Profissionais do Centro Educacional Municipal (CEM) Vereador Santa, em Balneário Camboriú assinam um documento com várias reivindicações relacionadas às condições de funcionamento da unidade. 

Em um extenso documento intitulado “A comunidade escolar do CEM Vereador Santa pede socorro” são apontados problemas que vão desde infiltrações, cobertura e instalações elétricas até falta de equipamentos tecnológicos, mobiliário, climatização e profissionais.

O documento reúne demandas de diferentes períodos e sustenta que muitas delas já foram encaminhadas formalmente à Secretaria Municipal de Educação ao longo dos últimos anos, sem que todas tenham sido solucionadas. 

A principal preocupação atual está relacionada à estrutura física da escola, especialmente ao telhado e às infiltrações.

O Página 3 tomou conhecimento do documento na segunda-feira (14) e, no mesmo dia, procurou a secretária municipal de Educação, Zélia Zanella, para saber quais providências estavam sendo tomadas. 

Na terça-feira (15), uma equipe de manutenção da Secretaria de Educação esteve no CEM para executar alguns serviços.

A secretária afirma que acompanha a situação e que uma reforma mais ampla já possui empresa contratada, mas sofreu atrasos após problemas com a primeira responsável pelo serviço. 

A expectativa da Educação é que uma equipe seja mobilizada para iniciar os trabalhos no Vereador Santa ‘nos próximos dias’ – com expectativa de acontecer na próxima semana.

A diretora da unidade, Sabrina Hillesheim disse que alguns itens apresentados no documento já poderiam ser atualizados porque foram solucionados, parcialmente atendidos ou estão em andamento. Por outro lado, confirmou que ainda existem diversas demandas pendentes, sobretudo relacionadas à estrutura.

Problemas são relatados há anos

Quadro de rede de internet fora do padrão, o que causa problemas de internet da escola / Divulgação

Na manifestação, os profissionais afirmam que as reivindicações não surgiram agora. Segundo o documento, problemas do CEM já haviam sido registrados em maio de 2025, durante uma atividade proposta pela própria Secretaria de Educação sobre o tema “Cidade Inteligente e Sustentável”.

Na ocasião, a comunidade escolar elaborou o documento “Escola Inteligente e Sustentável”, no qual relacionou necessidades de infraestrutura, mobiliário, tecnologia, acessibilidade, conectividade, instalações elétricas, materiais pedagógicos e recursos humanos.

Entre os pedidos já apresentados naquele período estavam o conserto da cobertura da escola, recuperação da quadra poliesportiva, revisão da instalação elétrica, melhoria da internet, aquisição de equipamentos tecnológicos e disponibilização de materiais pedagógicos.

Um novo levantamento detalhado foi encaminhado pela gestão da escola ao Departamento Administrativo da Secretaria de Educação em junho deste ano, contendo informações sobre mobiliário, climatização, tecnologia, equipamentos, manutenção, infraestrutura e acessibilidade.

A comunidade escolar argumenta que as dificuldades vêm sendo comunicadas por documentos oficiais e outros canais e que professores e demais servidores acabam recorrendo a soluções improvisadas para manter o funcionamento da unidade.

Telhado, goteiras e infiltrações estão entre as principais preocupações

Mofo nas paredes do laboratório e goteiras nos corredores da escola / Divulgação

Entre os pontos de maior preocupação apresentados pelos profissionais está a cobertura do CEM. O documento relata infiltrações em diferentes áreas, incluindo a sala do Atendimento Educacional Especializado (AEE), térreo, terceiro e quarto andares e sala de aula do primeiro andar. Também há relatos de ambientes com mofo em consequência da entrada de água.

Registros reunidos pela comunidade escolar mostram ainda problemas na cobertura, infiltrações na alvenaria, forros danificados e improvisações para direcionar a água das goteiras.

A preocupação aumenta pela proximidade da água com componentes elétricos. O documento cita registros de fiação exposta e a necessidade de revisão de quadros de distribuição, tomadas e interruptores.

Entre os registros anteriores apresentados pela escola estaria, inclusive, um quadro de disjuntores exposto, situação apontada pelos profissionais como risco para estudantes e trabalhadores. A reforma da cobertura e a solução das infiltrações permanecem entre as principais demandas ainda pendentes.

