Felipe Kuhn Braun tem uma relação curiosa com a história. Começou a pesquisar a própria genealogia aos 14 anos, em 2001. Vinte e cinco anos depois, virou uma das principais referências sobre imigração alemã no Brasil. Autor de 35 livros, ele fará uma palestra gratuita às 19h30 desta quinta-feira (24/09/26) no Centro Cultural 25 de Julho em Blumenau.
O encontro vai abordar a trajetória da imigração alemã no país, os desafios dos primeiros colonos e a contribuição dessas comunidades para a formação cultural, social e econômica do Brasil. Braun também vai falar sobre o trabalho da Federação dos Centros de Cultura Alemã do Brasil (FECCAB), entidade que preside desde 2024 e que completa 75 anos em 2026.
Quem é Felipe Kuhn Braun
Nascido em Novo Hamburgo (RS) em 1987, Braun é formado em Jornalismo pela Universidade Feevale. Mas o currículo vai muito além da faculdade. Ele é coordenador de Genealogia do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo, colaborador do Instituto de Estudos Históricos da Universidade de Mainz, na Alemanha, e membro do grupo de estudos sobre Brasil e Portugal da Universidade de Buenos Aires, na Argentina.
Na política, foi vereador mais votado de Novo Hamburgo em 2020, com 4.041 votos. Também presidiu o Legislativo da cidade em 2018. Em 2014, recebeu o Prêmio Revelação Imigração Alemã, um dos principais reconhecimentos da área no Rio Grande do Sul. Três anos depois, foi patrono da 22ª Feira do Livro de Nova Petrópolis.
Os livros que fizeram barulho
Braun publicou 35 obras ao longo da carreira. Algumas chamam mais atenção que outras.
“As Noivas de Preto” é uma delas. O livro investiga um costume que parece estranho hoje: mulheres de origem alemã se casando de preto. Não era luto. Era pobreza. O vestido escuro servia para o casamento e depois para o dia a dia. A obra traz 111 fotografias antigas selecionadas pelo autor, mostrando que o preto era a cor do cotidiano naquela época.
“Famílias Teuto-Brasileiras: História e Genealogia” foi o vigésimo livro dele. A publicação reúne 4 mil nomes de descendentes de 24 famílias de origem germânica estabelecidas no sul do Brasil. O livro, de 280 páginas, também conta com capítulos sobre a formação do povo alemão, passando por Carlos Magno, a Ordem Teutônica, a Reforma Protestante e a Guerra dos 30 Anos.
“Luxemburgueses no Brasil” é a primeira obra dedicada exclusivamente à imigração luxemburguesa no país. O pesquisador revela que os luxemburgueses representam cerca de 1% dos 300 mil imigrantes de origem germânica que chegaram ao Brasil entre 1824 e o pós-Segunda Guerra Mundial. O livro percorre a história do Grão-Ducado e a trajetória das famílias que atravessaram o oceano.
“200 anos da imigração alemã no Sul do Brasil” foi lançado em edição bilíngue (português/inglês) em 2024, ano que marcou os dois séculos da chegada dos primeiros imigrantes alemães ao país. A obra resgata memórias, trajetórias e contribuições fundamentais dessas famílias.
O acervo que virou patrimônio
O trabalho de Braun não se limita aos livros. Ele construiu um dos maiores acervos fotográficos sobre imigração alemã no Brasil. São cerca de 47 mil imagens antigas, das quais aproximadamente 11 mil são originais, muitas doadas por famílias que viram no pesquisador a chance de preservar a memória.
Além das fotos, ele mantém uma base de dados com 400 mil nomes de imigrantes de origens germânicas — não só da Alemanha, mas também de Luxemburgo, França, Suíça, Áustria, Hungria, República Tcheca, Polônia, Rússia e Dinamarca. É um trabalho de formiguinha, feito ao longo de mais de 1.000 visitas a famílias, que começou quando ele tinha 14 anos e foi atrás da genealogia da própria família.
A FECCAB e a preservação da cultura alemã
Fundada em 1951, a Federação dos Centros de Cultura Alemã do Brasil nasceu como desdobramento do projeto Socorro à Europa Faminta, criado no pós-guerra para ajudar a população alemã. Hoje, a entidade reúne cerca de 100 filiados espalhados por Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo.
Desde que assumiu a presidência, Braun implementou atividades em diferentes eixos. O trabalho é dividido em eventos, publicações e visitas técnicas. “Assumimos a FECCAB com a proposta de ampliar a Federação e o engajamento dos filiados, através de atividades que pudessem deixar as pessoas motivadas a participar”, disse ele em entrevista ao jornal Gazeta.
A meta é aumentar o número de associados em 50%. Entre as prioridades estão as viagens técnicas, que percorrem museus, casas culturais e espaços em restauração em diferentes cidades. A primeira viagem programada é para Petrópolis, no Rio de Janeiro, de 14 a 17 de maio.
Imigração Alemã no Brasil e FECCAB
Data e horário: quinta-feira (24/09), às 19h30
Local: Centro Cultural 25 de Julho de Blumenau (Rua Alberto Koffke, 354, Centro)
Entrada: Gratuita, mediante inscrição prévia, que pode ser feita clicando aqui
Se você curte história, tem ascendência alemã ou simplesmente quer entender melhor como essa herança moldou o jeito de ser do sul do país, vale a pena aparecer. E se o Felipe começar a contar casos de noivas que se casavam de preto, aí é que a noite rende mesmo.
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