma tentativa de homicídio também triplamente qualificada.

Para o terceiro réu, o Conselho de Sentença descartou a qualificadora de motivo torpe, mas manteve as de meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas. Com isso, ele foi condenado por três homicídios duplamente qualificados e uma tentativa de homicídio com as mesmas qualificadoras.

As condenações não ficaram restritas aos assassinatos. Os três também responderam por corrupção de menor de 18 anos, posse de arma de fogo de uso permitido, posse ilegal de arma de fogo de uso restrito e incêndio.

Um dos condenados recebeu ainda uma pena pelo uso de documento falso. A sessão foi presidida pelo juízo da Vara Criminal da comarca de Itapema. Como o processo tramita sob sigilo, outros detalhes dos autos não foram divulgados.

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