A crise política no Paraguai ganhou novos desdobramentos nesta sexta-feira (6). O presidente Santiago Peña solicitou ao Senado um prazo adicional de 72 horas para preparar sua defesa no processo de impeachment, enquanto enfrenta três investigações criminais relacionadas ao colapso do Ueno Bank, instituição financeira que deixou milhões de clientes sem acesso ao dinheiro.

O pedido foi apresentado depois que o Senado iniciou, na noite de quinta-feira (5), a análise do processo de destituição aprovado pela Câmara dos Deputados.

Peña argumenta que recebeu a notificação oficial às 22h15 de quinta-feira, acompanhada de uma acusação de 15 páginas e mais de 300 páginas de documentos anexos. Segundo o presidente, o intervalo de menos de 12 horas até a sessão prevista para as 10h desta sexta-feira seria insuficiente para garantir seu direito de defesa.

Renúncia não encerrou crise política

Apesar de ter anunciado que deixaria a Presidência, Peña continua formalmente no cargo. Uma sessão conjunta do Congresso convocada para analisar a renúncia foi suspensa após parlamentares governistas deixarem o plenário, impedindo a formação de quórum.

Parte dos congressistas defende que o processo de impeachment continue, mesmo diante da intenção do presidente de renunciar.

A preocupação é que, caso sua saída seja aceita, Peña passe à condição de senador vitalício, prevista para ex-presidentes paraguaios, mantendo prerrogativas que poderiam dificultar as investigações.

O impasse também provocou divisões dentro do Partido Colorado, legenda do presidente, com integrantes defendendo caminhos diferentes para encerrar a crise.

Presidente é alvo de três investigações

Além do processo político, Peña passou a integrar três investigações criminais abertas pelo Ministério Público paraguaio para apurar possíveis irregularidades envolvendo o Ueno Bank.

As apurações também alcançam autoridades ligadas ao Banco Central e ao Instituto de Previdência Social do Paraguai.

A instituição financeira foi alvo de intervenção após o Banco Central identificar problemas graves de solvência, relacionados a operações de crédito com empresas vinculadas aos controladores do banco.

Peña foi acionista do grupo proprietário da instituição até março de 2025. A antiga ligação empresarial passou a ser questionada por parlamentares, que levantaram suspeitas de conflito de interesses e possíveis falhas na fiscalização bancária.

O presidente nega irregularidades e afirma que apresentará documentos para contestar as acusações.

Milhões de clientes aguardam solução

O fechamento do Ueno Bank afetou aproximadamente 3 milhões de clientes. A instituição também concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos previdenciários.

Em manifestação nas redes sociais, Peña afirmou que pretende colaborar com as investigações e defendeu que a devolução dos recursos aos correntistas não dependa do resultado do processo político.

A crise também provocou protestos e aumentou a pressão sobre as autoridades financeiras do país.

Enquanto isso, o vice-presidente Pedro Alliana permanece como possível sucessor. A Câmara dos Deputados rejeitou um pedido de impeachment contra ele, deixando aberta a possibilidade de assumir a Presidência caso Peña seja afastado definitivamente.

O Senado deve definir os próximos passos do julgamento político, incluindo a análise do pedido de prazo adicional apresentado pelo presidente.

The post Crise no Paraguai: presidente pede mais 72 horas para se defender de impeachment e enfrenta três investigações appeared first on OCP News | As melhores notícias e histórias de Santa Catarina.