Se você estiver acompanhando um desfile da Oktoberfest pela Rua XV de Novembro, em Blumenau, e receber uma Linguiça Blumenau das mãos dos integrantes do Wurstwagen, talvez não imagine quanta história existe por trás daquele momento.
Tudo começou com dois primos, um grupo de amigos e a vontade de participar de uma das atrações mais conhecidas da festa. Em 2006, eles decidiram criar uma alegoria. Só faltava descobrir qual.
A ideia da linguiça apareceu justamente na busca por algo que ainda não estivesse representado entre os carros do desfile. Vieram os primeiros desenhos, a casinha de madeira, uma solução para fazer tudo andar e aquela mistura bastante conhecida de quem começa um projeto sem muitos recursos: criatividade e gente disposta a ajudar. O grupo foi formado inicialmente por 16 amigos.
Ao longo dos anos, principalmente nos primeiros, aconteceu de tudo um pouco. Perrengues, problemas mecânicos, soluções encontradas quase na hora, busca por apoio, muita amizade e uma criatividade que nunca ficou parada.
A primeira ideia era fazer a estrutura ser puxada pedalando. Durou pouco. Quando apareceu a pergunta sobre quem faria o esforço durante todo o percurso, a bicicleta rapidamente virou moto. Depois vieram outras transformações, reformas e novos projetos.
Hoje, uma das imagens mais marcantes do Wurstwagen é bem diferente daquele começo: um estiloso trator Ford de 1954, restaurado e modificado para os desfiles. É difícil passar por ele sem olhar duas vezes. Tirar uma foto, então, parece quase inevitável.
Quando foi incorporado ao grupo, ele estava parado havia 20 anos em Indaial. Em 2019, o trator foi apresentado em um evento como a novidade que passaria a puxar a estrutura de madeira, com sete metros de comprimento, três metros de largura e 2,8 metros de altura.
E não foi só o carro que mudou.

Uma noite para celebrar quem fez parte da história
Para comemorar o que começou em 2006, parceiros, patrocinadores, integrantes, fundadores e convidados se reuniram no dia 2 de outubro de 2026, no Don Concept Hall, em Blumenau.
Foi uma noite para celebrar duas décadas de envolvimento com a Oktoberfest e, principalmente, as pessoas que transformaram uma brincadeira entre amigos em um projeto que atravessou gerações.

No hall de entrada, outra parte dessa história estava à vista. Trajes utilizados ao longo dos anos foram expostos lado a lado, mostrando como o grupo também mudou na forma de se apresentar.
Dentro do salão, o clima era de confraternização. Teve buffet, chope e até purê de batata acompanhado de Linguiça Blumenau. A trilha sonora ficou por conta do DJ Denny Melo, conhecido do público da Oktoberfest Blumenau.

Os fundadores contam a própria história
A cerimônia começou com a exibição de um vídeo gravado em clima de conversa de bar. Rafael Melo e Ricardo Luis Amorim, dois dos fundadores e também primos, voltaram aos primeiros anos do Wurstwagen. Entre uma lembrança e outra, foram reconstruindo episódios que hoje rendem boas risadas, mas que, naquele momento, precisavam ser resolvidos para que o carro simplesmente conseguisse chegar ao desfile.

E não é que os dois levam jeito para conduzir um bom papo?
As histórias passam pela construção praticamente artesanal da primeira estrutura, pela procura de uma moto, pelos profissionais que aceitaram ajudar e pela corrida atrás de patrocinadores quando dinheiro era justamente o que menos existia.
Um dos primeiros apoios veio da Zehn Bier. Segundo o relato dos fundadores, a parceria começou ainda naquela fase inicial, quando conseguir um barril de chope já fazia uma diferença enorme para o projeto. A relação atravessou as duas décadas seguintes.
O primeiro desfile também teve seus sustos. Ajustes foram feitos quase na hora de sair, a moto deu trabalho e havia aquela dúvida inevitável sobre se tudo realmente funcionaria.
Funcionou. E continuou funcionando.

19 mil linguiças depois…
Os números ajudam a dimensionar o que aconteceu desde então. Antes da edição de 2026, o Wurstwagen contabilizava 98 participações em desfiles, mais de 150 quilômetros percorridos, aproximadamente 15 mil litros de chope e cerca de 19 mil Linguiças Blumenau distribuídas ao público.
Neste ano, a tradição continua. A previsão é entregar mais de 200 Linguiças Blumenau da IPOM e aproximadamente 150 litros de chope da Zehn Bier em cada participação.
A Linguiça Blumenau, aliás, deixou há muito tempo de ser apenas um produto conhecido regionalmente e conquistou Indicação Geográfica, reconhecimento ligado à sua origem e modo tradicional de produção.

Roupa nova e identidade renovada
Chegar aos 20 anos também foi motivo para mudar algumas coisas. Durante a comemoração foram apresentados os novos trajes do Wurstwagen. O projeto buscou unir conforto, elegância e elementos capazes de preservar a identidade construída nas últimas duas décadas. Afinal, não se trata de uma roupa comum. É um traje usado para caminhar, dançar e permanecer durante horas nos desfiles.

Também foi revelada a nova identidade visual.
O projeto gráfico trouxe uma tipografia mais legível, cores mais vivas e uma representação da linguiça mais próxima do produto tradicional. A nova paleta inclui tons definidos como bege, vermelho rústico e ouro bávaro, além de ilustrações desenvolvidas para ampliar as possibilidades de aplicação da marca.
As novidades chegaram acompanhadas de uma nova coreografia, preparada para as apresentações desta edição da Oktoberfest. O carro chama atenção, mas são as pessoas que fazem tudo acontecer.


Hoje, há pessoas que não estavam no começo, crianças crescendo dentro do grupo e famílias inteiras participando. Essa passagem entre gerações é justamente uma das formas de manter a tradição viva — um desafio para a atual presidente do Wurstwagen, Suellen Manarin, e para quem vier a sucedê-la.
A própria comemoração dos 20 anos deixou isso evidente. Os fundadores foram chamados ao palco e receberam uma homenagem. O grupo também lembrou Lilian Ribeiro, que durante anos esteve ligada à organização dos desfiles da Oktoberfest.
No fim, talvez esteja aí a explicação para o Wurstwagen ter chegado tão longe. O trator mudou. Os trajes também. O carro ficou maior, ganhou tecnologia, identidade própria e atravessou quase uma centena de desfiles.
Mas, por trás da linguiça entregue para quem acompanha a festa na Rua XV, continua existindo aquilo que colocou tudo em movimento em 2006: um grupo de amigos querendo participar da Oktoberfest do seu próprio jeito.
E, pelo visto, a ideia deu certo.
Assista o vídeo com a festa e entrevista



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