O resultado das eleições acendeu um sinal de alerta na indústria catarinense. A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) manifestou preocupação com o rumo das contas públicas brasileiras e os possíveis efeitos sobre a economia, especialmente na inflação, no custo do crédito e na realização de novos investimentos.

Em manifestação divulgada nesta segunda-feira (26/10/26) e assinada pelo presidente da entidade, Gilberto Seleme, a federação aponta que o aumento de gastos extraordinários e os compromissos assumidos durante o período eleitoral podem agravar a situação fiscal do país. Para o setor industrial, o próximo mandato precisa começar com medidas que coloquem as despesas públicas sob controle.

A FIESC defende que o governo federal adote, com urgência, uma política de responsabilidade fiscal, acompanhada de maior segurança jurídica e previsibilidade econômica. A avaliação é de que essas condições são necessárias para estimular investimentos e permitir que as empresas continuem gerando empregos e renda.

Mas a preocupação não se limita às contas públicas. A entidade também cobra uma mudança na política industrial brasileira, com ações que ajudem a recuperar a competitividade da produção nacional.

Segundo a federação, o modelo atual favorece a entrada de produtos acabados importados, enquanto as empresas instaladas no Brasil enfrentam dificuldades para competir em condições semelhantes com fabricantes estrangeiros. A expectativa é de que o novo governo desenvolva uma política efetiva de reindustrialização, capaz de fortalecer a produção dentro do país e garantir condições mais equilibradas de concorrência.

Rodovias federais de Santa Catarina também entram na cobrança

Outro ponto levantado pela FIESC diz respeito à infraestrutura catarinense. A federação espera que os representantes eleitos pelo estado, principalmente aqueles com maior proximidade com o Executivo federal, trabalhem para solucionar problemas que afetam o transporte e a atividade econômica.

As rodovias federais aparecem entre as principais preocupações. A entidade considera necessário corrigir as graves deficiências da infraestrutura, que fazem parte dos desafios enfrentados pelo setor produtivo de Santa Catarina.

Apesar das dificuldades apontadas, Seleme destaca a capacidade de adaptação da indústria catarinense. Segundo ele, empresários e trabalhadores do estado já enfrentaram diferentes períodos de crise, conseguiram reinventar negócios e mantiveram a produtividade mesmo em cenários econômicos desfavoráveis.

A federação afirma que continuará aberta ao diálogo com o poder público para defender as reformas que considera necessárias e buscar um ambiente mais competitivo e sustentável para a indústria catarinense e brasileira.

A manifestação da FIESC após as eleições reúne, portanto, três cobranças centrais ao novo governo: equilíbrio das contas públicas, fortalecimento da indústria nacional e investimentos para resolver os problemas de infraestrutura de Santa Catarina.

Confira a nota completa da FIESC

O resultado das eleições eleva a preocupação do setor industrial catarinense com a atual trajetória das contas públicas e a grave situação fiscal que o Brasil enfrenta. A intensificação de gastos extraordinários e a ampliação de compromissos assumidos ao longo do período eleitoral tendem a pressionar ainda mais o equilíbrio macroeconômico, com potenciais reflexos na inflação, no custo do crédito e na atratividade para novos investimentos.

Para que o setor produtivo possa gerar empregos e renda, é imprescindível que o governo federal adote, com urgência, uma agenda de rigoroso controle de despesas, responsabilidade fiscal e previsibilidade jurídica.

A FIESC também considera fundamental que no novo mandato, o presidente oriente uma política industrial efetiva, capaz de reindustrializar o país e reverter a falta de competitividade do setor. O atual modelo favorece a importação de produtos acabados, enquanto a produção local não tem condições isonômicas para fazer frente à concorrência internacional.

A Federação espera que os representantes eleitos pelo estado, especialmente os mais próximos do Executivo, atuem para corrigir as graves deficiências de infraestrutura que SC enfrenta, especialmente nas rodovias federais.

Apesar do cenário desafiador, a indústria de Santa Catarina é movida por uma vocação histórica de resiliência e trabalho duro. Ao longo de sua trajetória, o empresariado e os trabalhadores catarinenses demonstraram capacidade ímpar de superar crises, reinventar negócios e manter a produtividade mesmo nos momentos mais adversos.

Confiante nessa força transformadora e no espírito empreendedor do nosso estado, a FIESC manterá os canais abertos de diálogo institucional para defender as reformas necessárias e a busca por um ambiente competitivo e sustentável para a indústria e para o Brasil.

Gilberto Seleme, presidente da FIESC

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