Os estragos causados pela chuva intensa, pelos ventos fortes e pelo granizo atingiram 109 municípios catarinenses desde domingo (01). A Defesa Civil de Santa Catarina segue com a entrega de mais de 56 mil itens, entre telhas, cumeeiras, cestas básicas, colchões e kits de acomodação e de limpeza aos municípios que solicitaram auxílio do Estado.
Dois óbitos foram registrados: um em Rio Negrinho, após a queda da estrutura de um posto de combustível, e outro em Xanxerê, onde uma mulher de 46 anos morreu por choque elétrico após o rompimento de um cabo de alta tensão.
Até esta quinta-feira (05|), Oeste, Meio-Oeste, Planalto Norte, Planalto Serrano e Vale do Itajaí registraram destelhamentos, quedas de árvores, danos em edificações públicas e privadas, interrupções no fornecimento de energia elétrica, alagamentos, enxurradas e interdições de vias. Ao todo, são 5.531 habitações afetadas, com 56 pessoas desabrigadas e 252 desalojadas.
O governador Jorginho Mello e o secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil, coronel Fabiano de Souza, irão às áreas atingidas para avaliar os danos provocados pelos temporais e acompanhar a situação dos municípios afetados.
Entre os municípios com o maior número de residências afetadas estão Chapecó, com 2.400 casas; Fraiburgo, 891; Palmitos, 209; Guatambu, 132; Paraíso, 130; e Vargem, com 100.
As coordenadorias regionais da Defesa Civil seguem em campo, apoiando os municípios na avaliação dos danos e na distribuição de materiais às famílias atingidas. Como o levantamento ainda está em andamento, os números podem aumentar nas próximas atualizações.
Decretos de emergência e envio de ajuda humanitária
Abdon Batista, Águas de Chapecó, Anita Garibaldi, Caibi, Catanduvas, Caxambu do Sul, Calmon, Chapecó, Cunha Porã, Cunhataí, Fraiburgo, Guatambu, Iporã do Oeste, Ipumirim, Jaborá, Lages, Macieira, Modelo, Mondaí, Monte Castelo, Paial, Painel, Palmitos, Paraíso, Pouso Redondo, Rio das Antas, Rio Rufino, São Carlos, Serra Alta, Timbó Grande, Vargem e Zortéa. Esses 32 municípios decretaram situação de emergência em decorrência dos estragos causados pelas instabilidades.
A decretação de situação de emergência é uma ferramenta que permite aos municípios receber apoio externo para enfrentar os danos e restabelecer serviços essenciais.
Além dos decretos, 12 cidades solicitaram itens de assistência humanitária: Catanduvas, Chapecó, Fraiburgo, Guatambu, Ipumirim, Modelo, Monte Castelo, Papanduva, Paraíso, Pouso Redondo, Vargem e Zortéa. As entregas estão sendo realizadas conforme as solicitações e seguem em andamento ao longo das próximas horas.
Oeste e Meio-Oeste
Dois tornados foram confirmados na quarta-feira (04), no Oeste catarinense, um em Chapecó e outro em Xanxerê. Em Chapecó, cerca de 2.400 residências e indústrias tiveram destelhamentos, além de quedas de árvores e danos na rede elétrica. Em Xanxerê, houve destelhamentos, veículos tombados na BR-282, obstruções na SC-480 e danos em instalações do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar e de empresas.
O temporal também provocou estragos em outros municípios do Oeste. Em Palmitos, 209 habitações foram afetadas e 64 vias ficaram interditadas ou obstruídas. O vendaval também atingiu 24 estabelecimentos comerciais, três escolas, três hotéis e 49 galpões, cinco deles derrubados. Em Ipumirim, a tempestade destruiu telhados do Hospital São Camilo, da Escola Claudino Locateli e de 40 residências. Em Tunápolis, o hospital municipal teve o centro cirúrgico destruído e 11 pacientes precisaram ser remanejados. Em Belmonte, duas crianças ficaram feridas.
Guatambu, com 132 habitações; Paraíso, com 130; Seara, com 71; e Caxambu do Sul e Pinhalzinho, com 60 cada, também estão entre os municípios com mais residências atingidas. A falta de energia elétrica afetou milhares de unidades consumidoras na região.
No Meio-Oeste, Fraiburgo soma 891 habitações afetadas pelos vendavais com o granizo de domingo e quarta-feira, com duas vias interditadas e um abrigo aberto. Em Vargem, enxurradas e alagamentos no Centro afetaram 100 habitações e deixaram 100 pessoas desalojadas. Em Zortéa, um abrigo público foi aberto para atender 10 desabrigados e 12 desalojados. Em Jaborá, a tempestade atingiu todo o território do município e danificou os telhados do Posto de Saúde Central, da Escola Alberto Bordin e de outras edificações, afetando cerca de 800 pessoas; 32 habitações foram atingidas. Em Caçador, quatro rodovias estaduais chegaram a ser interditadas por queda de árvores, e em Catanduvas houve bloqueios na BR-282 e na SC-355.
