Do cultivo do cacau na Bahia e no Pará até uma fábrica em Pomerode (SC), no Vale do Itajaí, a cadeia produtiva do chocolate brasileiro ganha mais um capítulo internacional. Nesta sexta-feira (30/10/26), dois produtos da Nugali Chocolates receberam reconhecimento em Paris, na França, durante uma competição dedicada a chocolates feitos com matérias-primas de origem identificada.
A premiação acontece no Salon du Chocolat, um dos principais encontros mundiais do setor. É a primeira vez que a empresa participa do Concurso Internacional de Chocolates Elaborados na Origem, organizado pela Agência de Valorização de Produtos Agrícolas da França.
Os dois produtos receberão o chamado “Diploma Gourmet”. Um deles é o Tablete Serra do Conduru 80% Cacau, fabricado com amêndoas cultivadas no sul da Bahia. O outro é o Cacau em Flor 63% Cacau com Pimenta Rosa, que utiliza cacau produzido no Pará e um ingrediente aromático encontrado nas florestas brasileiras.
A competição francesa considera a relação entre o chocolate e a região onde o cacau foi cultivado, conceito conhecido como terroir. O objetivo é reconhecer produtores que mantêm características associadas à origem da matéria-prima durante a fabricação.
Do campo brasileiro às vitrines internacionais
A trajetória dos dois chocolates começou bem antes da premiação em Paris. Lançado em 2006, o Serra do Conduru foi o primeiro chocolate brasileiro identificado como de origem. Naquele mesmo ano, tornou-se também o primeiro produto nacional da categoria a receber uma premiação no exterior. Desde então, conquistou outras três condecorações.

Já o Cacau em Flor com Pimenta Rosa chega ao concurso francês com seis premiações internacionais anteriores. As novas distinções ampliam o histórico da Nugali, que participa de competições internacionais desde 2016 e acumula mais de 50 condecorações. Segundo os dados divulgados pela empresa, esse resultado coloca a fabricante como a marca brasileira mais premiada do segmento.
Produção catarinense movimenta mercado de chocolates de origem
Além das premiações, os números mostram a dimensão econômica da operação instalada em Pomerode.
A Nugali fabrica mais de 200 toneladas de chocolate anualmente e responde por aproximadamente 20% do mercado brasileiro de chocolates bean to bar, modelo em que a indústria acompanha todas as etapas de fabricação, desde a seleção das amêndoas até a embalagem.
Pioneira nesse sistema no Brasil, a empresa trabalha com um catálogo de quase 50 produtos, distribuídos em mais de 2 mil estabelecimentos comerciais pelo país.
A expansão acompanha a abertura de espaço para chocolates produzidos com cacau brasileiro no segmento premium, historicamente dominado por marcas importadas.
Nesse cenário, a valorização da origem também tem uma dimensão econômica. O modelo conecta regiões produtoras de cacau, como Bahia e Pará, à atividade industrial catarinense e ao mercado consumidor nacional.
Fábrica também movimenta o turismo em Pomerode
A presença da Nugali na economia local vai além das linhas de produção. A unidade industrial fica na Rota do Enxaimel, em Pomerode, região reconhecida pelas Nações Unidas entre as melhores vilas turísticas do mundo.
O espaço mantém um roteiro de visitação que recebe aproximadamente 150 mil pessoas por ano, associando a fabricação de chocolates ao turismo regional. Com produção industrial, distribuição nacional e presença em concursos internacionais, a empresa reúne diferentes atividades econômicas em torno de uma matéria-prima cultivada em outras regiões do Brasil.
O post Chocolates de SC são premiados em Paris e mostram força do cacau brasileiro no mercado apareceu primeiro em OBlumenauense | Notícias de Blumenau e do Vale do Itajaí.

