Jaraguá do Sul falou alto nas urnas. Para presidente, Flávio Bolsonaro recebeu 78.938 votos, ou 72,67% dos votos válidos. Para governador, Jorginho Mello foi ainda mais longe: 80.875 votos, 78,47%. São números que não deixam muita margem para interpretação. O eleitor jaraguaense fez uma escolha clara e expressiva nos dois principais cargos do primeiro turno.

Há, porém, uma ironia neste resultado. A cidade demonstrou força eleitoral, mas terminou a eleição com menos força política regional. E política, gostemos ou não, também se mede pela capacidade de transformar voto em representação.

A partir de 2027, Santa Catarina terá 16 deputados federais. Nenhum dos eleitos tem Jaraguá do Sul como sua base eleitoral principal. Rodrigo Livramento, um dos nomes da cidade na disputa, terminou com 42.981 votos e ficou na suplência. Fábio Schiochet também não conseguiu a reeleição, mesmo recebendo 80 mil votos.

O preço de perder representação

Aqui está o ponto que merece reflexão. Jaraguá do Sul e o Vale do Itapocu não deixaram de existir politicamente porque seus candidatos não foram eleitos. Mas perderam representantes diretamente ligados à região.

E isso tem consequências. Um deputado federal não trabalha apenas no plenário. Ele participa da discussão do Orçamento, articula recursos, acompanha obras e mantém canais políticos em Brasília. É natural que sua atuação tenha relação com as regiões onde possui base eleitoral e compromissos políticos.

Na Assembleia Legislativa, a situação também exige atenção. Vicente Caropreso foi reeleito, mas a representação regional encolheu. O resultado não deve servir para procurar culpados, mas para fazer uma pergunta incômoda: por que uma região economicamente forte, com mais de 130 mil eleitores apenas em Jaraguá do Sul, não consegue transformar seu peso eleitoral em uma bancada proporcional à sua importância?

Talvez a resposta esteja na dispersão dos votos. Tivemos candidatos locais, mas também muitos votos destinados a nomes de fora. Cada eleitor é livre para escolher quem quiser — e esse é justamente o princípio da democracia. Mas escolhas individuais produzem consequências coletivas.

Vicente Caropreso reeleito

Dr. Vicente Caropreso (União Brasil) foi reeleito deputado estadual de Santa Catarina e garantiu mais quatro anos de mandato na Assembleia Legislativa. O parlamentar recebeu 79.663 votos, mais que o dobro da votação obtida em 2022. A reeleição mantém Caropreso como representante de Jaraguá do Sul e da região no Legislativo estadual a partir de 2027.

Lunelli mantém votação expressiva em Jaraguá

Antídio Lunelli enfrentou um cenário difícil na disputa pelo Senado e recebeu 35.704 votos em Jaraguá do Sul, correspondentes a 17,90% dos votos válidos. No total de Santa Catarina, foram 455.131 votos, ou 6,03% dos válidos. Na cidade, Lunelli ficou atrás de Carol de Toni e Carlos Bolsonaro.

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