Planalto Norte e Serrano
No Planalto Norte, Rio Negrinho teve 82 habitações afetadas e cinco vias interditadas, com danos em residências, indústrias e nas redes de energia elétrica e internet. Quatro pessoas ficaram desalojadas. A chuva severa com granizo atingiu 84 habitações em Papanduva e 77 em Monte Castelo, onde a Defesa Civil distribuiu lonas. Em Canoinhas, os ventos fortes destelharam duas unidades de educação infantil e uma escola estadual, além de 30 residências.
Em Rio Negrinho e em Timbó Grande, os meteorologistas da Defesa Civil de Santa Catarina seguem analisando os dados e os registros dos danos para verificar a possível ocorrência de tornados nos municípios.
No Planalto Serrano, o vendaval com granizo de terça-feira, 3, seguido do transbordamento do Rio Carah na manhã de quarta-feira, afetou 96 habitações em Lages, deixando 24 desalojados, 12 desabrigados e 14 vias interditadas. Em Rio Rufino, os alagamentos deixaram 34 pessoas desabrigadas e 11 desalojadas. Em Anita Garibaldi, o granizo danificou hospital, CRAS e escolas, com aulas suspensas em duas unidades, e atingiu 70 habitações. Em Bom Retiro, o transbordamento de rios isolou sete localidades do interior e uma queda de barreira interditou a SC-110, entre Bom Retiro e Urubici.
Vale do Itajaí
Na região do Alto Vale do Itajaí, as chuvas intensas provocaram alagamentos, elevação dos níveis dos rios, interdições de vias e retirada de moradores de áreas atingidas. Em Rio do Sul, o alagamento no bairro Barra do Trombudo bloqueou o acesso à Escola Navarro Lins, e os Bombeiros resgataram 30 pessoas ilhadas, entre crianças e adultos, com o uso de bote inflável. O município tem quatro abrigos abertos e cerca de 30 famílias desabrigadas.
Em Aurora, a elevação do Rio Itajaí do Sul deixou quatro localidades isoladas, e uma movimentação de massa bloqueou o Ribeirão Aurora. Em Agronômica, cinco residências foram inundadas, um deslizamento de encosta atingiu uma estrada vicinal e 12 pessoas ficaram desalojadas. Trombudo Central também abriu um abrigo e tem 12 desalojados. Em Pouso Redondo, o vendaval seguido de chuva persistente afetou 36 habitações e deixou 58 pessoas desalojadas.
Previsão do tempo
A madrugada de quinta-feira começou com tempo instável e chuva entre o Planalto e o Litoral Norte e em parte do Vale do Itajaí, além de temporais isolados na divisa com o Paraná. Com o afastamento da frente fria, as instabilidades perderam força ao longo da manhã, e o tempo voltou a ficar estável em todo o estado. No restante da quinta-feira, a previsão é de tempo firme, com variação de nuvens na divisa com o Paraná.
Os temporais voltam na tarde de sexta-feira (06) e podem atingir todas as regiões catarinenses. A atenção fica, principalmente, para o Oeste e para as áreas de divisa com o Paraná. A condição se mantém até a manhã de sábado (07).
Recomendações da Defesa Civil
- Em caso de chuva forte e alagamentos, a Defesa Civil orienta a população a não atravessar ruas, pontes ou áreas alagadas, seja a pé ou de carro, porque a correnteza e a profundidade da água podem ser maiores do que parecem.
- Durante os temporais, a recomendação é buscar abrigo em local seguro e ficar longe de árvores, postes, redes elétricas, placas e estruturas metálicas, além de recolher ou prender objetos que possam ser arremessados pelo vento.
- Quem teve a casa destelhada não deve subir no telhado para fazer reparos durante a chuva ou com ventos fortes, pelo risco de queda e de choque elétrico. O conserto deve ser feito apenas com o tempo firme e, de preferência, com o apoio de outra pessoa e equipamentos de segurança.
- Quem mora em encostas ou perto de barrancos deve ficar atento aos sinais de deslizamento, principalmente após chuvas prolongadas, como rachaduras em paredes, pisos e no terreno, portas e janelas que passam a emperrar, árvores, postes ou muros inclinados e água barrenta minando do solo. Ao perceber qualquer um desses sinais, a recomendação é sair imediatamente do local e avisar a Defesa Civil.
- Em caso de emergência, a população deve acionar a Defesa Civil pelo 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.
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