Depois de sete décadas de atuação no mercado automotivo catarinense, o Grupo Breitkopf se prepara para uma mudança. A empresa, que construiu boa parte de sua história ligada às montadoras alemãs, vai representar a fabricante chinesa BAIC em Santa Catarina. A expectativa é que a nova operação aumente em até 30% o volume de veículos comercializados pelo grupo nos próximos 12 meses.

A estreia está marcada para 30 de outubro, com a abertura de três concessionárias em Florianópolis, Blumenau e Itajaí. A Capital será a base da operação no Estado. Inicialmente, os consumidores terão acesso a dois modelos elétricos, o Arcfox T1 e o Arcfox T5.

Mas os planos vão além dos primeiros lançamentos. A BAIC pretende ampliar sua oferta no Brasil para 10 modelos até 2028, incluindo SUVs, crossovers e picapes com diferentes tipos de motorização.

Lançamento da BAIC no Brasil. Na foto, Rafael Breitkopf Sardagna (Grupo Breitkopf), Oswaldo Ramos (COO da BAIC Brasil) e Julia Breitkopf Sardagna Ferreira (Grupo Breitkopf) | Foto: divulgação

A fabricante também estabeleceu metas para ganhar espaço no mercado brasileiro. Quer estar entre as dez marcas que mais vendem veículos no país até 2028 e alcançar as cinco primeiras posições em 2030. São projeções ambiciosas para uma empresa que ainda começa a construir sua presença comercial por aqui.

Uma mudança na trajetória de 70 anos

Para Rafael Breitkopf Sardagna, representante da quarta geração da família e diretor responsável pela operação BAIC Breitkopf, a chegada da montadora chinesa representa uma nova etapa na história da empresa.

“É uma mudança importante de ciclo. O Grupo Breitkopf surgiu ligado à indústria alemã, mas foi se diversificando ao longo dos anos. Agora, damos um passo importante em direção à indústria chinesa. Não estamos apenas colocando uma nova marca dentro do Grupo. Estamos participando da construção da BAIC no Brasil”, conta Rafael.

Rafael Breitkopf Sardagna (Grupo Breitkopf), Feng Jiahao (representante global da BAIC) e Julia Breitkopf Sardagna Ferreira (Grupo Breitkopf) | Foto: divulgação

A decisão não foi tomada apenas com base nos dois veículos que chegam primeiro às lojas. Segundo Sardagna, o grupo avaliou a estratégia de crescimento da fabricante, a possibilidade de ampliar a rede comercial e os planos de produção no Brasil.

“A proposta é de longo prazo, com investimento em rede, produtos, produção nacional e ampliação da participação no mercado. Quando olhamos para esse objetivo e para o histórico industrial da BAIC, entendemos que havia uma oportunidade de construir algo relevante também em Santa Catarina”, completa.

Para acelerar a implantação, o Breitkopf vai aproveitar imóveis que já fazem parte de sua estrutura. Os espaços serão adaptados para receber as concessionárias, sem a necessidade de construir todas as instalações do zero.

Parceria começou durante viagem à China

O primeiro contato entre as empresas ocorreu antes do anúncio da chegada da BAIC ao mercado brasileiro. Representantes do Grupo Breitkopf participaram do Salão do Automóvel de Pequim, durante uma viagem organizada pelo Banco Safra. Foi nesse encontro que começaram as conversas com a montadora, posteriormente transformadas em um pré-acordo para a representação em Santa Catarina.

De um lado estava uma empresa familiar fundada em 1955, com atuação consolidada no mercado catarinense. Do outro, uma fabricante criada em Pequim, em 1958, que agora busca ampliar sua presença internacional.

A trajetória do grupo no Estado também entrou na negociação. Com 70 anos de atuação, o Breitkopf já possui uma estrutura comercial e uma base de consumidores, fatores que podem ajudar na entrada de uma marca ainda pouco conhecida do público brasileiro.

Isso não elimina, porém, o desafio de conquistar compradores em um mercado disputado por fabricantes tradicionais e por outras montadoras chinesas que vêm ampliando suas operações no país.

“Existe uma história que precisa ser respeitada, mas também existe um mercado que mudou profundamente. A entrada da BAIC representa esse momento. É manter a solidez construída pelas gerações anteriores e, ao mesmo tempo, estar preparado para enxergar de onde podem vir os próximos ciclos de crescimento do setor automotivo”, destaca Sardagna.

Grupo mantém marcas tradicionais e amplia presença chinesa

A relação do Grupo Breitkopf com a indústria alemã começou ainda na época da DKW-Vemag. Desde então, a empresa diversificou os negócios e passou a trabalhar com fabricantes de diferentes origens.

Atualmente, o portfólio inclui Audi, Volkswagen, Volkswagen Caminhões e Ônibus, Citroën, Peugeot e Suzuki Haojue Motos.

O grupo também atua em outras áreas do setor automotivo, por meio da Breitkopf Consórcios, Breitkopf Locadora, Breitkopf Seguros, Autocerto Breitkopf, voltada aos seminovos, BKF Studiocar e Autome.

A entrada da BAIC acrescenta uma nova fabricante a essa estrutura e coloca o grupo catarinense em uma disputa que deve ganhar força nos próximos anos: a busca das montadoras chinesas por espaço no mercado brasileiro.

Para o Breitkopf, a meta imediata é transformar a chegada da marca em crescimento nas vendas. Para a BAIC, o desafio começa antes: fazer com que o consumidor brasileiro conheça seus carros e considere levá-los para casa.

A partir de 30 de outubro, os planos das duas empresas começam a ser testados nas concessionárias de Santa Catarina.

Arcfox T5 | Imagem: divulgação
Arcfox T1 | Imagem: divulgação
Arcfox T1 | Imagem: divulgação

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