Imagine entrar em uma das grandes Festzelte da Oktoberfest de München. Milhares de pessoas dividem longas mesas de madeira enquanto garçons atravessam os corredores carregando Maßkrüge, os tradicionais canecos de um litro. No centro da tenda, uma Kapelle conduz a música. De repente, começam alguns compassos conhecidos. Conversas são interrompidas, os canecos sobem e milhares de vozes cantam juntas: “Ein Prosit, ein Prosit der Gemütlichkeit…”. Segundos depois, o salão responde: “Oans, zwoa, drei, g’suffa!”

A cena parece tão antiga quanto a própria Oktoberfest. Não é. Na primeira festa, realizada em 1810, não existiam grandes tendas, bandas comandando multidões ou milhares de pessoas reunidas sob o mesmo teto. Durante boa parte do século XIX, a cerveja foi servida em pequenas barracas. Somente nas últimas décadas daquele século essa paisagem começou a mudar.

Foi nesse momento que um Gastwirt, proprietário de uma casa gastronômica, vindo de Nürnberg entrou na história da Wiesn, como os habitantes de München chamam a Oktoberfest. Georg Lang não inventou sozinho as grandes Bierhallen nem foi responsável por todas as transformações da festa. Sua contribuição foi outra: percebeu que escala, música, gastronomia, cenografia e participação popular poderiam funcionar como uma experiência única. Mais de um século depois, seria lembrado em München como Erfinder der Bierzeltstimmung — o inventor da atmosfera das tendas de cerveja.

O KROKODILWIRT DE NÜRNBERG

Georg Lang nasceu em Nürnberg em 27 de julho de 1866, nas proximidades da Hadermühle, filho de um arrendatário de estabelecimento gastronômico. O universo dos Wirte fazia parte, portanto, de sua vida desde cedo. Em janeiro de 1889, assumiu o Krokodil, na Weintraubengasse 2. No mesmo período casou-se com Wilhelmine Margaretha Birkmann, conhecida como Mina, que acompanharia sua trajetória e, depois de sua morte, daria continuidade aos negócios da família.

O nome Krokodil o acompanharia durante boa parte da vida. Lang ficou conhecido como “Krokodilwirt”, o proprietário do Krokodil, e o crocodilo tornou-se uma espécie de assinatura visual de seus empreendimentos. No estabelecimento era servida cerveja da Lederer-Brauerei, e o conhecido símbolo da cervejaria — um crocodilo envolvendo um caneco — está ligado à história do Krokodil e ao artista Friedrich Wanderer, frequentador do local.

Foi também ali que começou a aparecer uma das ideias que mais tarde marcariam sua atuação na Wiesn. Lang percebebera que um ambiente animado fazia a cerveja circular com maior facilidade. Por isso, mantinha diariamente uma Kapelle de aproximadamente 25 músicos e anunciava até a iluminação elétrica, ainda incomum, como atração. Música, ambiente e consumo já faziam parte do mesmo negócio muito antes da Riesenhalle de München.

A própria personalidade de Lang contribuía para sua projeção. Um cartão-postal de 1898 trazia a frase em dialeto: “Des is der Schurschl, den a jeder kennt!” — algo como “Esse é o Schurschl que todo mundo conhece!”. Schurschl era uma forma popular de Georg, e a frase sugere que ele já havia se tornado uma figura conhecida em Nürnberg. Registros locais acrescentam uma pequena história que combina curiosamente com seu temperamento: Lang chegou a ser punido por conduzir sua carruagem rápido demais pelas ruas da cidade.

Outros empreendimentos seguiram. Entre 1896 e 1899 esteve ligado ao Goldener Hahn, na Königstraße, que rebatizou como Reichshalle; a partir do fim de 1898, o local também recebeu autorização para funcionar como Varieté-Theater. Em 1897, durante o 12º Deutsches Bundesschießen, grande encontro nacional das associações de tiro realizado em Nürnberg, Lang administrou uma Festhalle e ganhou projeção como Großgastronom, empresário da gastronomia de grande escala. No ano seguinte, decidiu levar essa experiência para München.

CINCO BARRACAS, UMA RIESENHALLE

A transformação da estrutura da Wiesn já havia começado antes da chegada de Lang. Em 1895, o Winzerer Fähndl recebeu autorização para erguer uma construção maior e, no ano seguinte, o Schottenhamel avançou na mesma direção. Lang, porém, imaginava uma escala muito maior.

