A eleição de 2026 consolidou Dr. Vicente Caropreso, do União Brasil, como o principal nome do Vale do Itapocu na Assembleia Legislativa. Reeleito com 79.663 votos em Santa Catarina, o deputado alcançou a maior votação de sua trajetória e praticamente dobrou o desempenho de 2022, quando havia recebido 39.792 votos.

Em Jaraguá do Sul, Caropreso somou 38.223 votos. Quase metade de toda a sua votação estadual, portanto, saiu do município onde construiu sua principal base política. O número mostra que, além de preservar um eleitorado fiel, o parlamentar conseguiu ampliar sua presença em outras regiões do Estado.

O resultado ganha ainda mais peso quando observado ao lado do desempenho dos demais candidatos ligados a Jaraguá do Sul. Entre os nomes que disputavam vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, Caropreso foi o único a transformar a votação em uma cadeira.

Na prática, isso o coloca em uma posição de maior protagonismo regional. Jaraguá do Sul e o Vale do Itapocu seguirão levando à Alesc demandas ligadas a saúde, infraestrutura, mobilidade, segurança e investimentos estaduais, mas agora com uma representação parlamentar direta mais concentrada.

A nova composição da Assembleia também exigirá capacidade de articulação. O PL saiu fortalecido das urnas e terá a maior bancada da Casa, com 16 das 40 cadeiras. Caropreso, portanto, inicia o novo mandato em um Legislativo politicamente diferente e com maior peso do partido do governador Jorginho Mello.

Sua votação, porém, oferece capital político importante. Passar de menos de 40 mil votos em 2022 para quase 80 mil quatro anos depois não representa apenas uma reeleição. Mostra expansão eleitoral e reforça sua posição dentro da política catarinense.

Schiochet e Livramento mostram força nas urnas, mas ficam na suplência

Se a disputa estadual terminou com um resultado positivo para Caropreso, a eleição para deputado federal expôs outra realidade para a região.

Fábio Schiochet, do União Brasil, recebeu 80.382 votos em Santa Catarina, votação superior aos 51.824 conquistados em 2022. Mesmo assim, não conseguiu renovar o mandato e ficou como suplente.

Fábio Schiochet recebeu 80.382 votos, mas não conseguiu renovar o mandato na Câmara | Foto: Divulgação

Rodrigo Livramento, do Novo, também apresentou desempenho expressivo. Foram 42.981 votos no Estado, sendo 26.608 apenas em Jaraguá do Sul. Mais de 60% de sua votação veio do município, demonstrando forte concentração eleitoral em sua principal base.

Os dois casos ajudam a explicar um dos efeitos do sistema proporcional. Uma votação individual elevada não garante, sozinha, uma cadeira. O desempenho do partido ou da federação influencia diretamente o número de vagas disponíveis.

Somados, Schiochet e Livramento ultrapassaram 123 mil votos, mas nenhum deles foi eleito.

Rodrigo Livramento fez 42.981 votos e ficou na suplência para deputado federal | Foto: Divulgação

O resultado produz uma consequência política relevante para Jaraguá do Sul: a cidade ficará sem um deputado federal diretamente ligado ao município a partir de 2027. Isso reduz a presença própria da região em Brasília e aumenta a necessidade de articulação com parlamentares de outras bases para a defesa de recursos, obras e projetos federais.

As urnas de 2026 mostraram, assim, dois movimentos distintos. De um lado, Caropreso saiu fortalecido e com a maior votação de sua carreira. De outro, votações expressivas para a Câmara não se converteram em mandato. O Vale manteve força eleitoral, mas terminou a eleição com uma representação parlamentar mais enxuta.

Fato curioso

Júlia Zanatta (PL) recebeu 14.383 votos em Jaraguá do Sul nas eleições de 2026, o equivalente a 13,92% dos votos válidos para deputado federal no município. Ela foi a segunda candidata mais votada em Jaraguá, atrás apenas de Rodrigo Livramento, que teve 26.608 votos.

No total de Santa Catarina, Júlia foi a deputada federal mais votada, com 560.223 votos

Mesmo em Jaraguá, Lunelli fica atrás de Carol de Toni e Carlos Bolsonaro para o Senado

A disputa pelo Senado também deixou um resultado de forte interesse regional. Ex-prefeito de Jaraguá do Sul e deputado estadual eleito em 2022, Antídio Lunelli (MDB) não conseguiu superar os dois candidatos do PL nem mesmo no município onde construiu grande parte de sua trajetória política.

Antídio Lunelli não conquistou uma das vagas ao Senado | Foto: Divulgação

Em Jaraguá, Carol de Toni (PL) foi a candidata ao Senado mais votada, com 67.593 votos, ou 33,88% dos válidos. Carlos Bolsonaro (PL) apareceu em segundo, com 47.506 votos e 23,81%. Lunelli ficou na terceira posição, com 35.704 votos, equivalentes a 17,90%.

O resultado chama atenção pelo vínculo do candidato com a região. Natural de Corupá, Lunelli comandou a Prefeitura de Jaraguá do Sul antes de chegar à Assembleia Legislativa e apostava no Vale como uma de suas principais bases eleitorais.

Nas urnas, porém, a força das duas candidaturas do PL prevaleceu. O padrão também apareceu em municípios vizinhos, mostrando que a ligação regional de Lunelli não foi suficiente para superar o desempenho da chapa do partido que saiu fortalecido das urnas catarinenses. No resultado estadual, Carol de Toni e Carlos Bolsonaro conquistaram as duas vagas em disputa.

 

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