Uma bola, uma corda ou uma roda de amigos. Brincadeiras que marcaram a infância de diferentes gerações disputam hoje a atenção das crianças com celulares, computadores e televisores. Com a chegada do Dia das Crianças, celebrado nesta segunda-feira (12), essa convivência traz um desafio para escolas e famílias: garantir que as telas não ocupem o tempo de brincar e de descobrir o mundo.

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Para a diretora do Departamento de Educação Infantil, Francielle Carvalho Taborda, a preocupação vai além do tempo diante dos aparelhos. Envolve preservar experiências importantes para o desenvolvimento, como o movimento, a imaginação e as relações com outras pessoas.

“Um dos grandes desafios da atualidade hoje para nós, que estamos em contato com os pequenos, é garantir que as telas não ocupem o lugar das brincadeiras”, afirma.

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Segundo Francielle, enfrentar esse desafio exige participação tanto dos educadores quanto dos responsáveis. Como as crianças passam parte significativa do dia no ambiente escolar, cabe à escola oferecer espaços e propostas que despertem o interesse pelo brincar. Em casa, as famílias também precisam apresentar alternativas, estabelecer limites e acompanhar o uso da tecnologia.

O comportamento dos adultos faz parte desse processo.

“Não adianta a gente querer e pedir que a criança não esteja em frente a uma tela, mas o adulto não fazer a sua parte nesse sentido também”, observa.

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Brincadeiras de roda, jogos com bola e atividades com corda ajudam a ampliar as possibilidades de diversão para além dos aparelhos. A proposta é fazer com que a criança encontre prazer nas experiências compartilhadas com colegas, professores e familiares.

Primeiros anos pedem atenção especial

Francielle destaca a primeira infância, principalmente os primeiros anos de vida, como um período fundamental para priorizar experiências reais. Para os bebês e as crianças pequenas, conhecer o mundo passa por tocar, experimentar, movimentar-se e interagir.

Nesse contexto, ela defende o brincar livre e o contato com a natureza. Grama, areia e a possibilidade de se sujar também fazem parte das descobertas infantis. A falta dessas vivências, segundo a diretora, é outro desafio percebido pelos educadores.

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“Cuidar da infância também significa proteger o tempo de ser criança”, ressalta.

Ao abordar os limites, Francielle cita as orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP): evitar a exposição às telas antes dos dois anos e, entre dois e cinco anos, limitar o uso a no máximo uma hora por dia, sempre com supervisão de pais ou responsáveis. As recomendações constam no manual Menos Telas, Mais Saúde, atualizado em 2024.

Para ajudar na organização da rotina familiar, a diretora sugere combinar os períodos de uso. Um cartão de tempo, por exemplo, pode tornar esse acordo mais concreto para a criança. O limite, porém, precisa vir acompanhado de outras oportunidades de diversão e convivência.

Escola aposta no prazer de estar junto

A secretária de Educação de Balneário Camboriú, Zélia Zanella, também reconhece a dimensão do desafio. Segundo ela, as escolas estão reduzindo a frequência do uso da televisão e buscando valorizar momentos de interação entre as crianças.

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Na avaliação da secretária, a presença da tecnologia no cotidiano exige que os educadores ofereçam experiências agradáveis, capazes de despertar o interesse pelas relações pessoais, pelas trocas com os amigos e pelas brincadeiras coletivas.

Zélia lembra que a televisão também provocou receios quando surgiu e que, desde então, a tecnologia se ampliou. Para ela, o trabalho da educação deve considerar essa realidade e aproveitar os recursos digitais quando contribuírem para as propostas pedagógicas e para o aprendizado.

Ao mesmo tempo, a escola precisa ser um lugar onde a criança tenha prazer em conversar pessoalmente, brincar e estar com outras pessoas. Como o acesso aos aparelhos também acontece em casa, esse esforço depende da continuidade dos cuidados no ambiente familiar.