Havia um obstáculo: ele não era de München e as regras dificultavam seu acesso direto aos espaços da festa. A solução foi assegurar, por meio de Wirte locais, cinco lotes contíguos fora do tradicional Wirtsbudenring, o círculo das antigas barracas gastronômicas, e reuni-los em uma única construção. Assim surgiu, na Oktoberfest de 1898, a “1. Bayerische Riesenhalle”.

A construção tinha aproximadamente 50 metros de comprimento por 20 de largura e capacidade para cerca de 6.000 pessoas. Para beber, havia Märzen da Münchner Kindl-Brauerei; na cozinha, Lang fazia questão de anunciar as tradicionais Nürnberger Rostbratwürste. A combinação unia München e Nürnberg em um mesmo espaço.

A Riesenhalle empregava cerca de 120 pessoas e precisava alimentar e servir milhares de visitantes, manter cerveja e alimentos circulando, recolher canecos, organizar pagamentos e abastecer estoques enquanto o salão permanecia em funcionamento. Seria anacrônico atribuir a Lang conceitos contemporâneos de gestão, mas a dimensão do empreendimento o obrigava a enfrentar problemas que hoje reconheceríamos como logística e coordenação operacional. Uma Festhalle para 6.000 pessoas precisava funcionar com precisão.

UMA KAPELLE NO CENTRO DA FESTA

Em 1898, Lang colocou em sua Riesenhalle uma formação de aproximadamente 30 músicos conhecida como “Langs Original Oberlandler”. Eles tocavam de um pódio, ocupando posição central na experiência da tenda. Registros históricos o apontam como o primeiro Festwirt da Wiesn a utilizar dessa maneira uma grande Kapelle de cerca de 30 integrantes.

O próprio anúncio da Riesenhalle prometia, a partir das 10 horas, grandes concertos gratuitos com uma Hauskapelle de 30 músicos em trajes do Oberland e destacava algo significativo: “ohne Sammeln” — sem a tradicional coleta de dinheiro entre as mesas. A Blasmusik evidentemente já fazia parte das festas populares, mas ali ganhava outra escala e uma posição muito mais estruturante.

A fórmula encontrou rápida aceitação. Pouco tempo depois, as grandes formações em trajes associados ao Oberland já haviam se espalhado por outras tendas, ajudando a consolidar uma estética musical que seria posteriormente reconhecida como parte da própria Bierzeltmusik.

Georg Lang diante de sua Oberlandler Blaskapelle na Oktoberfest de 1902. A grande Kapelle sobre o pódio tornou-se um dos elementos centrais da atmosfera criada em suas Festhallen. | Fonte: Bernhard Dittmar / Stadtarchiv München / Bavarikon – CC BY-ND 4.0.

 

DE ESPECTADORES A PARTICIPANTES

Lang compreendeu também que ouvir música era apenas uma parte da experiência. Seu passo seguinte foi fazer o público cantar. Mandou imprimir aproximadamente 50 mil Liederhefte, livretos com as letras das músicas executadas pela Kapelle, distribuídos gratuitamente aos visitantes. Na capa aparecia a frase: “Alt und Jung sich amüsieren kann, in der Riesenhall’ beim luft’gen Lang” — jovens e velhos podiam se divertir na Riesenhalle do animado Lang.

Em uma época sem microfones ou sistemas de amplificação, os livretos cumpriam uma função prática importante. Uma placa indicava o número da música que seria tocada, permitindo ao visitante localizá-la no livreto, enquanto pequenos bastões eram distribuídos para marcar o ritmo. Assim, a Kapelle fornecia a melodia, o Liederheft oferecia as palavras e o público podia acompanhar o compasso.

Milhares de pessoas espalhadas por diferentes mesas podiam, por alguns minutos, transformar-se em um grande coro. Até o repertório carregava marcas da trajetória de Lang: entre as músicas aparecia o “Krokodil-Marsch”, com referências ao antigo estabelecimento e à “alte Noris”, denominação poética de Nürnberg. Uma fotografia de 1902 mostra o próprio Lang diante da Kapelle, assumindo a posição de regente.

EIN PROSIT: DE CANÇÃO A RITUAL DA WIESN

“Ein Prosit, ein Prosit der Gemütlichkeit.” Poucas melodias estão tão ligadas à Oktoberfest quanto esses poucos compassos. A própria palavra Prosit vem do latim e carrega a ideia de um desejo de bem-estar, algo próximo de “que faça bem”. Ein Prosit der Gemütlichkeit poderia ser entendido, portanto, como “um brinde à Gemütlichkeit”.

