Santa Catarina registrou três tornados durante a passagem das fortes tempestades de quarta-feira (4/11/26). A Defesa Civil confirmou nesta quinta-feira (5) que Rio Negrinho, no Planalto Norte, também foi atingido pelo fenômeno. Até então, os outros dois casos haviam sido identificados em Chapecó e Xanxerê, no Oeste do estado.
Os temporais foram provocados por uma intensa linha de instabilidade que atravessou o território catarinense, com rajadas de vento superiores a 100 km/h em diferentes regiões. Em Rio Negrinho, o sistema chegou no início da tarde e foi detectado pelos radares meteorológicos por volta das 13h30.
A confirmação do terceiro tornado ocorreu após a análise de imagens aéreas e dos estragos deixados pela tempestade. Na área rural a oeste do centro de Rio Negrinho, perto da BR-280, os técnicos identificaram um corredor estreito de destruição, com árvores quebradas, arrancadas pela raiz e derrubadas em diferentes direções.
Entre os danos registrados estão araucárias com as copas danificadas, grandes áreas de vegetação atingidas e residências com telhados destruídos.
Padrão de destruição ajudou a identificar o tornado
Um dos principais indícios encontrados pela Defesa Civil foi a maneira como as árvores caíram. Ao longo do trajeto do fenômeno, a vegetação apareceu derrubada em direções que apontavam para o centro da circulação dos ventos.
Esse comportamento é típico de tornados, já que os ventos convergem para o centro da circulação e podem derrubar árvores em sentidos diferentes de cada lado do rastro.
Outro detalhe ajudou na identificação: a separação bem definida entre os locais atingidos e aqueles que praticamente não sofreram danos. Em alguns pontos, a destruição era intensa, enquanto áreas próximas permaneciam pouco afetadas ou intactas.
Essas características permitiram diferenciar o tornado de outro fenômeno associado às tempestades, conhecido como microexplosão. Nesse caso, o vento desce com força da nuvem e se espalha ao chegar ao solo, fazendo com que as árvores caiam em direções que se afastam de um ponto central.
Nem todos os estragos foram causados pelo tornado
A Defesa Civil esclareceu que o tornado se formou dentro da própria linha de instabilidade que avançava sobre o Planalto Norte. Por isso, os danos observados na região tiveram origens diferentes.
Mesmo na área percorrida pelo tornado, parte da destruição foi provocada pelas rajadas de vento mais lineares que acompanhavam a tempestade. Já em outros pontos de Rio Negrinho, fora do trajeto identificado, os estragos foram associados principalmente aos ventos intensos da linha de instabilidade.
O monitoramento meteorológico também ajudou a reconstruir a passagem do sistema. Imagens do radar de Teixeira Soares, no Paraná, disponibilizadas pelo Simepar, registraram o deslocamento das tempestades sobre Mafra e Rio Negrinho entre 13h16 e 13h31 de quarta-feira (4).
Com a análise dos registros meteorológicos e das imagens aéreas dos danos, a Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina confirmou oficialmente o terceiro tornado associado à linha de instabilidade de 4 de novembro de 2026.



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