Quadra também apresenta problemas

A quadra um dia depois da chuva e material destruído pelas infiltrações / Divulgação

A quadra esportiva é outro ponto destacado pela comunidade escolar. Segundo o documento, há problemas no piso, rachaduras, desgaste da pintura, alagamentos em dias de chuva e equipamentos esportivos danificados. Foi relatado que, depois de períodos chuvosos, a quadra pode permanecer molhada por vários dias, prejudicando as aulas de Educação Física. As atividades precisam ser transferidas para outros ambientes, o que, segundo a manifestação, também interfere na rotina das demais turmas por questões como espaço e ruído.

A recuperação da quadra, incluindo piso, rachaduras, drenagem, pintura e equipamentos esportivos, está entre as reivindicações que permanecem apresentadas pela comunidade.

Documento também aponta falta de profissionais

A manifestação não se restringe aos problemas físicos da unidade. Os profissionais afirmam que o CEM enfrenta insuficiência de professores, orientadores, supervisores e auxiliares do Atendimento Educacional Especializado.

Segundo o documento, a falta de profissionais aumenta a sobrecarga das equipes existentes, dificulta o acompanhamento individualizado dos estudantes e interfere no planejamento pedagógico. A recomposição do quadro de servidores aparece entre as demandas que ainda precisam ser atendidas.

Tecnologia: escola receberá 34 computadores

Outro capítulo do documento trata da estrutura tecnológica disponível aos profissionais e estudantes. No levantamento encaminhado à Educação em junho, a escola apontava a necessidade de 12 computadores para setores como administração, supervisão, orientação, salas de apoio, biblioteca e laboratório de Ciências. Naquele momento, conforme a manifestação, existiam três equipamentos classificados como em estado ruim.

O documento relata ainda que profissionais utilizavam computadores pessoais para realizar atividades relacionadas ao trabalho, incluindo acesso às plataformas usadas para frequência, avaliações e outros registros. A situação apontada para a sala de informática era ainda mais crítica: o levantamento indicava necessidade de 32 computadores e registrava apenas um equipamento disponível, também considerado em condições ruins.

Esse é, porém, um dos pontos em que já houve avanço desde a elaboração das reivindicações. 

Segundo Zélia Zanella, 34 computadores destinados ao laboratório de informática já foram adquiridos e a Secretaria aguarda o mobiliário necessário para concluir a instalação da nova sala.

A diretora Sabrina confirmou a informação e disse que os equipamentos já foram inclusive patrimoniados. 

“Nós ganhamos um laboratório de informática novo que já foi patrimoniado. Os computadores já foram comprados e eu estava justamente na Secretaria de Educação vendo a questão do projeto do novo laboratório”, explicou.

Por isso, a diretora ressalta que o documento reúne um cenário construído ao longo do tempo e que alguns itens já tiveram mudanças desde sua elaboração.

Materiais e mobiliário também estão sendo encaminhados

A secretária informou ao Página 3 que parte dos materiais pedagógicos solicitados já foi encaminhada à escola. Outros itens estão em falta e ainda deverão ser adquiridos, enquanto parte dos materiais também deverá ser comprada pela Associação de Pais e Professores (APP).

Em relação ao mobiliário, a Secretaria informou que cadeiras e carteiras estão chegando. A aquisição de material elétrico também estaria em andamento.

Quanto à internet, Zélia reconheceu que eventualmente ocorrem quedas, mas afirmou que a estrutura já passou por manutenção.

Apesar desses avanços, continuam entre as reivindicações apresentadas pela comunidade escolar a substituição ou recuperação de quadros, mobiliários, portas e pisos, além da manutenção de banheiros e aparelhos de climatização e adequações de acessibilidade.

Banheiros, portas, pisos e acessibilidade

Banheiros interditados / Divulgação

O documento também apresenta problemas relacionados a espaços básicos da escola. Há registros anteriores de banheiros interditados, problemas hidráulicos, ralos entupidos, portas danificadas e até banheiros sem portas. 

O levantamento mais recente continua apontando portas quebradas ou danificadas, inclusive por cupins, além de portas de banheiros consideradas inutilizáveis e classificadas como de alta prioridade para substituição. Também são mencionados problemas em pisos cerâmicos, com peças soltas ou quebradas.

Na área de acessibilidade, a comunidade reivindica intervenções em rampas, adequação de banheiro e outras medidas para melhorar as condições oferecidas às pessoas com deficiência.