A origem da canção, entretanto, não é inteiramente clara. A composição é frequentemente atribuída a Bernhard Traugott Dietrich, músico de Chemnitz, enquanto outras referências relacionam texto e melodia a Georg Kunoth, de Bremen. Para a história de Lang, a controvérsia altera pouco o ponto essencial: ele não precisava ter composto o Ein Prosit para desempenhar um papel importante em sua transformação em ritual da Wiesn.

A canção já aparece no Liederheft de sua Festhalle de 1898, e a expressão “Ein Prosit der Gemütlichkeit” também estava exposta na Riesenhalle. Curta, fácil de memorizar e repetitiva, conduzia naturalmente a um gesto coletivo: levantar o caneco e brindar. Ao Ein Prosit acabaria associado também o conhecido chamado “Oans, zwoa, drei, g’suffa!”. A Kapelle tocava, os canecos se erguiam e todos davam juntos um bom gole de cerveja.

Liederheft da Festhalle de Georg Lang na Oktoberfest de 1898. Cerca de 50 mil livretos com letras das músicas ajudavam o público a acompanhar a Kapelle e transformar a tenda em um grande coro. | Fonte: Münchner Stadtmuseum / Bavarikon – CC0.

 

QUANDO O BRINDE TAMBÉM MOVIMENTAVA AS VENDAS

A lógica não era inteiramente nova para Lang. No Krokodil de Nürnberg ele já havia percebido que boa música e ambiente animado faziam a cerveja circular. Na Riesenhalle, porém, essa percepção alcançava uma escala muito maior. Para um Wirt responsável por milhares de consumidores, repetir o brinde ao longo da apresentação ajudava também a estabelecer um ritmo para o consumo. A cada Ein Prosit, milhares de canecos eram novamente levados à boca; quanto mais rapidamente se esvaziavam, mais cedo chegava o momento de pedir outra Maß.

A força da ideia estava justamente em integrar essa lógica à própria experiência da festa. Ninguém precisava receber uma ordem de compra: a música começava, o público cantava, os canecos subiam e o gole vinha naturalmente. Para o visitante era confraternização; para o Wirt, havia também uma engrenagem comercial funcionando ao ritmo da Kapelle.

No centro daquela canção estava ainda uma palavra quase impossível de traduzir: Gemütlichkeit. Aconchego, cordialidade, bem-estar e prazer de estar junto se aproximam de seu significado. Era exatamente esse tipo de sensação coletiva que Lang ajudava a produzir dentro de uma tenda para milhares de pessoas.

O HOMEM DO BIGODE E DO CROCODILO

A capacidade de Lang para promover seus empreendimentos não se limitava à música. Seu rosto, marcado pelo grande bigode, aparecia em cartões-postais e materiais promocionais, enquanto o crocodilo continuava funcionando como símbolo reconhecível. No frontão da Riesenhalle, um Münchner Kindl aparecia montado sobre o animal: o símbolo tradicional de München encontrava o crocodilo que acompanhava Lang desde Nürnberg.

Por volta de 1899, um cartão-postal resumia de maneira quase perfeita essa construção de personagem: Lang aparecia dentro de um barril, segurando de um lado um caneco com a inscrição “Ein Prosit der Gemütlichkeit” e, do outro, uma trombeta. Em outra peça, de cerca de 1901, foi representado como o próprio Münchner Kindl. Havia humor nessas imagens, mas também uma estratégia clara de reconhecimento.

Utilizando um conceito contemporâneo, poderíamos dizer que Lang compreendia bem o valor de uma marca: nome, símbolos, repertório, decoração, publicidade e figura pública formavam uma identidade coerente.

Georg Lang em cartão-postal de 1899, representado dentro de um barril, com uma trombeta e um caneco trazendo a inscrição “Ein Prosit der Gemütlichkeit”. A peça mostra como o “Lang-Schurl” transformava a própria imagem, a música e o brinde em elementos de divulgação de suas Festhallen. | Fonte: Georg Ritzer, 1899 / Münchner Stadtmuseum, Sammlung Puppentheater / Schaustellerei, inv. PS PK 0011 – Public Domain Mark (PDM).

 

MÜNCHEN ALÉM DA WIESN

A trajetória de Lang em München não se resumiu às poucas semanas anuais da Oktoberfest. Entre 1900 e 1902, esteve à frente do Münchner Kindl-Keller, na Rosenheimer Straße, um enorme complexo que, considerando seus diferentes ambientes e o Biergarten, podia receber aproximadamente 11.500 pessoas.

