Um anúncio de SUV por um preço atrativo terminou em um prejuízo de R$ 195 mil para uma vítima de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina. A investigação aponta que o negócio era falso e havia sido montado para parecer legítimo do começo ao fim.
Segundo a apuração, os suspeitos anunciaram o veículo em uma plataforma de comercialização online. A versão apresentada era de que o automóvel havia sido recebido como indenização de uma empresa do ramo de transportes e estava à venda porque o suposto proprietário não queria permanecer com o bem.
O esquema teria ido bem além da publicação. Os investigados criaram um site falso em nome da transportadora, falsificaram documentos e simularam contatos de terceiros envolvidos na negociação. Convencida de que a compra era verdadeira, a vítima fez pagamentos que somaram R$ 195 mil.
As diligências realizadas depois do golpe permitiram identificar sete suspeitos envolvidos no esquema. A apuração também levou a medidas para tentar preservar bens e valores que possam ser usados em um eventual ressarcimento do prejuízo.
Na manhã desta quarta-feira (16/09), a investigação avançou para uma nova etapa com a deflagração da Operação “Anúncio de Troia”. Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em Itu, São Paulo, Santo André, São Bernardo do Campo e Osasco, todos no estado de São Paulo.
Após manifestação favorável da 39ª Promotoria de Justiça da Capital, o Judiciário também autorizou o bloqueio de valores e a indisponibilidade de veículos de oito alvos envolvidos no crime.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, dispositivos eletrônicos foram apreendidos. O material será submetido à perícia e analisado pelas equipes de investigação para aprofundar a apuração e verificar a possível existência de outras vítimas e envolvidos.
O nome “Anúncio de Troia” faz referência ao mito grego do “Cavalo de Troia”, em que guerreiros se esconderam dentro de um grande cavalo de madeira oferecido aos troianos para conseguir entrar na cidade.
A analogia está na estratégia apontada pela investigação: elementos aparentemente verdadeiros teriam sido usados para esconder a fraude e ganhar a confiança da vítima.
A operação foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), por meio do CyberGAECO, e pela 1ª Delegacia de Polícia Civil de Chapecó. Em São Paulo, o cumprimento das medidas teve apoio do CyberGAECO do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP).
A 39ª Promotoria de Justiça da Capital atua em todo o estado e é responsável por investigar e processar crimes relacionados a organizações criminosas perante a Vara Estadual de Organizações Criminosas (VEOC). A estrutura conta com cinco Promotores de Justiça e foi criada para fortalecer esse tipo de atuação.
O GAECO do Ministério Público de Santa Catarina é formado pela Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Corpo de Bombeiros Militar e Receita Estadual. O grupo atua na identificação, prevenção e repressão às organizações criminosas.
Já o CyberGAECO é a força-tarefa especializada do grupo voltada às infrações penais praticadas em ambientes virtuais. No caso de Chapecó, a investigação agora se concentra no material recolhido durante as buscas.
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