Climatização também aparece entre as reivindicações

Os aparelhos de ar-condicionado são outro ponto levantado. Segundo o documento, há equipamentos considerados inutilizáveis em salas de aula e em espaços como laboratório de Ciências, sala de leitura, biblioteca e sala de orientação e supervisão. Também é citada a necessidade de climatização da cozinha diante das temperaturas registradas durante o verão.

A manutenção e substituição desses aparelhos permanece entre os itens apontados como necessários.

Primeira empresa abandonou obra, diz secretária

Sobre os principais problemas estruturais, Zélia explicou que houve dificuldades com as empresas responsáveis pela obra. Segundo a secretária, uma primeira empresa venceu o processo licitatório, assumiu o serviço, mas posteriormente abandonou o trabalho sem concluí-lo. Com isso, a segunda colocada no processo foi chamada para assumir os serviços.

Essa empresa, de acordo com Zélia, já começou a executar trabalhos em outras unidades da rede municipal, entre elas o CEM Ariribá e o CEM Presidente Médici, e também deverá atuar no Vereador Santa. 

O problema neste momento, segundo a secretária, é a disponibilidade de mão de obra.

“A segunda empresa começou a fazer o trabalho no Ariribá e no Presidente Médici e vai começar esse trabalho no Vereador Santa. Porém, ela está dependendo de contratação de mão de obra para iniciar, porque está com deficiência de pessoal para colocar uma equipe grande dentro do Vereador Santa”, explicou.

Zélia disse ter conversado diretamente com a responsável pela empresa e que a contratada deverá ampliar a equipe para conseguir iniciar os trabalhos. A expectativa apresentada pela secretária ao Página 3 é que isso aconteça ainda nesta semana ou no começo da próxima.

“Acredito que essa semana, ou no começo da semana que vem, já teremos uma equipe eficiente ali para dar continuidade aos trabalhos no Vereador Santa”, afirmou.

A secretária reconheceu que os problemas estruturais da unidade não são recentes. 

“É uma questão antiga, de muitos anos, e chega uma hora em que o problema chega ao ápice. Foi o que aconteceu, também em virtude desses transtornos com as empresas que ganharam a licitação. É lamentável, é triste, não é da nossa vontade que isso esteja acontecendo”, disse.

Segundo Zélia, a Secretaria de Educação está acompanhando a situação de perto.

Diretora diz que estrutura ainda preocupa

Improviso com placas emborrachadas para desviar um pouco as goteiras / Divulgação

A diretora do CEM Vereador Santa, Sabrina Hillesheim, 

disse que essa situação é de muitos anos, vem se arrastando, mas reforçou que os problemas estruturais permanecem como a principal preocupação da unidade. 

“Em relação à estrutura, à obra do telhado, são questões que já foram listadas. A cobrança pelas melhorias não parte apenas da gestão do CEM, mas representa uma reivindicação mais ampla.

“É uma demanda de toda a comunidade escolar. É uma demanda minha, dos professores, de todo mundo que trabalha na unidade, dos alunos e dos pais. Foi por isso que esse documento foi feito”, afirmou.

Comunidade pede cronograma das intervenções

Além das intervenções físicas e da aquisição de materiais, os profissionais pedem que a administração municipal apresente um cronograma público das melhorias, com prazos, responsáveis e prioridades. 

A manifestação também solicita respostas formais aos pedidos já encaminhados pela escola, especificando quais demandas serão atendidas, quais medidas estão em andamento e quais possuem previsão de execução. 

Ao todo, o documento apresenta 17 reivindicações, entre elas a solução definitiva das infiltrações e goteiras, avaliação técnica das instalações elétricas, recuperação da quadra, substituição dos quadros brancos em más condições, aquisição de equipamentos tecnológicos, melhoria da conectividade, recomposição do quadro de profissionais, recuperação do mobiliário e dos banheiros, acessibilidade e climatização.

Os profissionais sustentam que a unidade não reivindica tratamento diferenciado, mas condições adequadas para o trabalho e a aprendizagem. 

A manifestação também destaca que, mesmo diante das dificuldades relatadas, o CEM apresenta bons resultados educacionais e figura, segundo o documento, entre as unidades com maiores índices do Ideb no município. Para a comunidade escolar, os indicadores refletem o trabalho desenvolvido pelos profissionais, mas não devem minimizar a necessidade de investimentos na estrutura.

Agora, a expectativa da direção e da comunidade escolar está principalmente no início da reforma estrutural prometida pela Secretaria de Educação, enquanto as demais demandas seguem sendo atendidas ou discutidas individualmente.