Quinze pessoas sentaram para falar de pressão arterial, glicemia, alimentação, remédios e rotina. É nessa conversa, antes de uma internação ou de uma complicação mais grave, que a Estratégia Saúde da Família (ESF) Thamara Katryne Rodrigues Schmidt quer ampliar o cuidado com pacientes do bairro Progresso.
A unidade promoveu no último sábado (12/09/26), o primeiro encontro do Grupo Hiperdia, voltado a pessoas com hipertensão e diabetes que já são acompanhadas pela equipe. A proposta é transformar os encontros mensais em um espaço permanente para informação, troca de experiências e acompanhamento.
O tema chama ainda mais atenção quando se olha para os números. O Vigitel 2024, do Ministério da Saúde, apontou que 29,7% dos adultos entrevistados nas capitais brasileiras e no Distrito Federal disseram já ter recebido diagnóstico médico de hipertensão. Em 2006, eram 22,6%.
O diabetes seguiu caminho parecido. A proporção de adultos que relataram diagnóstico médico passou de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024, também considerando as capitais e o Distrito Federal.
Os números do Vigitel não representam diretamente todos os municípios brasileiros e são baseados em diagnóstico informado pelos próprios entrevistados. Ainda assim, mostram uma tendência importante: duas doenças crônicas bastante presentes na rotina das unidades de saúde vêm ganhando espaço ao longo dos anos.
Em Santa Catarina, o recorte disponível no levantamento do Ministério da Saúde é Florianópolis. Em 2023, 22,7% dos adultos entrevistados na capital catarinense disseram ter diagnóstico de hipertensão. Para o diabetes, o índice foi de 7,2%.
Dados da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina também mostram o tamanho das consequências quando o controle falha. O Estado registrou 1.492 internações por hipertensão em 2023, contra 1.079 dez anos antes, aumento de 38,2%.
No mesmo ano, foram registrados 2.486 óbitos cuja causa básica foi diabetes em Santa Catarina, segundo levantamento estadual feito a partir do Sistema de Informações sobre Mortalidade. Os dados de 2023 eram preliminares.
É por isso que falar sobre o problema faz parte do tratamento. A hipertensão muitas vezes só apresenta sintomas quando a pressão sobe muito. Sem controle, aumenta o risco de acidente vascular cerebral, infarto, insuficiência renal e insuficiência cardíaca.
Segundo o Ministério da Saúde, fatores como excesso de sal, obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo de álcool, colesterol elevado e estresse podem influenciar a pressão arterial. A idade e a predisposição familiar também pesam.
No diabetes, especialmente no tipo 2, entram no radar fatores como sobrepeso, histórico familiar, pressão alta, colesterol e triglicerídeos alterados, além de outras condições metabólicas. O controle insuficiente da glicemia ao longo do tempo pode atingir nervos, rins, olhos, vasos sanguíneos e pés.
Foi justamente essa combinação de prevenção e acompanhamento que entrou na pauta do primeiro encontro no Progresso. Os participantes receberam orientações sobre controle da pressão arterial e da glicemia, alimentação saudável, atividade física, uso correto das medicações e prevenção de complicações.
Para o secretário de Promoção da Saúde, Marcelo Lanzarin, o grupo amplia uma função que já faz parte do trabalho cotidiano das equipes de Atenção Primária. “A Atenção Primária tem justamente esse papel de estar perto das pessoas, conhecer suas necessidades e acompanhar sua saúde ao longo do tempo. Quando criamos espaços assim, ampliamos esse cuidado para além da consulta e fortalecemos o vínculo entre a equipe e a comunidade”, afirmou.
Em Blumenau, pessoas com hipertensão ou diabetes já são cadastradas e acompanhadas nas unidades de saúde de referência. Conforme a Prefeitura, elas também recebem gratuitamente, de acordo com a necessidade, medicamentos e materiais utilizados no tratamento.
O Hiperdia faz parte dessa lógica: manter o paciente por perto também quando não há uma crise acontecendo. Em vez de procurar ajuda apenas quando a pressão dispara ou a glicemia sai do controle, a proposta é criar uma rotina de prevenção.
Os encontros na ESF Thamara Katryne Rodrigues Schmidt serão mensais. Servirão para tirar dúvidas, compartilhar dificuldades e levar para dentro de casa orientações que cabem no dia a dia.
Para doenças que muitas vezes avançam em silêncio, conversar, medir, acompanhar e voltar no mês seguinte pode ser justamente o que impede o próximo problema de chegar primeiro.
O post Grupo em Blumenau reforça cuidado contra hipertensão e diabetes antes das complicações apareceu primeiro em OBlumenauense | Notícias de Blumenau e do Vale do Itajaí.
