Uma fotografia esquecida na gaveta pode trazer de volta uma lembrança de décadas atrás. Uma música é capaz de despertar emoções que pareciam adormecidas. Para quem já passou dos 60 anos, não faltam histórias para contar. O que nem sempre existe é a oportunidade de dividir essas experiências com outras pessoas.

Pensando em abrir esse espaço de escuta e convivência, o Instituto Gene criou o Vozes e Afetos 60+. O projeto aposta nas lembranças pessoais como ponto de partida para aproximar idosos, incentivar conversas sobre sentimentos e mostrar que diferentes trajetórias podem ter muito em comum.

A proposta vai além de recordar o passado. Os participantes serão convidados a olhar para suas próprias experiências, reconhecer momentos de superação e descobrir novas maneiras de expressar aquilo que viveram.

O que os idosos vão fazer durante o projeto?

As atividades serão organizadas em torno das histórias de cada participante. Uma delas prevê a montagem de uma linha do tempo pessoal, construída com fotografias antigas, músicas e recordações de acontecimentos importantes.

A partir desses materiais, cada idoso poderá apresentar ao grupo passagens da própria vida. A intenção é que as lembranças abram caminho para conversas, identificação entre os participantes e fortalecimento das relações.

Também está prevista uma dinâmica chamada “O dia em que fui mais forte”. Nela, os idosos serão estimulados a revisitar situações desafiadoras e compartilhar como enfrentaram esses momentos.

Assim, histórias de dificuldades, conquistas e mudanças poderão ganhar novos significados ao serem divididas com outras pessoas.

O trabalho terá, inicialmente, dois meses de duração. A continuidade dependerá de como o grupo se desenvolver ao longo das atividades.

Outra possibilidade é transformar parte dessas experiências em um podcast coletivo. A gravação permitiria reunir as vozes dos participantes e preservar alguns dos relatos compartilhados durante o projeto.

Participantes serão chamados de ‘Patrulheiros do Afeto’

À frente da criação e realização das atividades está Elisabeth Serpa Vieira. Ela escolheu uma forma carinhosa de se referir aos idosos envolvidos na proposta: Patrulheiros do Afeto.

O nome traduz a intenção de fazer com que cada participante encontre no grupo um ambiente de acolhimento, onde possa falar sobre a própria vida e também ouvir as experiências dos demais.

“No Vozes e Afetos, cada história compartilhada nos mostra que não estamos sozinhos: aquilo que sentimos também vive no outro. É sobre pertencer, acolher e descobrir que nossas emoções nos unem. Carinhosamente, chamo nossos participantes de ‘Patrulheiros do Afeto’, porque juntos espalhamos afeto e fortalecemos os laços que dão sentido à vida”, conta Elisabeth.

A coordenação do Vozes e Afetos 60+ é de Malvina Juliane Ribeiro, que também coordena o Inova 60+, programa do Instituto Gene ao qual a nova atividade está vinculada.

Da tecnologia às lembranças: diferentes formas de envelhecer e aprender

O Instituto Gene já desenvolve outras duas propostas dentro do Inova 60+. Cada uma trabalha uma dimensão diferente da participação dos idosos na sociedade.

No Inova 60+ Digital, o objetivo é facilitar o contato desse público com a tecnologia e ajudar no uso de recursos digitais.

Já o De Guru Para Guri promove a aproximação entre adolescentes e idosos. A ideia é colocar gerações diferentes em contato para que ambas possam ensinar, aprender e compartilhar experiências.

Com a chegada do Vozes e Afetos, o programa passa a explorar também as memórias e os sentimentos como ferramentas de conexão entre pessoas.

“Ao integrar o Inova 60+, o Vozes e Afetos amplia o olhar sobre o envelhecimento e sobre o próprio significado da inovação. Inovar também é criar oportunidades para que as pessoas continuem aprendendo, participando da comunidade, fortalecendo relações e encontrando novas formas de se expressar”, finaliza Malvina Juliane Ribeiro, que atua como coordenadora do Inova 60+.

Instituto Gene tem atuação regional

Além de desenvolver iniciativas como o Inova 60+, o Instituto Gene é responsável pela gestão do Centro de Inovação Blumenau (CIB).

O espaço reúne representantes do setor público, empresas, universidades e organizações do terceiro setor, criando conexões para o desenvolvimento de negócios e soluções inovadoras.

Nos primeiros cinco anos de operação, as startups instaladas no CIB somaram mais de R$ 18 milhões em investimentos. As atividades realizadas nesse período também alcançaram mais de 111 mil pessoas.

O Instituto Gene desenvolve ações nos 11 municípios que fazem parte da Associação dos Municípios do Vale Europeu (AMVE): Blumenau, Gaspar, Indaial, Pomerode, Timbó, Rodeio, Ascurra, Apiúna, Benedito Novo, Doutor Pedrinho e Rio dos Cedros.

Agora, com o Vozes e Afetos 60+, a proposta é dar espaço a um patrimônio que não aparece em números: as experiências de quem tem uma vida inteira para contar. Porque uma lembrança pode até pertencer a uma pessoa, mas ganha outra força quando encontra quem queira escutar.

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