Última semana vira corrida por votos em eleição apertada entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL)
Pesquisas divulgadas às vésperas do primeiro turno mostram diferenças nos percentuais, mas convergem em um ponto: a disputa entre os dois principais candidatos segue aberta, principalmente em uma eventual segunda etapa.

Faltam seis dias para o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e começa agora a parte mais curta — e provavelmente mais intensa — da campanha presidencial. É quando cada entrevista, debate, viagem, programa eleitoral e movimento nas redes passa a ter um objetivo bem direto: buscar os votos que ainda podem mudar de lado ou consolidar uma escolha.

As pesquisas divulgadas nesta reta final ajudam a dimensionar esse cenário, mas não contam exatamente a mesma história. Na BTG/Nexus desta segunda-feira (28/09/26), Lula (PT) aparece com 42% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) tem 37%. Em relação à rodada anterior, o presidente oscilou dois pontos para cima, enquanto o senador permaneceu com o mesmo percentual.

A Quaest também coloca Lula numericamente à frente, com 39%, contra 34% de Flávio Bolsonaro. A diferença é novamente de cinco pontos. Nas duas pesquisas, portanto, o presidente chega à última semana na frente no cenário de primeiro turno, embora os números não permitam tratar a eleição como definida.

E há outros levantamentos importantes mostrando uma distância diferente.

O Datafolha, divulgado na quinta-feira (24), registrou Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 36%. Na rodada anterior do mesmo instituto, eram 39% e 36%, respectivamente. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, o levantamento apontou uma vantagem estreita para o petista.

Já o PoderData/Aya encontrou um cenário ainda mais próximo. Em votos válidos, Lula marcou 43% e Flávio, 42%. Foram feitas 3 mil entrevistas em 723 municípios, entre os dias 20 e 23 de setembro.

A Futura, por sua vez, mostrou uma fotografia diferente: Flávio Bolsonaro apareceu com 40,4% e Lula com 38,4% no primeiro turno. O levantamento ouviu 2 mil eleitores entre 19 e 23 de setembro e tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais.

Esses números não devem ser colocados como se fossem capítulos de uma única pesquisa. Cada instituto utiliza metodologia, amostra e período de coleta próprios. Uma compilação publicada pelo portal Poder360, reunindo dez levantamentos nacionais realizados entre 9 e 23 de setembro, já mostrava justamente essa variação entre os estudos.

A disputa pelo voto da última hora

É nesse quadro que Lula e Flávio Bolsonaro entram nos últimos dias de campanha. Mais do que ampliar suas bases tradicionais, as campanhas chegam à reta final tentando transformar simpatizantes em votos efetivos, reduzir perdas para outros candidatos e conquistar quem ainda não fechou sua escolha.

Os candidatos que aparecem atrás dos dois líderes também passam a ter importância nessa conta. No Datafolha, Augusto Cury tinha 5%, Ronaldo Caiado, 4%, e Renan Santos, 3%. São eleitores que podem permanecer com suas escolhas até domingo ou migrar diante dos apelos por voto útil feitos nesta fase da campanha.

Essa transferência ganha ainda mais peso quando se olha para um eventual segundo turno.

Segundo turno continua apertado

Se o primeiro turno apresenta diferenças entre os institutos, o confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro aparece ainda mais equilibrado. Na Quaest, os dois registram 42%. Na BTG/Nexus, Lula aparece com 46% e Flávio com 44%, resultado dentro da margem de erro.

O Datafolha encontrou situação semelhante: 47% para Lula e 45% para Flávio Bolsonaro, também dentro da margem de erro de dois pontos.

Já o PoderData/Aya registrou Flávio numericamente à frente, com 46%, contra 45% de Lula. A diferença de apenas um ponto também configura empate técnico. Ou seja, as pesquisas variam sobre quem aparece numericamente na frente, mas os levantamentos recentes apontam margens pequenas no confronto direto.

Religião também aparece no movimento do eleitorado

Um dos recortes que merece atenção na Quaest está no voto religioso. Entre os católicos, Lula passou de 46% para 50% em uma semana, enquanto Flávio Bolsonaro permaneceu com 37%. A diferença nesse grupo aumentou de nove para 13 pontos.

Entre os evangélicos, ocorre o inverso: Flávio continua à frente, com 54%, contra 30% de Lula, embora a vantagem tenha diminuído em relação à rodada anterior.

A pesquisa foi realizada entre 24 e 27 de setembro, período que coincidiu com a repercussão da polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida nas redes sociais. Essa coincidência temporal, porém, não permite afirmar que o episódio tenha sido responsável pela mudança registrada entre os entrevistados.

País continua dividido por regiões

Os números regionais também ajudam a explicar por que os últimos dias são importantes para as campanhas.

Na Quaest, Lula aparece com 53% no Nordeste, contra 30% de Flávio Bolsonaro. No Sul, a situação se inverte: o senador registra 42%, contra 32% do presidente. No Sudeste, onde está a maior parcela do eleitorado brasileiro, os dois aparecem muito próximos, com 40% para Lula e 39% para Flávio.

O Datafolha também encontrou diferenças importantes dentro do próprio Sudeste: Flávio aparece numericamente à frente em São Paulo e no Rio de Janeiro, enquanto Minas Gerais apresenta empate.

Seis dias que ainda podem mexer nos números

Com pesquisas apontando desde vantagem de Lula até cenários de empate técnico e levantamento com Flávio numericamente à frente, a última semana começa sem uma fotografia única da eleição.

O que já aparece com mais clareza é a concentração da disputa nos dois principais nomes e a diferença pequena entre eles em simulações de segundo turno. Os próximos dias serão usados pelas campanhas para tentar reduzir rejeições, mobilizar quem já demonstra preferência e disputar os eleitores que ainda podem trocar de candidato.

A partir de agora, o calendário também pesa. Restam poucos dias de propaganda, entrevistas, debates e mobilização nas ruas e nas redes antes de o eleitor transformar todas essas pesquisas em voto.

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