Em junho de 1900, o Kindl-Keller recebeu John Philip Sousa, célebre compositor e maestro norte-americano, com sua banda. Lang assumiu pessoalmente o papel de anfitrião e levou os músicos a conhecer casas cervejeiras de München, entre elas o Hofbräuhaus, o Ewiges Licht e o Kerns Bockkeller. Ao final da passagem pela cidade, presenteou os visitantes com medalhas; Sousa recebeu uma peça em ouro, enquanto os integrantes da banda receberam medalhas de prata. Os músicos retribuíram com uma grande taça de prata.

O episódio revela um Lang que ia além da administração dos grandes salões. Ele circulava entre músicos, cervejeiros e visitantes internacionais e já estava plenamente inserido na vida gastronômica e social de München.

ENTRE MÜNCHEN E NÜRNBERG

A ascensão em München não significou um rompimento com sua cidade natal. A partir de 1901, Lang também administrou uma Bierhalle no Nürnberger Volksfest, então realizado no Ludwigsfeld. Enquanto construía sua reputação entre a Wiesn e os grandes estabelecimentos cervejeiros de München, continuava, portanto, presente na vida festiva de Nürnberg.

A ligação com München, entretanto, também ganhava dimensão familiar. Georg e Mina já haviam iniciado a família em Nürnberg, onde nascera a filha Margaretha, em 1890. Em 1900 nasceu em München o filho Friedrich. A cidade bávara já não era apenas seu destino profissional.

Depois de deixar o Münchner Kindl-Keller, Lang tornou-se, em 1903, Wirt do Löwenbräukeller. Apenas cinco anos depois de chegar à Wiesn como um forasteiro de Nürnberg, já estava ligado a alguns dos maiores estabelecimentos cervejeiros de München sem abandonar inteiramente suas atividades na Francônia.

UMA BIERBURG DA FRANCÔNIA EM PLENA WIESN

Em 1903, Lang levou novamente sua origem francônia para o centro da Oktoberfest. A Augustiner-Brauerei ergueu para ele uma nova Festhalle projetada pelo arquiteto Albin Lincke. Com aproximadamente 2.000 metros quadrados, a construção ficou conhecida como “Bierburg”, a fortaleza da cerveja.

A fachada remetia a uma fortificação e incorporava elementos que evocavam a velha Nürnberg: enxaimel, balcões salientes, passagens defensivas, uma grade levadiça e uma torre. Nas proximidades eram vendidos até Nürnberger Lebkuchen, os tradicionais pães de especiarias da cidade.

A Bierburg antecipava uma característica fácil de reconhecer nas Festzelte contemporâneas: a arquitetura também podia participar da identidade da tenda. No caso de Lang, essa cenografia reforçava uma ligação com Nürnberg que já aparecia na gastronomia, na música e em seus símbolos.

A Augustiner-Bierburg de Georg Lang na Theresienwiese, erguida a partir de 1903. A monumental Festhalle incorporava referências arquitetônicas a Nürnberg, como o grande torreão, enxaimel, passagens defensivas e o portão fortificado. À esquerda da imagem também aparece um ponto de venda de Nürnberger Lebkuchen, enquanto um carro puxado por cavalos transporta barris de cerveja diante da entrada. | Fonte: Stadtarchiv München.

 

QUANDO A EXCEÇÃO SE TRANSFORMOU EM MODELO

A transformação da Oktoberfest já estava em andamento quando Georg Lang chegou à Theresienwiese. As grandes cervejarias haviam começado a construir Bierhallen maiores antes dele. Sua contribuição não pode, portanto, ser resumida pela ideia de que teria “inventado a tenda da Oktoberfest”.

O que fez foi mostrar até onde aquele novo modelo poderia chegar. Em 1907, nove anos depois da primeira Riesenhalle de Lang, o antigo sistema de pequenas Wirtsbuden já havia sido substituído por seis grandes Festhallen das cervejarias de München. Ao mesmo tempo, Kapelle sobre o pódio, canto coletivo, Liederhefte e identidade visual ajudavam a consolidar uma nova maneira de viver a tenda.

A Riesenhalle não tinha apenas mais lugares. Tinha atmosfera.

O “ERFINDER DER BIERZELTSTIMMUNG”

É justamente assim que Georg Lang continua sendo lembrado em München. Na coleção de retratos do Münchner Stadtmuseum, ele aparece associado à expressão Erfinder der Bierzeltstimmung — o inventor da atmosfera das tendas de cerveja.

