A nona participação em provas de IRONMAN 70.3 já seria, por si só, motivo de celebração. Desta vez, porém, o desafio para Julia Quarezemin tinha uma dimensão ainda maior. Era seu segundo Campeonato Mundial da modalidade e a jaraguaense voltou para casa como a melhor brasileira amadora da competição.

Com o tempo de 5h22’23”, a triatleta terminou na 41ª colocação de sua categoria por idade entre 327 atletas. No resultado geral feminino, foi a 155ª colocada entre 2.688 competidoras do evento, realizado em um cenário considerado como o berço do triatlo de longa distância na Europa.

A largada foi com a distância de 1,9km de natação nas águas azuis da Côte d’Azur, seguida pelo percurso de 90km de ciclismo pelo interior dos Alpes-Maritimes, marcado por longas subidas. Na etapa final, a corrida de 21km tomou conta da Promenade des Anglais, cartão-postal de Nice à beira-mar.

“Foi uma prova muito desafiadora, com calor intenso, um ciclismo bastante exigente e um cenário incrível, principalmente no percurso de bike, passando pelo Col de Vence e pelas montanhas da região. Mas, sem dúvidas, a parte mais especial foi ter minha família ao meu lado aqui na França”, contou Julia.

Julia com os familiares | Foto: Arquivo pessoal

Antes de chegar novamente ao principal palco do triatlo mundial, Julia já havia sido campeã brasileira Sub-23 de Sprint e chegou à competição na França como segunda colocada do ranking catarinense de triatlo.

E para colocar mais um IRONMAN 70.3 no currículo, ela contou com um trabalho coletivo. Ao lado do técnico Fernando Couto, Julia reuniu uma equipe multidisciplinar, incluindo a preparação física e preventiva da Body.lab Assessoria e Treinamento, além do trabalho de outros profissionais envolvidos em sua preparação.

“Meu coração está cheio de gratidão por tudo o que me trouxe até aqui, pelas pessoas que acreditaram em mim e pelo privilégio de competir neste cenário. Estou muito feliz, muito grata e muito orgulhosa. Esse foi o meu segundo Mundial de 70.3, então chegar novamente até aqui, depois de todo o processo de preparação, já tem um significado muito grande”, afirmou.

Detalhes da prova

A largada aconteceu às 8h50, em uma das últimas baterias. Com a previsão de temperaturas elevadas, o uso de roupa de borracha na natação não foi permitido. Julia entrou na água com a meta de completar os 1,9km abaixo dos 30 minutos. O relógio, porém, marcou 31’47”. “Fiz uma prova consistente, mas acima do tempo que vinha buscando”, avaliou.

A primeira transição, naturalmente longa em Nice, ainda ganhou alguns minutos extras pela necessidade de colocar o canelito. Mas era no ciclismo que a atleta sabia que boa parte da prova seria decidida.

Foram 92,8km sobre duas rodas e aproximadamente 1.400m de ganho de elevação. A jaraguaense já havia feito o trajeto alguns dias antes da competição, mas a experiência, segundo ela, não diminuía o tamanho do desafio.

As primeiras subidas eram curtas e inclinadas. Depois, o percurso apresentava uma ascensão longa e constante, que representava uma parcela significativa dos quilômetros de bicicleta. Foi justamente ali que a preparação fez diferença.

“Eu me senti muito bem escalando e consegui fazer um bom ciclismo, respeitando o esforço e a estratégia que havia planejado”, ressaltou.

Se as subidas exigiam força, as descidas pediam técnica, leitura do terreno e confiança. Para Julia, era também um terreno familiar. Nos treinos em Santa Catarina, encarar estradas de montanha, alternando subidas e descidas, faz parte da rotina dos finais de semana.

“Gosto da adrenalina da descida e também da parte técnica: escolher a linha, controlar a velocidade, frear no momento certo e conseguir transformar uma descida em ganho de posições”, disse.

O percurso, no entanto, exigia atenção redobrada. Curvas, lombadas e bueiros se somavam ao desafio de dividir a estrada com os carros dos vilarejos que circulavam pelo trajeto. Mesmo assim, a atleta conseguiu transformar um dos trechos mais difíceis do Mundial justamente em seu momento de maior satisfação.

“Consegui fazer um ciclismo muito sólido e aproveitar a parte que mais gostei nessa prova”, destacou.

Depois do mar e das montanhas, ainda faltava a corrida. E o principal adversário era o sol. Julia iniciou a meia-maratona perto das 13h, quando o calor já era intenso. A maior parte dos 21km foi realizada em um percurso à beira-mar praticamente sem sombra.

Naquele momento, a estratégia passou a ser executar aquilo que as condições do dia permitiam. A jaraguaense conseguiu manter uma corrida regular e completou a prova dentro do planejado. Quando cruzou a linha de chegada, o resultado consolidava uma jornada que começou muito antes da largada em Nice.

Foto: Arquivo pessoal

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