A definição resume bem sua importância. Bierzeltstimmung é aquilo que acontece quando banda, público, cerveja, canto, mesas coletivas e brindes deixam de funcionar separadamente e passam a formar uma experiência comum. Lang não criou isoladamente cada um desses elementos; sua contribuição esteve em reuni-los e fazê-los funcionar juntos.

DE GEORG LANG A CURT PRANK

Mais de um século depois, sua história chegou também à televisão. Em 2020, a ARD apresentou Oktoberfest 1900, série em que o empresário francônio Curt Prank, interpretado por Mišel Matičević, chega a München decidido a reunir cinco lotes e construir uma gigantesca Bierburg para 6.000 pessoas. A inspiração em Georg Lang foi reconhecida pelos próprios produtores, embora Prank seja um personagem ficcional e os crimes, chantagens e conflitos da trama não pertençam à biografia real do Krokodilwirt.

Em 2025, a história ganhou continuação em Oktoberfest 1905. O fato de Lang continuar servindo de inspiração para uma produção televisiva mais de 120 anos depois de sua morte mostra como sua trajetória permanece ligada ao imaginário sobre a transformação da Wiesn.

O HOMEM QUE LEU A PRÓPRIA NOTÍCIA DE MORTE

Em 1903, enquanto estava em Bozen, atual Bolzano, começou a circular a notícia de que Georg Lang havia morrido. A informação era falsa, mas espalhou-se suficientemente para provocar manifestações de pesar e fazer com que ele recebesse condolências mesmo depois de retornar.

No ano seguinte, porém, sua saúde realmente piorou. Durante a Oktoberfest de 1904, Lang já não conseguiu conduzir normalmente sua Festhalle e, em 12 de outubro, morreu em München, aos 38 anos. Apenas seis anos haviam transcorrido desde sua estreia na Theresienwiese.

Mina continuou inicialmente os negócios ligados à Wiesn, enquanto os Original Oberlandler seguiram realizando apresentações. Lang não viveu para assistir à consolidação das grandes Festzelte nem para ver a Oktoberfest alcançar dimensão internacional.

Georg “Schurl” Lang, o Gastwirt de Nürnberg que entrou para a história da Oktoberfest ao transformar a grande Festhalle em espaço de música, participação e confraternização — a Bierzeltstimmung que ainda define a experiência da Wiesn. | Fonte: Münchner Stadtarchiv.

 

DE MÜNCHEN DE VOLTA A NÜRNBERG

Lang havia manifestado o desejo de ser sepultado em sua terra natal. Depois de sua morte em München, seu corpo seguiu para Nürnberg, onde o enterro ocorreu no Johannisfriedhof em 16 de outubro de 1904.

Havia um simbolismo inevitável naquele último trajeto. Seis anos antes, Lang deixara Nürnberg levando consigo o crocodilo, as Rostbratwürste e a experiência adquirida nos grandes salões. Agora fazia o caminho inverso. O homem retornava à cidade natal; parte de suas ideias, porém, permanecia na Oktoberfest.

O LEGADO ESCONDIDO EM UM BRINDE

Quando, em alguma Oktoberfest ou festa de tradição alemã, a Kapelle iniciar os primeiros compassos de “Ein Prosit der Gemütlichkeit”, os canecos se levantarem e chegar o conhecido “Oans, zwoa, drei, g’suffa!”, brinde com quem estiver ao seu lado e tome um belo gole de cerveja. E, nesse momento, lembre-se de Georg Lang.

Por trás desse gesto existe parte da história do Gastwirt de Nürnberg que percebeu que música, confraternização e cerveja poderiam seguir o mesmo ritmo. Ele não inventou sozinho a grande Festhalle, mas ajudou a criar algo talvez mais difícil de construir: a Bierzeltstimmung.

Mais de um século depois, cada vez que o Ein Prosit levanta os canecos e faz um salão inteiro brindar junto, um pouco daquela ideia continua viva. Prost, Georg Lang!

 

Clay Schulze (@clay.schulze) é Presidente do Centro Cultural 25 de Julho de Blumenau, além de integrante do Männerchor Liederkranz e da Blumenauer Volkstanzgruppe.

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O post Georg Lang: o homem que transformou a Oktoberfest apareceu primeiro em OBlumenauense | Notícias de Blumenau e do Vale do Itajaí.